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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Coisas de Feltro em entrevista à Cozinha Com Rosto!

Desde muito cedo que eu tenho um grande fascínio por tudo o que tem a ver com trabalhos manuais e afins. É que, para além da minha mãe me ter dado, logo durante a minha mais tenra idade, todos os ensinamentos necessários de forma a saber cuidar, um dia mais tarde, de toda uma família e de uma casa, eu sempre gostei muito de ocupar os meus tempos livres de escola a cozinhar, a bordar ponto de cruz, a fazer um naperon de renda, a pintar em cetim, a construir um quadro com um certo trabalho em escamas de peixe, a pintar um quadro em óleo, etc.
Lembro-me que também adorava (e ainda adoro!…) enfeitar uma mesa de Natal, ou da Páscoa, com um bonito centro de mesa, entre outros tipos de acessórios, com vários materiais que encontrava até pelo quintal dos meus pais, para depois ajudar a minha mãe a dar as boas vindas aos convidados com uma ou outra iguaria!

E foi por esta razão que a Cristina me conseguiu atrair, desde logo, para os seus trabalhos em feltro expostos através do seu blog Coisas de Feltro!

Tal como poderão verificar aqui, os seus trabalhos são de uma grande criatividade e qualidade, uma vez que eu própria já experimentei a fazer-lhe uma encomenda (primeira imagem deste texto), tendo ficado realmente satisfeita com o que recebi em mãos!

Portanto, lembrei-me de lhe propor também uma certa entrevista, para de alguma forma a ajudar a partilhar o seu projeto, porque, na minha opinião, é preciso agir, comprometendo também outros a seguirem os seus próprios sonhos e aspirações, porque a vida passa, mas as nossas ambições poderão dar fruto, se porventura as tentarmos levar até ao fim, não concordam?

1) Antes de iniciar esta nossa conversa, quero desde já agradecer-lhe o seu tempo despendido, começando por lhe perguntar o porquê do nome do seu blog, “Coisas de Feltro”?

Cristina: Eu é que agradeço e passo a explicar o nome. O blog vem na sequência da criação da minha marca. Na altura, estávamos em 2010, comecei por trabalhar somente o feltro e procurava um nome representativo daquilo que fazia mas que fosse abrangente. Daí surgiu simplesmente “Coisas de Feltro”. Comecei por mostrar o meu trabalho no Facebook mas quis construir um blog que também servisse para divulgação da marca. Claro que com o tempo tive vontade de partilhar no blog muito mais do que as peças que fazia (que entretanto já não eram só em feltro) e hoje o blog já sofreu muitas transformações e cresceu noutras direcções, até porque não quero partilhar conteúdo que seja apenas uma repetição do que coloco nas outras redes sociais onde Coisas de Feltro se encontra.

2) Algures, nesse mesmo blog, afirma que “nasci em Lisboa numa época em que a cidade não estava na moda e tenho múltiplos interesses”, por isso, eu pergunto-lhe: por um lado, o que acha da Lisboa atual, e por outro lado, quais é que são os seus reais interesses?

Cristina: Lisboa está mais bonita, nisso acho que todos concordamos. Havia locais onde uma pessoa tinha medo de andar à noite e hoje já não é assim. E claro que se deve em grande parte ao turismo, a este abrir da cidade aos outros. Como consequência, é lógico que o preço da habitação sofreu um aumento repentino, com tudo o que isso representa. São as várias faces desta popularidade que Lisboa disfruta no momento, uma cidade não muito grande onde se permite andar a pé e percorrer ruas e ruelas mas também com cada vez mais oferta cultural. Tudo isto para dizer que amo a minha cidade.
Quanto aos meus interesses… eles são tantos que a pouco e pouco lá os vou mostrando no blog. Por isso ao fim de um tempo deixou de fazer sentido limitá-lo a um só tema. Vou um bocado ao sabor da inspiração: se, por um lado, gosto de partilhar uma receita de um bolo que faço e que costuma sair bem, por outro também gosto de mostrar algum lugar onde fui e que se revelou uma enorme surpresa para mim, ou que já conhecia e que pretendo dar a conhecer a mais pessoas. Nasci na cidade mas adoro o campo e a praia por isso estes lugares são presença constante no blog. No fundo tanto posso partilhar um lugar, como um evento desde que me façam sentido e me dêem prazer na partilha. Aliado a isto, a minha paixão pela fotografia outdoor, uma outra forma de comunicar.

3) Já agora, o que é que lhe serve de inspiração e qual foi aquele trabalho que mais gostou de fazer até hoje?

Cristina: Ao princípio a inspiração eram os meus filhos, ainda eram pequenos, principalmente a mais nova acabava sempre por ficar com a primeira peça que eu fazia (geralmente menos perfeita). Eles agora já estão crescidos mas continuam a inspirar-me e a incentivar-me imenso a continuar, os meus filhos e o meu marido, claro. Não consigo destacar um trabalho que mais tenha gostado de fazer. Destaco o desafio que foi fazer o ano passado, o fantoche do D. Afonso Henriques, personagem principal do livro de Sandra Catarino “Isto não é uma história sobre Afonso Henriques”. Pela carga simbólica que continha e pelo sentido de responsabilidade que senti emergir.

De resto, alguns foram mais difíceis, outros mais desafiantes mas a grande reviravolta deu-se quando comprei a máquina de costura. Ficou dois meses dentro da caixa, até tinha medo de lhe pegar. E após esse período foram muitos dias, muitos mesmo, gastos a aprender e também muito material deitado para o lixo. Embora na casa dos meus pais me tenha habituado a ver (e a ouvir) a máquina de costura a trabalhar, nunca senti essa vontade de costurar, até ao dia em que essa paixão veio e se instalou. Feltros e tecidos exigem técnicas diferentes mas igualmente desafiantes.

4) Também reparei que gosta de partilhar, com o seu público, alguns pensamentos e reflexões, por isso, se ser artesã é ser uma artista apaixonada pelo que faz à mão, uma pessoa detalhista e de coração cheio, como é que vai o artesanato em Portugal e se desde a época em que começou a fazer as suas criações, se se modificou para melhor, já que, digamos, “Portugal está na moda”?

Cristina: Quando comecei não havia tanta marca assim, a partir de uma certa altura, começaram a aparecer muitas pessoas a trabalhar nesta área. Algumas como complemento à actividade principal, outras como meio de subsistência. Muita gente pelo meio acabou por desistir e o que tenho reparado é que começa a aparecer uma certa industrialização do conceito artesanal. Talvez explicando melhor: nas lojas com artigos vindos de fora, muitas vezes vemos à venda peças com um visual mais próximo do artesanal, não o sendo de todo. Por cá, vemos pessoas que evoluíram bastante e que têm produtos verdadeiramente bem confeccionados e com óptima qualidade.

5) Por acaso também costuma participar em algum tipo de feiras ou eventos ligados ao Artesanato e/ou como é que poderemos contactá-la para fazer algum tipo de encomenda?

Cristina: Não participo em feiras, mas quem me quiser contactar poderá fazê-lo através de mensagem na página de facebook ou enviando um mail. No caso de uma encomenda, os pormenores serão todos analisados, pois praticamente não há duas peças iguais, o cliente tem oportunidade de escolher pormenores e tecidos para que tudo fique ao seu gosto. Também costumo ter em stock uma pequena quantidade de artigos, prontos a enviar.

6) Já agora, que tipos de produtos é que costumam ter mais saída e aceitação por parte do seu público e com que tipo de materiais é que costuma mais trabalhar?

Cristina: Sardinhas e andorinhas de tecido são já um clássico. Móbiles em feltro personalizados são também muito pedidos (foi mesmo por aqui que comecei). Bonecas de pano têm também óptima aceitação e costumam ter pormenores escolhidos pelos clientes. Mas também brindes de aniversário, de Natal, de baptizado… para comemorações diversas.

7) Eu, particularmente, como já tive ocasião de lhe dizer, gosto muito dos seus trabalhos, mas diga-me, também gosta de cozinhar, correto? E será mais à base de doces ou de salgados? E será que pratica algum tipo de dieta em especial?

Cristina: Excluindo as refeições que tenho que fazer diariamente para a família, sou muito mais de fazer doces, sem dúvida. Na alimentação, não cometo excessos. Como o mínimo de doces e faço uma espécie de dieta pobre em hidratos de carbono e rica em vegetais. De resto, acredito que uma alimentação o mais saudável possível, com produtos pouco industrializados e sem químicos, será a resposta se queremos ter qualidade de vida.

8) Para terminar, e como já nos encontramos no ano de 2019, quais são as suas resoluções para este ano?

Cristina: As minhas resoluções para este ano vêm na continuidade das dos anos anteriores: fazer sempre mais e melhor e agarrar as oportunidades que entretanto forem surgindo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O novo espaço Ayalla Sparkling Cakes fica em Odivelas!

Já abriu o novo espaço Ayalla Sparkling Cakes em Odivelas, mais precisamente na Urbanização Colinas do Cruzeiro, tendo a Cozinha Com Rosto passado por lá, para vos contar agora como é que tudo começou e o que é que afinal coloca à disposição dos seus clientes, para os fazer voltar!


Mas ainda antes de passar à entrevista formulada por mim ao próprio mentor do projeto, a quem eu agradeço, desde já, todo o tempo despendido, só para vos fazer uma breve introdução, meus caros leitores deste blog, adianto já que, Chef Pedro Ayalla e Costa, formado em Pastelaria e com um excelente percurso profissional iniciado na indústria hoteleira, optou por, há cerca de dois anos, criar o seu próprio negócio, na área da confeção e venda de bolos e sobremesas do tipo mais arrojado, mas tudo caseiro e igualmente fresco, sem quaisquer corantes ou conservantes.

E, tal como podem verificar abaixo, sem dúvida que o seu trabalho é deveras minucioso, logo imprescindível para se manter o padrão de qualidade que é pretendido, de sabor único e exclusivo!

1.      Afinal de contas, como é que surgiu toda esta ideia de negócio e qual pensa ser o seu verdadeiro contributo aqui para as Colinas do Cruzeiro, em Odivelas? 

Chef Pedro Ayalla e Costa: A ideia surgiu de uma oportunidade de negócio que, para mim, fazia todo o sentido, o de ir a um Restaurante e ser presenteado com uma Sobremesa de Assinatura e caseira, em vez de muitas congeladas e carregadas de Conservantes e Corantes.
O facto de eu residir aqui, será o meu principal objectivo de ter instalado o meu Atelier aqui… quanto ao resto, serão os moradores da Urbanização que poderão responder!


2.      Qual a origem do nome Ayalla Sparkling Cakes? 

Chef Pedro Ayalla e Costa: É o meu Nome de Família, o Ayalla… o restante é como eu gosto de olhar para o meu trabalho e adjectivar desta Forma.


3.      E o que é que o inspira mais? Qual é que é o seu maior ídolo pasteleiro?

Chef Pedro Ayalla e Costa: A conjugação de sabores e texturas devidamente. Tenho alguns, mas o Pierre Hermé será como um exemplo a seguir, para além de ídolo.

4.      Durante a sua infância, por acaso, quem é que ajudava mais lá em casa a fazer as sobremesas? Ainda se recorda do seu bolo preferido?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Não era eu decididamente, pois era mais fã de salgados… Adorava os Sonhos e o Bolo Inglês da minha Avó! 


5.      Sendo eu também Professora de Matemática, a sua área requer igualmente muita Aritmética, estou certa?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Certíssima, pois quando a encomenda envolve um grande número de convidados, temos que acertar tudo ao pormenor.


6.      Já agora, complete a frase: “para se ser um bom pasteleiro, o ingrediente principal é…”

Chef Pedro Ayalla e Costa: Colocar muito amor naquilo que fazemos… penso que em tudo o que se faz na Vida, deve ou deveria ser assim!

7.      Tal como refere no seu site, sendo formado em Pastelaria, numa das melhores escolas nacionais, CFPSA, o Chef Pedro Ayalla e Costa realizou também várias especializações em Portugal, em chocolate e em açúcar estirado, mas também em França, com o MasterChef Michalak e com Chef MOF Jean Michel Perruchon, por isso eu pergunto-lhe: o que pensa acerca da Pastelaria em Portugal, comparativamente com a de outros países, nomeadamente com a de França?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Gosto bastante da nossa Pastelaria, contudo acho que é um pouco à volta do Conventual, enquanto que a Francesa nos permite voar e ir mais longe.
Contente fico quando consigo misturar as duas.


8.      No que diz respeito ao seu percurso profissional na Indústria Hoteleira, como é que foi trabalhar, por exemplo, no Hotel Marriot ou no Sana Myriad? O que é que aprendeu aí efetivamente?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Aprende-se a trabalhar em grandes quantidades e com uma grande dinâmica, pois a Cozinha de Hotel não pára. Quanto à responsabilidade do bem servir e ser muito consistente, já era algo que trazia comigo, por isso não tive que aprender. 


9.      Quanto à comercialização das suas sobremesas e bolos frescos e caseiros, notei que não são adicionados quaisquer corantes ou conservantes, querendo isto dizer que se preocupa bastante com a qualidade do que seleciona para fazer as suas receitas, e consequentemente do próprio sabor e textura que se apresenta em cada um dos produtos que coloca à disposição de quem o procura, correto? 

Chef Pedro Ayalla e Costa: Certíssimo, jamais deixarei de respeitar os produtos que utilizo e, acima de tudo, os meus clientes que nos procuram, pois sabem o tipo de Pastelaria que fazemos e oferecemos.

10.   Pode dizer-nos quais é que têm sido os produtos com maior aceitação por parte do público ao longo do tempo?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Cada vez mais vai existindo a procura de Sobremesas e Bolos que fogem ao standard do pão de ló e doce de ovos, então já existe uma grande procura pelos Frutos Vermelhos e, no nosso caso, o Redvelvet é um dos que mais procura tem.


11.   Por outro lado, também tem conseguido diversos tipos de parceiros, de forma a fazer crescer o seu número de pontos de venda, certo? E onde é que podemos então encontrá-los?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Todos os anos temos criado novas parcerias com Restaurantes que nos garantem também um serviço de excelência, nomeadamente: 

  • Restaurante Dom Feijão
  • Restaurante Marisqueira Queda D´Água
  • Restaurante Alecrim no Prato
  • Restaurante Kasa Mia 
  • Restaurante Flower Power
  • Restaurante Barracão de Alfama

São alguns dos nossos parceiros.


12.   Para finalizar: quais é que são então os seus contactos e qual o tipo de serviços que disponibiliza aos seus clientes?

Chef Pedro Ayalla e Costa: Os nossos Contactos são: 

telemóvel – 93 6451733

Disponibilizamos um serviço completo de encomendas de Sobremesas e Bolos para Restauração, Eventos, Aniversários e Catering.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O VERDADEIRO MUNDO DO CHOCOLATE!

Trabalhar bem o chocolate tem de ter os seus próprios segredos, sendo, antes de mais, uma arte, que consegue abrir portas ao mais puro e requintado prazer, no incrível momento em que se começa a trincar na boca algo capaz de nos fazer viciar!
E foram estas, entre outras questões, que me trouxeram até aqui, ao mais recente espaço Com Cheiro a Chocolate, com a assinatura de Ana Sousa e Silva, mais precisamente, passo a citar, na Rua Ernesto Veiga de Oliveira, em Oeiras.
Meus caros leitores, sejam, portanto, muito bem-vindos ao Verdadeiro Mundo Do Chocolate, na companhia da própria Ana Sousa e Silva na forma da seguinte entrevista:
Desde já, desejo-lhe as maiores felicidades, sendo um grande prazer estar aqui consigo, neste local mágico, donde já saíram, certamente, por aquela porta, várias pessoas ainda mais fascinadas do que quando entraram.
Por isso, muito obrigada por ter aceite este meu convite, para deixar levantar um pouco o véu acerca do seu projeto, bem como acerca de alguns dos segredos em torno do chocolate, de forma a nunca fazer perder o seu verdadeiro lugar de destaque em qualquer mesa que se preze. 

Aliás, tal como diz no seu livro Chocolate – A Arte e os Segredos: “um bom chocolate pode ser uma grande paixão”!
1) Está sempre a comer chocolates?
Ana Sousa e Silva: Isso seria a minha desgraça. Não, eu raramente como chocolate. Sou apaixonada por trabalhar chocolate, não por comer.
2) Por acaso já gostava de chocolates, quando ainda trabalhava no hospital de Lisboa?
Ana Sousa e Silva: Quando ainda trabalhava no hospital, apaixonei-me por decoração de bolos com pasta de açúcar. O chocolate apareceu uns anos mais tarde. 
3) E está arrependida de alguma coisa?
Ana Sousa e Silva: De nada J
4) Mas afinal de contas, como é que tudo começou?
Ana Sousa e Silva: Começou tudo porque tenho 3 filhos e sempre lhes fiz os bolos de aniversário. Quando descobri a pasta de açúcar, foi paixão à primeira vista. Na altura tinha um blog onde colocava as receitas que fazia (no céu da boca) e depois começaram os bolos e criei um blog separado para publicar os bolos que ia fazendo (no céu dos bolos). As coisas começaram a crescer sem que eu desse conta.
5) E desde então, o seu percurso tem sido algo programado ou simplesmente deixou ir acontecendo?
Ana Sousa e Silva: Nada tem sido programado.
6) E ao ser também mãe de três filhos, como é que eles a têm apoiado neste projeto?
Ana Sousa e Silva: O meu marido e os meus 3 filhos foram a base de toda a minha mudança. Sem o apoio incondicional que eles me dão nunca tinha deixado de trabalhar no hospital.
7) Já agora, o facto de ser mulher, já a levou alguma vez a sentir-se discriminada, por exemplo?
Ana Sousa e Silva: Ao longo de toda a minha vida, não me lembro de me sentir descriminada por ser mulher. 
8) Vamos agora imaginar que eu colocaria à sua frente uma bola de cristal: como é que a Ana se imagina daqui a alguns anos?
Ana Sousa e Silva: Não imagino. Como já lhe disse em cima, a minha vida vai correndo com a maré. O fantástico da vida é isso. A surpresa do caminho.
9) E como é que estamos atualmente em termos de especialistas na arte de trabalhar o chocolate em Portugal?
Ana Sousa e Silva: Temos alguns profissionais fantásticos.
10) Li algures que os portugueses são os que consomem menos chocolate na Europa: é verdade?
Ana Sousa e Silva: Será? Não faço ideia.
11) E por falar em história, qual será de facto a origem do chocolate e quais é que são os seus principais ingredientes e benefícios?
Ana Sousa e Silva: A história do chocolate está envolta em mistérios e segredos, mas o mais importante do chocolate é que ele tem o poder de deixar as pessoas felizes. Só isso já é muito importante.
12) Importava-se de dar a conhecer, aos caríssimos leitores deste blog, e porventura do seu livro, aquela receita com chocolate que, para si, é a mais especial?
Ana Sousa e Silva: O meu bolo de chocolate. Aquele que nunca pode faltar em mesas de festas.
 
RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolo de Chocolate
Ingredientes:  
  • 250 g de açúcar
  • 6 ovos
  • 200 g de chocolate negro com pelo menos 50% de cacau
  • 200 g de manteiga
  • 100 g de farinha
  •  colher de chá de fermento em pó

Preparação:

  1. Bater os ovos com o açúcar durante cerca de 5 minutos.
  2. Derreter o chocolate e a manteiga.
  3. Juntar o chocolate e a manteiga derretida aos ovos batidos com o açúcar.
  4. Bater durante 30 segundos, ou até a mistura ficar homogénea.
  5. Juntar a farinha e o fermento em pó. Misturar bem.
  6. Forrar com papel o fundo de uma forma com 20 cm de diâmetro. Untar o papel vegetal. Não untar a parte lateral da forma, para que o bolo não abata no final da cozedura.
  7. Pré-aqueça o forno a 180 ºC e leve o bolo a cozer durante 45 a 50 minutos.

(receita presente no livro Chocolate – A Arte e os Segredos)
 
 
13) Para finalizar, se por acaso alguém quiser saber mais sobre si e/ou o seu espaço, que tipo de produtos e/ou de serviços é que disponibiliza neste momento?
Ana Sousa e Silva: Com cheiro a chocolate é uma sala de formação em Oeiras, direcionada para o ensino da decoração de bolos e pastelaria. Tem formações de um dia, acessíveis a quem está a começar e também para quem tem já alguma experiência.
Em conclusão, deixemo-nos apenas levar pela mais bela inspiração e cerremos as pálpebras, pois os cinco sentidos ficarão apuradíssimos e a postos de fazerem surgir, ainda que ingenuamente, algo sinónimo de perverso e antónimo de insatisfação ao mesmo tempo!
E estava eu, agradavelmente, tão bem sentada a conversar com a Ana, para, de repente, soltar um olhar de pasmo sobre as horas que, afinal, já tinham passado no relógio colocado à minha frente, muito embora, não fosse, de todo, o meu desejo mais premente… até ao próximo texto!

segunda-feira, 6 de março de 2017

YOGA E ALIMENTAÇÃO

Umas vezes sentimo-nos cansados e com dificuldades em respirar; outras vezes sentimo-nos desanimados e desiludidos com o que a vida nos oferece. Para complicar o assunto, ainda há quem fume ou beba álcool, pensando que com este tipo de atos se consegue simplesmente ultrapassar a ansiedade e o nervosismo. E, sem quase nos apercebermos, ao longo do tempo, deixamos quase por completo de ter vontade de lutar também contra a inatividade física e os nossos maus hábitos alimentares, arranjando sempre desculpas para que tal ocorra mais uma e uma vez… 

Por outras palavras: estamos é a tomar partido de colocar em risco a nossa própria saúde física e bem-estar emocional!
Neste sentido, tomei a iniciativa de desafiar o meu Professor de Yoga, David Lacerda Matos, conhecendo-o já há alguns anos, a fim de responder a algumas questões a propósito da prática do Yoga e da sua verdadeira relação com a vida do quotidiano e a nossa mente, corpo e espírito, bem como a nossa própria alimentação, de forma a tirar melhor partido de uma vida mais saudável e rica, em plenitude connosco e os outros.

Desde já, seja muito bem-vindo ao meu blog Cozinha Com Rosto, e muito obrigada por ter aceite este meu convite para esclarecer algumas questões, nomeadamente aos nossos leitores, acerca do tema “Yoga e Alimentação”:

1) Como ponto de partida desta nossa conversa, o que o motivou a fazer formação em Yoga?

Prof. David: Obrigado eu pelo convite. Eu estudei no curso de História / Variante de Arqueologia durante vários anos e acabei por desistir no 4º ano do curso, porque depois de ter estado a trabalhar durante vários anos na área, confrontei-me com a falta de investimento neste tipo de cultura e conhecimento, e achei que não era para mim ficar apenas a escavar no meu buraquinho sem poder crescer e mostrar tudo à sociedade. Então, a partir de 2005, interrompi, o curso universitário, para me dedicar quase em exclusivo, à formação e à prática nas áreas do Yoga e da medicina Ayurvédica, bem como da Terapia de Som (taças tibetanas). Estava interessado em procurar uma via mais espiritual, que albergasse a prática profissional relacionada com a área, então iniciei os meus estudos de forma autodidacta na área do Yoga, que hoje em dia tento integrar no meu trabalho em conjunto com a Ayurveda.

 
2) Pelo que conhece da realidade do Yoga em Portugal, como descreve o cenário da sua prática atual e a justificação pela qual as pessoas sentem necessidade de a tomar como uma verdadeira aleada ao stress do dia-a-dia?
Prof. David: Existe, hoje em dia, uma proliferação muito grande de inúmeras escolas e tradições relativas ao yoga – no meu entender todas válidas – e que permitem que esta autêntica ciência milenar esteja a chegar a cada vez mais pessoas. Apesar de já termos passado o boom da sua procura, as pessoas que continuam a chegar até mim buscam o “eterno equilíbrio”, encontrar espaço interno para si próprias, relaxamento, descontracção, flexibilidade, rejuvenescimento, harmonia entre o corpo e a mente e temas do foro do desequilíbrio como a depressão, ansiedade, insónias ou problemas digestivos.

3) Então, como é que é a sua relação intrínseca com o Yoga, no sentido de como é que as pessoas, em geral, devem entendê-la?
Prof. David: Para simplificar, hoje em dia, como eu costumo dizer, tudo é Yoga – o que interessa é inspirar e expirar – e voltarmos a controlar este processo; tudo muda depois de fazermos uma inspiração profunda. Portanto, o Yoga ultrapassa a hora da sessão, está presente, ou deverá estar o mais presente possível, em todos os momentos do dia. Quanto maior consciência da respiração (do seu estado e de como corrigi-lo) mais voltamos ao nosso centro e à nossa essência. O Yoga é uma ciência! Os benefícios da sua prática diária são brutais e podem conduzir a grandes alterações – sobretudo internas e de estados de espírito ou emocionais. A minha relação com o Yoga, nesta fase da minha vida é diária, e só tenho a agradecer poder fazê-lo ensinando-o ou passando-o a outras pessoas.
 
4) Por outro lado, uma melhor compreensão do Yoga faz com que uma pessoa, na verdade, se afaste de uma má conduta ou de maus hábitos, como o álcool, tabaco ou alimentação desequilibrada?
Prof. David: Da minha experiência pessoal, o que posso salientar é que ajuda a termos uma maior consciência de determinados comportamentos que temos, que estão muito enraizados e que acabam por se manifestar como padrões. Quando começamos a aprofundar o estudo do Yoga, os seus conceitos, percebemos que deve ser entendido enquanto ciência, por se basear em leis fisiológicas e psicológicas, mas também observado enquanto modo de vida, com aplicação directa no quotidiano, e desta forma, serve para manter a mente pura e clara, utilizando a concentração na respiração (pranayama), recarregando, desta forma, de energia renovada o corpo e a mente. Trata-se de uma modificação e purificação consciente durante um longo processo que se baseia na concentração do nosso inteiro ser, na “existência individual”. Faz despertar a consciência, procurando controlar as emoções, desejos e sensações que resultam das diferentes qualidades da nossa consciência. Ajuda a desenvolver a intuição, o entendimento do corpo, das suas funções, tornando-o saudável. Trabalha no sentido da quebra no apego, seguindo ensinamentos milenares, que no fundo nos fazem regressar à vida original, aos propósitos universais sem rejeitar ou criar falsos mundos encarando a nossa situação real.

5) Mas sendo grande parte desses mesmos hábitos relacionados com a cultura de cada um, como é que depois afinal se consegue adquirir, digamos que, essa “nova” realidade, de uma forma natural à medida que se vai praticando o Yoga?

Prof. David: Acho que essa resposta só se pode dar praticando. Passando muitas vezes pelos mesmos processos até nos deixarmos de questionar. As sensações e necessidades vão-se alterando e muitas vezes, e ouço bastantes relatos sobre isso, muitos comportamentos deixam de fazer sentido. Portanto, eu acho que é a rotina que nos traz a transformação. A dedicação (tempo e força de vontade) e o estudo (filosofia) são pilares importantes na prática do Yoga.

 
6) Portanto, posso admitir que o Professor David Lacerda Matos é um verdadeiro exemplo a seguir entre os demais, na medida em que um Professor de Yoga não deve ser somente igual a um praticante de Yoga, estarei certa?
Prof. David: É um peso grande essa questão de ser um modelo, e na verdade, acho que sou exactamente um praticante, e é o facto de levar as minhas práticas até aos outros que me torna professor! Com muitas imperfeições mas tentando transmitir e demonstrar os pilares que o Yoga me tem ensinado.
 
7) E como é que costuma planificar as suas aulas? Seria possível indicar-nos alguns exercícios e quais os seus principais benefícios?
Prof. David: As minhas sessões são elaboradas tematicamente – por norma baseio-me na leitura das próprias pessoas com quem vou desenvolvendo o meu trabalho – tendo quase sempre em vista a gestão dos elementos segundo a tradição da Ayurveda; tenho sempre bastante gosto por trabalhar os processos digestivos (que incluem digerir pensamentos, emoções, sentimentos profundos e comida) e limpezas internas (através de torções do corpo) e também formas de enraizamento, tentando fazer com que voltemos ao centro e a nós próprios. Posturas (ásanas) como ardha matsyêndrásana, paschimôttánásana, páda utkásana ou rája sarvángásana são bons exemplos destes trabalhos que proponho nas aulas. Dedico bastante atenção e tento desenvolver a parte da simbologia das posturas ao longo das sessões, não ficando só na dimensão física e tentando contribuir para o entendimento de cada pessoa que tenho pela frente do porquê de executarmos determinadas posições ou efectuarmos certas respirações específicas.
 
8) Para terminar, qual é então o seu tipo de alimentação habitual? Por acaso, tem algum prato favorito, ou alguma receita que gostasse de partilhar connosco?
Prof. David: Neste momento da minha vida sou Vegetariano estrito no que diz respeito à alimentação, não consumindo nenhum alimento de origem animal e tentando preservar um dos pilares do Yoga – o conceito de Ahimsâ (não-violência) – este é um dos princípios básicos, segundo o qual nos relacionamos com o mundo. Devemos procurar ser coerentes nos nossos actos, utilizando formas de não-violência, quer sejam acções, pensamentos ou até mesmo palavras, pois a prática de qualquer uma destas formas de violência reflecte-se em nós mesmos; diariamente acusamos o reflexo disso mesmo, e pode dizer-se que é, principalmente, no nosso pensamento e na consciência, gerando ignorância, ódios e frustrações, que ficam as marcas de todos os nossos actos e atitudes. Desta forma, muito rapidamente se perde a noção do nosso envolvimento e significado global, como o de pertencermos a um TODO, em que o mais pequeno pormenor faz parte do “Universo”. A prática da violência leva a nossa mente a focalizar-se em coisas negativas, destabilizando-se, levando a desfasamentos a nível imunológico que originam doenças. Na parte ética do consumo dos alimentos e vestuário estou a enveredar pelo Veganismo.
A minha receita de eleição acho que é o caril de grão com espinafres – refogar em azeite (ou óleo de coco) 1 cebola e cerca de 10grs de gengibre, e ir juntando uma colher de pimentão-doce, uma de caril, uma de açafrão e duas de cominhos para soltar o sabor das especiarias. Depois juntar 4 tomates triturados e 1 pimento vermelho e sal. Deixar cozinhar uns minutos antes de adicionar os espinafres (previamente cozidos – convém ser em bastante quantidade que eles ficam bastante pequenos durante o processo!) e o grão cozido, deixando cozinhar novamente até o grão soltar um pouco a casca. Quando servimos polvilhamos com garam masala e coentros picados e acompanhamos com um belo arroz basmati! Ommm…

Em conclusão, o Yoga não é o mesmo que exercício físico, vertendo muito mais a nosso favor: um ânimo maior e melhor em todos os sentidos, sendo até capaz de fortalecer os nossos próprios órgãos vitais, cuja prática correta e constante aliada a bons hábitos alimentares, ainda nos leva a muitos outros benefícios no combate a diversas doenças.

E, definitivamente, o Yoga também está naquilo que comemos: uma alimentação equilibrada contribui, por sua vez, para o aumento e reforço de todos os principais benefícios do Yoga; as refeições necessitam ser feitas com a devida consciência e paz interior, devendo saborear-se cada garfada ao ritmo de uma verdadeira respiração tranquilizante.

Tal como eu, proponham-se, assim, a atingir um tempo novo, procurando adotar ao máximo um conjunto de boas práticas e de experiências de vida mais salutares, onde cada vez mais urge elevar a vossa qualidade de vida e do mundo que vos rodeia!

Recomendo, por isso, uma alimentação da mais variada e simples possível, abrangendo sobretudo produtos frescos e sem toxicidade, sem esquecer um sem número de frutas e legumes, para além de que deve ser devidamente acompanhada por uma hidratação abundante.

Nota: contacto do Professor David Lacerda Matos para marcação de aulas de Yoga – 919886056 ou davidlacerdamatos@gmail.com