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segunda-feira, 10 de julho de 2017

A MERCEARIA SALOIA E A SAUDADE FLORES JUNTAS NUM SÓ ESPAÇO!

Em primeiro lugar, a Mercearia Saloia é um espaço com alguma dimensão, com cerca de dois anos e meio de existência, localizada numa zona muito bem posicionada de Lisboa, onde já fora predominantemente do tipo residencial. 
Em segundo lugar, a sua morada exata fica na Rua de São bento, em Lisboa, logo bem perto da Assembleia da República, estando sempre aberta ente as 9h e as 20h, exceto ao domingo que será só entre as 9h e as 19h, sendo que agora, durante o mês de julho, ao domingo fechará mais cedo, às 15h:

Neste momento, acolhe diferentes tipos de produtos e serviços, desde a venda de tudo quanto é necessário para encher a despensa da nossa própria casa, até ao facto de se puder encomendar um belo e genuíno arranjo de flores frescas da Saudade Flores enquanto se opta por tomar, ali mesmo, um simples café, bem como uma sopa acompanhada por uma sanduíche, uma tosta ou uma salada, e um sumo natural, por exemplo.

Logo ao entrar, deparamo-nos com uma decoração bastante simpática e acolhedora, com muitos traços em madeira e cestos de verga espalhados pelos vários conceitos que aí tão bem souberam conjugar: mercearia, florista e pastelaria. 

E apesar de ter sido pensado para um público estrangeiro, igualmente convida qualquer cliente português a entrar, podendo-se contar com todo um conjunto de produtos oriundos de várias zonas de Portugal, desde as marcas mais convencionadas que se podem encontrar em qualquer hipermercado, até às marcas mais antigas e tradicionais, como os sabonetes Confiança!

Posso ainda destacar a venda de produtos biológicos, envolvendo peças de fruta em geral ou legumes variados, para além de compotas, conservas, azeites, vinhos, licores, pães, queijos, chás e/ou chocolates artesanais; mas também existem alguns brinquedos do tempo das nossas avós, feitos em madeira ou envolvidos com cordas, artigos de toilette, bijuteria, tal como alguns exemplos de agendas, postais, cadernos, ímanes, etc. 

No que diz respeito ao tipo de refeições leves que aí costumam servir-se, perante um clima bastante descontraído e moderno, existem sempre opções vegetarianas e/ou vegan, bem como sobremesas do tipo sem glúten, para além da cerveja artesanal,tudo ao som de boa música ambiente!

Foi uma boa experiência e recomendase! 

Da próxima vez, quem sabe, eu não me decida a encomendar O Melhor Pão de Ló de Portugalou até o tão conhecido Pudim Abade de Priscos!

Para finalizar, a Saudade Flores, cuja autora desta simples mas grande ideia inovadora em Portugal é Ana Carolina, com quem tive então a oportunidade de falar um pouco enquanto trabalhava no seu balcão, começou por vender diversos tipos e tamanhos de arranjos florais numa simples bicicleta, por encomenda ou não, pelas ruas de Lisboa, que entretanto cresceu e logo se associou a Sara e Mariana, por sua vez mentoras do projeto Mercearia Saloia!

Resumindo e concluindo: temos à vista modernos arranjos florais, que resultam sempre bem, destinados não apenas a ocasiões especiais, muito bonitos e inspiradores, a preços acessíveis, sendo a frescura dos mesmos garantida através dos produtores locais e da preferência por flores da estação.

A reação das pessoas tem sido bastante positiva, vendendo-se, por exemplo, dependendo da altura do ano: sempre- vivas, cravos, hortênsias, malmequeres, rosas, girassóis, pnias, ranúnculos, túlipas, etc; distribuídas por arranjode diferentes tamanhos, contendo ainda algum tipo de verduras.
Também se pode ficar a par de todas as novidades a partir das respetivas redes sociais – Facebook e Instagram –, bem como através do site www.saudadeflores.com, onde de quando em vez se dão também a conhecer alguns workshops em torno de pormenores florais como tiaras e pulseiras.
Saudade Flores está igualmente patente no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, Lisboa, aos finais de tarde de quintas e sextas.

segunda-feira, 6 de março de 2017

YOGA E ALIMENTAÇÃO

Umas vezes sentimo-nos cansados e com dificuldades em respirar; outras vezes sentimo-nos desanimados e desiludidos com o que a vida nos oferece. Para complicar o assunto, ainda há quem fume ou beba álcool, pensando que com este tipo de atos se consegue simplesmente ultrapassar a ansiedade e o nervosismo. E, sem quase nos apercebermos, ao longo do tempo, deixamos quase por completo de ter vontade de lutar também contra a inatividade física e os nossos maus hábitos alimentares, arranjando sempre desculpas para que tal ocorra mais uma e uma vez… 

Por outras palavras: estamos é a tomar partido de colocar em risco a nossa própria saúde física e bem-estar emocional!
Neste sentido, tomei a iniciativa de desafiar o meu Professor de Yoga, David Lacerda Matos, conhecendo-o já há alguns anos, a fim de responder a algumas questões a propósito da prática do Yoga e da sua verdadeira relação com a vida do quotidiano e a nossa mente, corpo e espírito, bem como a nossa própria alimentação, de forma a tirar melhor partido de uma vida mais saudável e rica, em plenitude connosco e os outros.

Desde já, seja muito bem-vindo ao meu blog Cozinha Com Rosto, e muito obrigada por ter aceite este meu convite para esclarecer algumas questões, nomeadamente aos nossos leitores, acerca do tema “Yoga e Alimentação”:

1) Como ponto de partida desta nossa conversa, o que o motivou a fazer formação em Yoga?

Prof. David: Obrigado eu pelo convite. Eu estudei no curso de História / Variante de Arqueologia durante vários anos e acabei por desistir no 4º ano do curso, porque depois de ter estado a trabalhar durante vários anos na área, confrontei-me com a falta de investimento neste tipo de cultura e conhecimento, e achei que não era para mim ficar apenas a escavar no meu buraquinho sem poder crescer e mostrar tudo à sociedade. Então, a partir de 2005, interrompi, o curso universitário, para me dedicar quase em exclusivo, à formação e à prática nas áreas do Yoga e da medicina Ayurvédica, bem como da Terapia de Som (taças tibetanas). Estava interessado em procurar uma via mais espiritual, que albergasse a prática profissional relacionada com a área, então iniciei os meus estudos de forma autodidacta na área do Yoga, que hoje em dia tento integrar no meu trabalho em conjunto com a Ayurveda.

 
2) Pelo que conhece da realidade do Yoga em Portugal, como descreve o cenário da sua prática atual e a justificação pela qual as pessoas sentem necessidade de a tomar como uma verdadeira aleada ao stress do dia-a-dia?
Prof. David: Existe, hoje em dia, uma proliferação muito grande de inúmeras escolas e tradições relativas ao yoga – no meu entender todas válidas – e que permitem que esta autêntica ciência milenar esteja a chegar a cada vez mais pessoas. Apesar de já termos passado o boom da sua procura, as pessoas que continuam a chegar até mim buscam o “eterno equilíbrio”, encontrar espaço interno para si próprias, relaxamento, descontracção, flexibilidade, rejuvenescimento, harmonia entre o corpo e a mente e temas do foro do desequilíbrio como a depressão, ansiedade, insónias ou problemas digestivos.

3) Então, como é que é a sua relação intrínseca com o Yoga, no sentido de como é que as pessoas, em geral, devem entendê-la?
Prof. David: Para simplificar, hoje em dia, como eu costumo dizer, tudo é Yoga – o que interessa é inspirar e expirar – e voltarmos a controlar este processo; tudo muda depois de fazermos uma inspiração profunda. Portanto, o Yoga ultrapassa a hora da sessão, está presente, ou deverá estar o mais presente possível, em todos os momentos do dia. Quanto maior consciência da respiração (do seu estado e de como corrigi-lo) mais voltamos ao nosso centro e à nossa essência. O Yoga é uma ciência! Os benefícios da sua prática diária são brutais e podem conduzir a grandes alterações – sobretudo internas e de estados de espírito ou emocionais. A minha relação com o Yoga, nesta fase da minha vida é diária, e só tenho a agradecer poder fazê-lo ensinando-o ou passando-o a outras pessoas.
 
4) Por outro lado, uma melhor compreensão do Yoga faz com que uma pessoa, na verdade, se afaste de uma má conduta ou de maus hábitos, como o álcool, tabaco ou alimentação desequilibrada?
Prof. David: Da minha experiência pessoal, o que posso salientar é que ajuda a termos uma maior consciência de determinados comportamentos que temos, que estão muito enraizados e que acabam por se manifestar como padrões. Quando começamos a aprofundar o estudo do Yoga, os seus conceitos, percebemos que deve ser entendido enquanto ciência, por se basear em leis fisiológicas e psicológicas, mas também observado enquanto modo de vida, com aplicação directa no quotidiano, e desta forma, serve para manter a mente pura e clara, utilizando a concentração na respiração (pranayama), recarregando, desta forma, de energia renovada o corpo e a mente. Trata-se de uma modificação e purificação consciente durante um longo processo que se baseia na concentração do nosso inteiro ser, na “existência individual”. Faz despertar a consciência, procurando controlar as emoções, desejos e sensações que resultam das diferentes qualidades da nossa consciência. Ajuda a desenvolver a intuição, o entendimento do corpo, das suas funções, tornando-o saudável. Trabalha no sentido da quebra no apego, seguindo ensinamentos milenares, que no fundo nos fazem regressar à vida original, aos propósitos universais sem rejeitar ou criar falsos mundos encarando a nossa situação real.

5) Mas sendo grande parte desses mesmos hábitos relacionados com a cultura de cada um, como é que depois afinal se consegue adquirir, digamos que, essa “nova” realidade, de uma forma natural à medida que se vai praticando o Yoga?

Prof. David: Acho que essa resposta só se pode dar praticando. Passando muitas vezes pelos mesmos processos até nos deixarmos de questionar. As sensações e necessidades vão-se alterando e muitas vezes, e ouço bastantes relatos sobre isso, muitos comportamentos deixam de fazer sentido. Portanto, eu acho que é a rotina que nos traz a transformação. A dedicação (tempo e força de vontade) e o estudo (filosofia) são pilares importantes na prática do Yoga.

 
6) Portanto, posso admitir que o Professor David Lacerda Matos é um verdadeiro exemplo a seguir entre os demais, na medida em que um Professor de Yoga não deve ser somente igual a um praticante de Yoga, estarei certa?
Prof. David: É um peso grande essa questão de ser um modelo, e na verdade, acho que sou exactamente um praticante, e é o facto de levar as minhas práticas até aos outros que me torna professor! Com muitas imperfeições mas tentando transmitir e demonstrar os pilares que o Yoga me tem ensinado.
 
7) E como é que costuma planificar as suas aulas? Seria possível indicar-nos alguns exercícios e quais os seus principais benefícios?
Prof. David: As minhas sessões são elaboradas tematicamente – por norma baseio-me na leitura das próprias pessoas com quem vou desenvolvendo o meu trabalho – tendo quase sempre em vista a gestão dos elementos segundo a tradição da Ayurveda; tenho sempre bastante gosto por trabalhar os processos digestivos (que incluem digerir pensamentos, emoções, sentimentos profundos e comida) e limpezas internas (através de torções do corpo) e também formas de enraizamento, tentando fazer com que voltemos ao centro e a nós próprios. Posturas (ásanas) como ardha matsyêndrásana, paschimôttánásana, páda utkásana ou rája sarvángásana são bons exemplos destes trabalhos que proponho nas aulas. Dedico bastante atenção e tento desenvolver a parte da simbologia das posturas ao longo das sessões, não ficando só na dimensão física e tentando contribuir para o entendimento de cada pessoa que tenho pela frente do porquê de executarmos determinadas posições ou efectuarmos certas respirações específicas.
 
8) Para terminar, qual é então o seu tipo de alimentação habitual? Por acaso, tem algum prato favorito, ou alguma receita que gostasse de partilhar connosco?
Prof. David: Neste momento da minha vida sou Vegetariano estrito no que diz respeito à alimentação, não consumindo nenhum alimento de origem animal e tentando preservar um dos pilares do Yoga – o conceito de Ahimsâ (não-violência) – este é um dos princípios básicos, segundo o qual nos relacionamos com o mundo. Devemos procurar ser coerentes nos nossos actos, utilizando formas de não-violência, quer sejam acções, pensamentos ou até mesmo palavras, pois a prática de qualquer uma destas formas de violência reflecte-se em nós mesmos; diariamente acusamos o reflexo disso mesmo, e pode dizer-se que é, principalmente, no nosso pensamento e na consciência, gerando ignorância, ódios e frustrações, que ficam as marcas de todos os nossos actos e atitudes. Desta forma, muito rapidamente se perde a noção do nosso envolvimento e significado global, como o de pertencermos a um TODO, em que o mais pequeno pormenor faz parte do “Universo”. A prática da violência leva a nossa mente a focalizar-se em coisas negativas, destabilizando-se, levando a desfasamentos a nível imunológico que originam doenças. Na parte ética do consumo dos alimentos e vestuário estou a enveredar pelo Veganismo.
A minha receita de eleição acho que é o caril de grão com espinafres – refogar em azeite (ou óleo de coco) 1 cebola e cerca de 10grs de gengibre, e ir juntando uma colher de pimentão-doce, uma de caril, uma de açafrão e duas de cominhos para soltar o sabor das especiarias. Depois juntar 4 tomates triturados e 1 pimento vermelho e sal. Deixar cozinhar uns minutos antes de adicionar os espinafres (previamente cozidos – convém ser em bastante quantidade que eles ficam bastante pequenos durante o processo!) e o grão cozido, deixando cozinhar novamente até o grão soltar um pouco a casca. Quando servimos polvilhamos com garam masala e coentros picados e acompanhamos com um belo arroz basmati! Ommm…

Em conclusão, o Yoga não é o mesmo que exercício físico, vertendo muito mais a nosso favor: um ânimo maior e melhor em todos os sentidos, sendo até capaz de fortalecer os nossos próprios órgãos vitais, cuja prática correta e constante aliada a bons hábitos alimentares, ainda nos leva a muitos outros benefícios no combate a diversas doenças.

E, definitivamente, o Yoga também está naquilo que comemos: uma alimentação equilibrada contribui, por sua vez, para o aumento e reforço de todos os principais benefícios do Yoga; as refeições necessitam ser feitas com a devida consciência e paz interior, devendo saborear-se cada garfada ao ritmo de uma verdadeira respiração tranquilizante.

Tal como eu, proponham-se, assim, a atingir um tempo novo, procurando adotar ao máximo um conjunto de boas práticas e de experiências de vida mais salutares, onde cada vez mais urge elevar a vossa qualidade de vida e do mundo que vos rodeia!

Recomendo, por isso, uma alimentação da mais variada e simples possível, abrangendo sobretudo produtos frescos e sem toxicidade, sem esquecer um sem número de frutas e legumes, para além de que deve ser devidamente acompanhada por uma hidratação abundante.

Nota: contacto do Professor David Lacerda Matos para marcação de aulas de Yoga – 919886056 ou davidlacerdamatos@gmail.com