Mostrar mensagens com a etiqueta coelho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta coelho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 20 de maio de 2019

História e Receita de "Coelho à Caçador"!

Raramente se come coelho cá em casa, mas ao passar pelo Talho “Sucesso Carnes” na semana anterior à Páscoa deste ano, localizado em Odivelas (Ramada), onde, aliás, costumo ir regularmente, lembrei-me de pedir para adicionarem um exemplar do mesmo cortado aos pedaços à minha lista de compras desse dia!

Afinal de contas, sou eu quem, nos últimos anos, prepara sempre o intitulado almoço do Domingo de Páscoa em família, bem como as refeições referentes às alturas do Natal e Ano Novo, ou até mesmo de alguns Aniversários!

E como sabe sempre tão bem colocar a conversa em dia com quem mais gostamos e nos quer bem, não é verdade?

Na correria do dia a dia, já basta não termos tempo para estar com a nossa família e amigos mais próximos, por isso precisamos cultivar o amor e o afeto pelos outros, e também há momentos que valem por toda uma vida…

E sabem que mais? Eu não me arrependi nada de o ter feito e quem provou, simplesmente… repetiu!

Por isso, convido-vos a lerem os próximos parágrafos, porque se, por um lado, vou desde já passar à descrição da receita “Coelho à Caçador“, por outro lado, achei por bem contar-vos um pouco acerca das possíveis origens desta mesma receita, depois de ter feito uma certa pesquisa, acham bem?

Vamos para a cozinha?

RECEITA NA CATEGORIA DE PRATO PRINCIPAL DE CARNE: Coelho à Caçador

Ingredientes:

  • 1 coelho cortado aos pedaços
  • 4 dentes de alho
  • 2 folhas de louro
  • 2 dl de azeite
  • 400 g de cogumelos frescos cortados aos quartos
  • 150 g de bacon cortado às tiras
  • 1 cebola grande
  • 150 g de azeitonas verdes descaroçadas
  • 400 g de batatas
  • 400 g de cenouras
  • Sal, pimenta e sumo de limão q.b.
  • 1 ramo de Salsa
  • 1 colher de sopa de Massa de Pimentão
  • 1 colher de sobremesa de Pimentão Doce
  • 1/2  garrafa de Vinho Tinto
  • Alecrim, Sal e Pimenta q. b.
  • 2 colheres de sopa de Banha de Porco
  • 2 Tomates maduros
  • 1/4 de Pimento Vermelho
  • 1 cubo de Caldo de Carne

Confeção:

  1. Preparar a marinada para o coelho, picando os dentes de alho, para depois juntar o alecrim, as folhas de louro, o pimentão doce e uma parte do azeite, para além de temperar com pimenta e sal, e ainda misturar tudo muito bem com as mãos.
  2. Esfregar cada pedaço do coelho com o tempero anterior, regando depois tudo com o vinho tinto.
  3. Tapar com película aderente e reservar no frigorífico durante algumas horas.
  4. Colocar o restante azeite no fundo de um tacho largo, para depois juntar a banha de porco e mais tarde a cebola e o pimento vermelho, já tudo picado.
  5. De seguida, tirar a pele e as sementes aos tomates, para serem cortados aos pedaços e adicionados ao refogado anterior, antes dos pedaços do coelho entretanto retirados do frigorífico, de forma a deixar fritá-los um pouco juntamente com o bacon.
  6. Verter depois a marinada e adicionar o caldo de carne, os cogumelos, o sumo de limão e as azeitonas,bem como o ramo de salsa, deixando estufar durante cerca de 45 minutos.
  7. Cozer as batatas e as cenouras, tudo descascado e cortado aos pedaços, em água a ferver e um pouco de sal.
  8. Servir os pedaços de coelho juntamente com as batatas e as cenouras cozidas, tal como o molho que se criou.

E são várias as receitas de “Coelho à Caçador“, pois caçadores em Portugal não faltam, sejam eles com raíz transmontana, alentejana, ribatejana, algarvia, minhota, etc.

Ainda me lembro de, em criança, estar sentada a olhar para o meu pai a esfolar um coelho, ainda que doméstico, depois de o ter pendurado pelas patas nalgum tronco, em que lhe puxava a pele a partir da parte superior do tronco, para logo a seguir separar a cabeça, já que a minha mãe não gostava de a aproveitar.

Mas a essência desta receita é imaginarmos, em tempos longínquos, quando é que os caçadores traziam a caça, o que era também uma forma de protegerem as suas colheitas, temperando-a mais tarde com as ervas e o vinho da região e ainda cozinhavam a peça em fogo brando nos potes de barro ou de ferro. Acrescente-se que era costume este prato ser servido com batatas cozidas e/ou com pão.

Bom proveito!

(fonte: https://asenhoradomonte.com/2012/09/21/feijoada-a-transmontana/,

https://www.teleculinaria.pt/receitas/carnes/feijoada-a-transmontana/)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO: O TERMO PÁSCOA E OS SEUS SIMBOLISMOS E TRADIÇÕES

O termo “Páscoa” vem do latim Pascae, cuja origem mais remota é entre os hebreus, onde aparece o termo Pesach, com o significado de “passagem”; na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska
«Historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos atrás. Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da Antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera eram de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos. Entre os judeus, esta data assume um significado muito importante, pois marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1.250 a.C., onde foram aprisionados pelos faraós durantes vários anos. Esta história encontra-se no Velho Testamento da Bíblia, no livro Êxodo. A Páscoa Judaica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moises, fugiram do Egito. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão. Entre os primeiros cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo (quando, após a morte, sua alma voltou a se unir ao seu corpo). O festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março). Ainda hoje, os cristãos celebram a Páscoa valorizando e enfatizando a importância da ressureição de Jesus Cristo.»

 A figura do “coelho” está simbolicamente relacionada com esta data, pois este animal representa a fertilidade por se reproduzir rapidamente e em grandes quantidades. Isto porque, numa época onde o índice de mortalidade era muito alto, a fertilidade era sinónimo de preservação da própria espécie, assim como de melhores condições de vida. 

A figura do coelho da Páscoa foi então trazida para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e o início do XVIII, estando os ovos de Páscoa também contidos neste mesmo contexto da fertilidade e da vida.

O Domingo de Ramos celebrou-se a 9 de abril, que sendo anterior ao Domingo de Páscoa marca o início da Semana Santa, em que se comemora a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, onde fora aclamado como o Filho de Deus por multidões com ramos de oliveira e palmeira; logo, neste dia, levam-se também ramos de oliveira para a missa a fim de serem benzidos, para além dos afilhados oferecerem flores ou ramos de oliveira aos seus padrinhos e madrinhas, que depois, no domingo seguinte, retribuirão o gesto com o “folar” da Páscoa. 

A Sexta-Feira Santa acontece portanto hoje, sendo um feriado religioso relativo à data em que os cristãos lembram o julgamento, crucificação, morte e enterro de Jesus Cristo, através de diversos rituais religiosos. Por isso também é conhecida como Sexta-Feira da Paixão, sendo ao mesmo tempo a primeira sexta feira de lua cheia após o equinócio de Primavera no hemisfério norte, ou o equinócio de Outono, no hemisfério sul, celebrado a 21 de março. 
Na noite de Sexta-Feira Santa, a Igreja realiza a Via Sacra, uma oração que tem como objetivo levar os cristãos a meditar, sendo a abstinência da carne uma das principais tradições dos católicos praticantes, dizendo respeito ao sacrifício de Cristo na cruz. 

receita tradicional do folar da Páscoa é conhecida em todo o país, muito embora algumas regiões adaptem a receita às suas próprias tradições. 
No Norte de Portugal, por exemplo, come-se o folar doce e o folar gordo (que corresponde ao folar de carnes); em Trás-os-Montes, predomina o folar de carne; entre o Douro e Minho e no Porto, há quem substitua o folar pelo pão-de-ló; na Região Centro, o mais comum é o folar doce.
Mas em qualquer uma das situações, a tradição do folar assenta sempre num ritual de dádiva, solidariedade e convívio!

 LENDA DO FOLAR DA PÁSCOA

«Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. 
A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. 
Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. 
Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre. 
Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe.
No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. 
Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina. Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. 
Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.»