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segunda-feira, 24 de abril de 2017

OS LIVROS "À MESA COM A HISTÓRIA" E "ENQUANTO SALAZAR DORMIA..."

Tendo em conta que ontem foi o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, instituído pela UNESCO em 1995, já que foi a 23 de abril de 1616 que faleceu Miguel de Cervantes e a 23 de abril de 1899 que nasceu Vladimir Nabokov, na continuação do texto imediatamente antes publicado, em tempos de comemoração do importante marco do que foi, para Portugal e os portugueses, a Revolução dos Cravos no dia 25 de abril de 1974, hoje decidi trazer-vos aqui duas grandes sugestões de livros que eu já li e recomendo

Em primeiro lugar, tendo em conta a imagem acima, recorde-se então, entre as páginas 266 e 277 contidas no livro “À mesa com a história” do autor Manuel Guimarães, editora Colares, como foi de facto a vida de António de Oliveira Salazar, promotor do então Estado Novo entre 1933 e 1974, tendo como ponte de partida o tão conhecido ditado popular:

Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és.
Homem discreto e reservado, que nunca fez qualquer dieta alimentar, tendo tido durante toda a sua vida uma só uma constipação e uma só broncopneumonia. Nunca pediu conselhos a ninguém e comia de tudo o que gostava, sempre segundo o olhar atento e discreto da sua governanta, cujo orçamento que lhe fazia chegar nunca podia ultrapassar da quarta parte do seu salário! 
Na maior parte das vezes, comia um só prato principal, alternando a carne com o peixe, e raramente acrescentava algum doce à sua refeição, apesar da sua preferência ser o pudim francês. Apreciava castanha-de-ovos, mas não café. 
Do Minho enviavam-lhe as primeiras lampreias e salmões pescados em cada ano; de Vila Real de Santo António vinham as laranjas; do Linhó chegavam as primeiras alfaces. Também pedia para que lhe enviassem alheiras de Mirandela, assim como diversos enchidos alentejanos. Nunca entrou num restaurante para comer, preferindo levar consigo em viagem algum tipo de farnel preparado meticulosamente pela sua governanta.

António de Oliveira Salazar nasceu, portanto, na zona de Beira Alta em 1889, tendo estudado no Seminário de Viseu, para depois passar para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Era um homem solteiro e solitário. A governanta era a Maria de Jesus que substituíra uma cozinheira que usava um fogareiro de petróleo. Ele habitou na Rua de Bernardo Lima, já depois de ter vivido em duas casas alugadas em Lisboa, mas em 1937, por razões de segurança, mudou-se para o Palácio de S. Bento. Raramente tinha convidados, mas os banquetes oficiais eram sempre dispostos na sala grande, cujo serviço era prestado pelo pessoal do Aviz Hotel, incluindo-se o próprio cozinheiro João Ribeiro!

Salazar detestava leite, mas adorava degustar queijos frescos de Tomar. Por outro lado, também era exigente com o “mise en scéne” em cada refeição, em que apesar de elogiar cada prato de comida, também apontava, se necessário, cada defeito, adorando ainda calcular tudo em escudos! Uma das suas irmãs chegava mesmo a dizer que:

“come pouco, prefere o peixe à carne, a fruta aos doces, os legumes aos ovos
 
O final de cada mês de abril era sempre passado em festa: entrou para o governo no dia 27 de abril e nasceu a 28 do mesmo mês. 
Ele detestava souflé ou qualquer outro tipo de cozinha elaborada, talvez devido ao facto de ter herdado uma quinta dos pais em Santa Comba Dão, donde recebia regularmente hortaliças, azeitonas, broa, pimentos, abóbora, figos e cerejas. Mas Maria de Jesus conseguiu instalar, com o devido consentimento do Presidente, dentro dos próprios jardins de S. Bento, uma capoeira e até várias hortas, apesar de ter de ser tudo “às escondidas”!

Acrescente-se ainda, que a sua governanta guardava consigo muitos livros de cozinha, fazendo de Salazar a sua “vítima”!

Ele comia sopa a todas as refeições: caldo verde, sopa de nabiças ou sopa de cebola. Maria de Jesus também costumava confecionar uma canja de ossos de perú e outra com as espinhas e barbatanas de bacalhau. E para além da torta de bacalhau desfiado ou do bacalhau à Salazar e do esparregado, o Presidente apreciava certas iguarias tipicamente portuguesas, tais como as sardinhas fritas com salada de feijão-frade ou com pimentos assados, nomeadamente na altura do verão, bem como o bacalhau assado com batatas a murro ou os bolinhos de bacalhau. Para finalizar, ainda havia a ginjinha caseira!

Em segundo lugar, de acordo com a imagem acima, por que não experimentarem a adquirir o livro “Enquanto Salazar dormia…” da editora Casal das Letras, pois tal como o próprio autor Domingos Amaral, nascido em 12 de outubro de 1967, afirma:

A vida é aquilo de que nos recordamos, ou seja, as grandes histórias que vivemos.

E se hoje falamos tanto acerca da chegada à Europa de milhares de migrantes e refugiados de barco – na sua maioria oriundos da Síria, Iraque e Afeganistão – tendo, sem dúvida, levantado imensas preocupações sobre aquela que já é considerada a maior crise migratória que assola a Europa desde a Segunda Guerra Mundial, nomeadamente a propósito das várias situações de terrorismo que cada vez mais faz “tremer” cada um de nós, por que não recordar também Lisboa no ano de 1941, em que fora um autêntico oásis de tranquilidade num ambiente fustigado pelos horrores dessa época, em que refugiados chegavam aos milhares ao nosso país, enchendo-se Portugal de milionários e atrizes, judeus e espiões, em que Salazar permitia, mas vigiava tudo à distância!

Boas leituras, ficando à espera dos vossos comentários acerca destes ou de outros livros!

(fontes: http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-08-29-Migrantes-ou-refugiados–A-distincao-e-importante-porque-as-palavras-importam-,

sexta-feira, 21 de abril de 2017

PORTUGAL ANTES E DEPOIS DO 25 DE ABRIL DE 1974 E O INQUÉRITO ALIMENTAR NACIONAL

No período anterior ao 25 de abril de 1974, Portugal vivia sob regime ditatorial, ora governado em primeiro lugar por António de Oliveira Salazar, ora governado em segundo lugar por Marcelo Caetano. O país atravessou, assim, uma fase de grande opressão e sem qualquer liberdade de expressão, em que apesar do já adquirido direito ao voto, os portugueses estavam submetidos a um regime político de um partido único, podendo ser perseguidos pela Polícia Política (PIDE). 
A economia nacional assentava mais no setor agrícola, sendo a população maioritariamente analfabeta. Os operários trabalhavam com poucas condições de segurança e de higiene, em que as mulheres não possuíam qualquer poder para decidir sobre a sua vida pessoal ou familiar. Mas em várias colónias começavam a surgir vários movimentos, ao mesmo tempo que os portugueses cada vez mais emigravam para países europeus em rápido crescimento. 
Após a Revolução, esta triste realidade alterou-se bastante, passando-se a viver sob regime democrático. Aos poucos, foram sendo criadas leis a fim de defenderem todos os portugueses, independentemente da sua raça, sexo, etnia, religião ou opção política, doentes ou inválidos.
A intitulada Revolução dos Cravos marca, portanto, um enorme sentimento de coragem e de luta pela igualdade de direitos, pois estávamos há muito, como que: “orgulhosamente sós“!

cravo vermelho tornou-se também no símbolo da liberdade, já que foi Celeste Caeiro, trabalhador num restaurante na Rua Braancamp de Lisboa, quem começou a distribuir cravos vermelhos pelos populares, que por sua vez os ofereciam aos soldados, preferindo estes colocá-los nos canos das suas espingardas, dando-se então a “Revolução dos Cravos“!
Já agora, com a ajuda de uma reportagem dirigida por Martim Cabral e Teresa Conceição através do canal de televisão SIC Notícias, recorde-se como era a alimentação dos portugueses antes da Revolução de 1974:

http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/40anos25abril/2014-04-25-A-alimentacao-dos-portugueses-antes-da-Revolucao

Na década de 80 do século XX, quase todos os portugueses comiam sopa, para além de alimentos cozidos, e tomavam o pequeno-almoço. Os alimentos mais usados eram a batata, o pão, as gorduras líquidas e o açúcar, caracterizando-se assim o quotidiano alimentar dos portugueses, que fora dado a conhecer pelo primeiro Inquérito Alimentar Nacional, realizado pelo Centro de Estudos da Nutrição (hoje Centro de Segurança Alimentar e Nutrição, integrado no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, INSA) com a colaboração do então Ministério da Agricultura e Pescas.
Permitiu-se concluir, por exemplo, que a alimentação da população rural era mais saudável do que a urbana, utilizando-se mais leite no campo e mais carne na cidade; ou que quanto ao peso de alimentos consumidos, era em Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal que existia uma “quantidade sensivelmente maior do que a média do continente“. 
 
Entretanto, passados vinte e cinco anos, por iniciativa do Partido Ecologista Os Verdes, a Assembleia da República aprovou uma resolução em que se recomendava ao Governo para iniciar o segundo Inquérito Alimentar Nacional, ao ser considerado como uma “peça fundamental para a definição de uma política alimentar e nutricional“, com recurso ao INSA e Instituto Nacional de Estatística. 
E assente sob três grandes domínios (a Alimentação e Nutrição, a Atividade Física e o Estado Nutricional da população Portuguesaa apresentação dos resultados do 2º Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, tendo como promotor a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, para além de envolver diversos investigadores nacionais e internacionais, no passado dia 16 de março revelou, por exemplo, que um em cada dois portugueses não consome a quantidade de fruta e hortícolas recomendada pela Organização Mundial da Saúde. 
Por outro lado, a população portuguesa consome carne, ovos e laticínios em excesso, tal como sal e açúcar, destacando-se, por oposição, o défice no consumo de pescado, cereais, produtos hortícolas e fruta. 

No que respeita à atividade física, a população portuguesa continua ainda muito sedentária, nomeadamente na região do Alentejo.

Para mais informações, por favor, consulte: