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sexta-feira, 23 de março de 2018

Susana Ribeiro em entrevista à Cozinha Com Rosto by Mónica Rebelo!

Susana Ribeiro vive em Vila Nova de Famalicão e está atualmente no final da licenciatura em Gestão de Atividades Turísticas.
 
Mas se por um lado afirma ser “apaixonada pela arte de viver”, e por outro assume “viver num mundo de opiniões irreverentes ou sonhos cor de rosa”, o Cravo e Canela, então convido-vos, desde já, a conhecerem, meus caros leitores deste blog, “uma mulher e pêras” e apologista do lema “mente sã em corpo sã”.
 
Já agora, no que diz respeito ao prato típico que mais aprecia ao norte de Portugal, sublinha, por exemplo, a Francesinha do Porto ou do Minho; mas quando vai para a cozinha, gosta de improvisar e particularmente adora elaborar vários tipos de panquecas!

1) Para começar, o que a levou a criar um blog e qual a sua razão para ter escolhido um nome tão sugestivo quanto o de “Cravo e Canela”? 

Susana Ribeiro: A principal motivação que me levou a criar um blog, foi desde sempre ser apaixonada por comunicação e escrita. Desde muito nova que adorava escrever e debater assuntos dos quais me interessavam. Junto disso, várias amigas, particularmente uma grande amiga minha, a Joana Campos, sugeriam a criação de um projecto meu, que me incentivou a acreditar mais em mim. 
O nome, confesso que já tinha meio layout da página elaborado, possíveis temas a abordar, no entanto não tinha ideia de nome. Contudo, e habitualmente devido aos meus hábitos alimentares, coloco canela no iogurte; num dos meus lanches de verão, enquanto o fazia, surgiu “Cravo e Canela”.

2) Algures, nesse mesmo blog, afirma que “eu preservo tanto a nossa saúde física e mental”, logo concorda com a necessidade de cada um de nós preservar a sua própria identidade e de conseguir manter ao máximo o equilíbrio entre o seu «corpo» e a sua «alma», é isso?

Susana Ribeiro: Sim, “mente sã em corpo sã”! Adoro desporto e a capacidade de libertar a nossa energia ou stress acumulado em actividades físicas, como uma corrida pela manhã, uma ida ao ginásio, um passeio de bicicleta… É importante saber desafiar o nosso corpo, em virtude de melhorar a nossa estética e a nossa saúde. 
No entanto, do que vale um corpo bonito numa mente obstruída e sem controlo? Nada. Tenho diagnosticado ansiedade crónica há cinco anos, e é também um dos temas que abordo no blog, e o nosso otimismo e paz interior é tão ou mais importante como um corpo esbelto.

3) E por acaso pratica algum tipo de dieta alimentar em especial? Gosta de cozinhar?

Susana Ribeiro: Não propriamente. Tenho cuidados especiais em beber muita água, comer de 3 em 3 horas, limitar-me a uma ou duas refeições “asneirentas” na semana, evitar hidratos de carbono a partir das 18h e refeições ricas em proteínas e energéticas. 
Sim! Gosto de improvisar em tudo o que cozinho. Particularmente adoro elaborar vários tipos de panquecas. 

4) Eu, particularmente, aprecio muito o facto das pessoas quererem arriscar, apostando ao mesmo tempo na sua criatividade, por isso, eu pergunto-lhe: quais é que serão, afinal de contas, os seus principais objetivos para um futuro mais próximo e as suas maiores expectativas?
 
Susana Ribeiro: Para um futuro mais próximo, espero alcançar o maior número de pessoas e marcas a seguirem e admirarem o meu projecto, que me dedico com muito carinho e esforço.  Contudo, um dos meus principais objectivos é futuramente escrever um livro, sendo este já um sonho de criança.
No entanto, gosto de levar um dia de cada vez e ser surpreendida pela vida.
 
5) Sendo Vila Nova de Famalicão a sua terra natal, por acaso considera-se, digamos que, “uma mulher do norte”?
 
Susana Ribeiro: Sim! “Uma mulher e pêras” (usamos bastante esta expressão no Norte). No norte somos mais liberais e arrojados. Eu sou uma pessoa muito transparente e de riso fácil, mas com muita confiança e determinação.
6) E a sua formação em Gestão de Atividades Turísticas, como está a correr?
 
Susana Ribeiro: Estou no último semestre, termino em Julho se tudo correr bem! Actualmente estou a terminar as últimas unidades curriculares da licenciatura e a desenvolver um Projecto sobre a Casa Museu de Camilo Castelo Branco.  
7) Já agora, o que tem a dizer acerca do desenvolvimento da atividade turística no nosso país? Será que sempre estamos a ir pelo melhor caminho, conseguindo atrair mais e mais estrangeiros, ou será que tudo isto não passa simplesmente de um «sonho», sendo tão-somente a consequência direta do que se tem passado nos outros países?
 
Susana Ribeiro: Não. Não é um sonho. O Turismo é uma actividade que tem tudo para crescer, tanto em Portugal como nos restantes países. O ser humano tem uma extrema curiosidade em conhecer o que existe para lá das fronteiras dele e de sobretudo partilhar, com a sua comunidade, experiências. Portugal tem imensa variedade de turismo para oferecer, como sol e mar, cultura, montanha, gastronomia…. Imenso. Paralelamente, hoje em dia, as distâncias estão cada vez mais curtas e económicas, portanto têm tudo para crescer.  No entanto, em Portugal, apesar de o sector do turismo equivaler a mais de 20% do nosso PIB, ainda não existe valorização pelos qualificados na área, levando a uma falta de confiança pelos que mais deviam acreditar.
 
8) Para terminar, seria capaz de indicar, aos leitores do blog Cozinha Com Rosto, qual o prato típico que mais aprecia ao norte de Portugal? E no que diz respeito a, por exemplo, roteiros turísticos, seria possível indicar também algum?
 
Susana Ribeiro: Não há nada como uma Francesinha no Porto ou no Minho. Já comi em vários locais do país e nenhuma se iguala. No entanto, o Rojões à Minhota ou à Moda do Porto também aprecio e aconselho.
Dois possíveis roteiros que aconselho seria a visita ao centro Histórico do Porto, o Cruzeiro das 7 pontes no Rio Douro com visita às caves e a visita interior à Torre dos Clérigos. 
Em segundo lugar, a lindíssima cidade berço, Guimarães! Sugeria uma visita pelo centro histórico, o castelo de Guimarães e o nobre Paço dos Duques.   
Portanto, aqui ficam também algumas dicas ao nível de possíveis roteiros turísticos ao Norte de Portugal, país este potencialmente tão ou mais rico do que se calhar julgamos ser, apesar do “fado” que há em nós!
E obrigada pelo seu tempo despendido, minha cara seguidora Susana Ribeiro, desejando-lhe muito sucesso!
Para finalizar, se quiserem também ficar a par da entrevista que a própria Susana Ribeiro fizera, há bem pouco tempo, sobre mim e do meu blog Cozinha Com Rosto, clique no seguinte link:

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O PROJETO “GRAMAS COM SABOR”

Eles são a Isa e o Tiago, fundadores do projeto “No Gramas com Sabor, tudo é feito com Amor”, onde acima de tudo sentem uma grande paixão pelo que fazem, desde o primeiro dia em que se sentaram e decidiram ir para a frente, não existindo qualquer lugar a arrependimentos! 

Eu posso comprovar que eles fazem um trabalho excelente, francamente digno de qualquer um saborear, transparecendo isso mesmo em todas as Bolachas ou Empadas que vendem, bem como nos próprios olhares de todos os seus clientes que, por exemplo, decidam vir até cá, tal como eu, à Praça da Fruta das Caldas da Rainha!

Tudo começou porque Tiago Ferreira sempre gostou muito de cozinhar e de estudar, para além de, entre outras coisas, assistir a programas de televisão, a partir dos quais tentava sempre retirar algumas ideias para mais tarde experimentar. E como ao mesmo tempo apreciava bastante tanto empadas como bolachas, então, “por que não…”, pensou ele, criar as suas próprias receitas, procurando juntar todos aqueles sabores que já conseguia fazer?!
Ou seja, nas próprias palavras de Isa Nobre, licenciada em Artes Gráficas, logo mais ligada às respetivas questões de comunicação/marketing com os clientes, “acima de tudo, o Tiago é um autodidata (…) eu também vou para a cozinha, mas ele é que é o mentor (…) ele é que coloca os recheios, os condimentos e tudo mais”, acrescentando logo a seguir que, “a nível da segurança alimentar, nós somos 100% rígidos e temos a certeza de que é por aqui que se deve seguir, porque só assim é que se faz a diferença (…) pois não é só ter os produtos diferenciados, mas também serem produtos bons e que estejam sempre com aquela qualidade ótima dirigida ao nosso consumidor final”.
De facto, todo aquele tipo de clientes que começa a aparecer regularmente numa determinada loja, de certa forma preocupar-se-á cada vez mais com a própria qualidade dos produtos que vai selecionando e, tal como a Isa depois referiu, “a maior parte da matéria prima é comprada aqui (…) o único mercado ao ar livre que funciona todos os dias em Portugal”.
 
Na verdade, continuava Isa, “o Gramas com Sabor já existe há sensivelmente 4 anos (…) 4 anos de muito trabalho, de muita dedicação (…) e vimos os nossos clientes voltarem, é muito gratificante (…) aqui na praça estamos há 2 anos”, mas normalmente só durante as sextas feiras, sábados e domingos. 
Entretanto, eu perguntava-lhes quais é que eram afinal os produtos mais vendidos, ao qual responderam prontamente que se, por um lado, eram as Bolachas Leonores, estas por sua vez criadas em honra da Rainha D. Leonor, compostas por maçã desidratada e canela, dizendo respeito a um produto lançado durante o ano passado aquando da Feira dos Frutos, que ocorre sempre no mês de agosto nas Caldas da Rainha, por outro lado, eram as Empadas de Carapau de Escabeche, que curiosamente tinham resultado a partir de uma fascinante receita pertencente à avó da própria Isa!
Ou seja, tal como depois o Tiago também explicou, um dos grandes objetivos dos dois é reeditar as receitas de antigamente, pois se Portugal possui centenas de anos de história, então importará trazer-se para o presente centenas de anos de tradições, com o único grande dever de integrar culturas e gerações, sendo “tudo feito de forma artesanal”. 
Depois temos outros sabores” – e lá continuava o Tiago a falar do tipo de bolachas que costumavam vender – “temos manteiga de amendoim com chocolate, temos de aveia com avelã, temos de gengibre com melaço e açúcar mascavado (…) também as de laranja com sementes de papoila”. 
Daqui importa realçar que ambos se preocupam ainda com a criação de produtos verdadeiramente alternativos e igualmente saudáveis, sublinhando depois a Isa que “nós gostamos de ser arrojados!”.

Para finalizar, o blogue www.gramascomsabor.com é onde Isa e Tiago partilham também certas dicas úteis, colocando o seu público a par de todas as novidades, para além de variados eBooksa ver com receitas culinárias e do facto de até existir a possibilidade de se fazerem encomendas, no caso concreto das Bolachas, através da loja online loja.gramascomsabor.com, de forma a que, cada pessoa, para não ter que telefonar, enviar email ou mensagem pelo Facebook, como terá de acontecer necessariamente no caso das Empadas, por este se tratar de um tipo de produto perecível, logo só entregue pessoalmente pelos próprios, apenas escolha, compre, pague e receba a encomenda em sua casa, no prazo entre 3 a 5 dias, através de uma empresa transportadora.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A QUINTA DA PEDRA BRANCA - PARTE 2

Tendo em conta o texto publicado durante a semana passada denominado de “A QUINTA DA PEDRA BRANCA – PARTE 1“, para um total de 5 hectares, cujo nome Quinta da Pedra Branca advém do facto do próprio terreno ser do tipo arenoso, aí poderão encontrar:

– uma estufa recheada de produtos hortícolas, permitindo o cultivo de, por exemplo, alfaces, couves, cenouras, feijão verde, salsa, coentros e tomates
espaço exterior de terreno destinado a vários tipos de árvores de fruto (pereiras, macieiras, medronheiros, laranjeiras, figueiras, nespereiras, etc), devidamente intercalados com diferentes exemplos de culturas mais rasteiras (favas, cebolas, curgetes, etc), para além da zona restrita aos morangueiros e às sementeiras
caminhosrodeados por alguns medronheiros, pés de maracujá, abacateiros ou kiwis, para além de ervas aromáticas, tais como a alfazema, embelezando também os campos 
– extensos vales apontados para o cultivo de vinhas, podendo ainda avistar-se ao longe algumas colmeias de onde se retira mel do tipo multifloral, naturalmente resultante da mistura do néctar colhido de diversas flores dos campos envolta 
– zona dedicada à criação de diferentes animais domésticos (galinhas poedeiras, patos, gansos, porcos arraçados com javali)
– sistema de aproveitamento de águas das chuvas e dos pátios envolventes, para além das charcas 
– zona de compostagem e de reaproveitamento de resíduos orgânicos, donde é extraído o chorume, em que não se contaminam os lençóis freáticos, sendo antes um processo realizado por vários microrganismos presentes e acelerado por minhocas, que por sua vez irão alimentar-se dos resíduos e transformá-los em húmus natural.
Desta forma, está demonstrado que existe uma preocupação constante quanto ao aproveitamento dos desperdícios em geral, fazendo por diminuir-se a chamada “pegada ecológica”, bem como à aplicação de fertilizantes ou de repelentes naturais, como a calda de urtigas. 
Por outro lado, também verifiquei que os diferentes espaços estão organizados segundo um sistema de culturas com associação, ou seja, em que plantas de crescimento mais rápido crescem misturadas com plantas de crescimento mais lento, bem como as plantas de maturidade mais precoce são alternadamente colocadas com plantas de maturidade mais tardia.
Desde logo, posso caracterizar todo este sistema de culturas como sendo cuidadosamente planeado a longo prazo, com o objetivo de integrar estruturas de diversos tipos e níveis, ao mesmo tempo que as plantas partilham entre si a água e o sol, fazem sombra e ainda protegem o solo, para além de assumirem um papel importante no que toca à prevenção de doenças entre elas!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A QUINTA DA PEDRA BRANCA - PARTE 1

A Quinta da Pedra Branca distingue-se pela qualidade dos seus produtos biológicos e devidamente certificados, vendidos sempre no próprio dia em que são apanhados.
Podem ser feitas encomendas através do site www.quintadapedrabranca.pt, existindo 4 tipos de cabazes à escolha, sendo 1 personalizado, para tudo ser devidamente entregue na morada de registo, sem custos elevados, mediante os dias e horários disponíveis. 

Sugiro-vos, desde já, a subscrição da respetiva newsletter, a fim de receberem as últimas novidades da quinta, tais como promoções exclusivas, pois ainda poderão ter acesso a múltiplas receitas, divididas por diversas categorias e intimamente ligadas a cada um desses mesmos produtos à sua disposição, podendo destacar os seguintes:

– hortícolas
– fruta
– ervas aromáticas
– desidratados
– frutos secos
– mel, compotas e Chutneys
– mercearia
– ovos
– pão, biscoitos e Crakers
– vinhos e espumante
 
E, tal como podem verificar na continuação deste mesmo texto, que eu irei publicar durante a próxima semana, acrescente-se ainda que, se encontra espalhado por toda a quinta todo um conjunto de rega automática, bem como está implementado o sistema que diz respeito à automatização da estufa nela existente, permitindo dispensar certos tipos de rotina fastidiosos, ao mesmo tempo que conseguem concentrar-se nos aspetos fundamentais para uma exploração bem mais sucedida. 
Em alternativa, podem sempre ficar a conhecer mais de perto a bancada com todos esses mesmos produtos no Mercado Biológico de Loures, no Infantado, tal como no Mercado Agro-Bio D´Aqui em Alvalade. 
Sendo Teresa Soler, a responsável máxima deste marco familiar com cerca de 4 anos, com quem tive a oportunidade de falar pessoalmente na própria quinta situada em Monte Gordo, Mafra, depois de falar por telefone com Vasco Soler, um dos seus filhos, podem crer que a agricultura biológica é um sistema de produção que sustenta a saúde dos solos e do próprio ecossistema, combinando tradição, inovação e ciência, rumo a um caminho que, no meu ponto de vista, é o mais certo em termos de saúde e bem estar para todos nós!
A Quinta da Pedra Branca é, assim, um projeto bastante genuíno, cujo principal objetivo é servir bem as pessoas, o que promove a biodiversidade e a ideia de se desfrutar do verdadeiro sabor dos alimentos, sem quaisquer produtos tóxicos, protegendo cumulativamente o meio ambiente e as gerações futuras!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O VERDADEIRO MUNDO DO CHOCOLATE!

Trabalhar bem o chocolate tem de ter os seus próprios segredos, sendo, antes de mais, uma arte, que consegue abrir portas ao mais puro e requintado prazer, no incrível momento em que se começa a trincar na boca algo capaz de nos fazer viciar!
E foram estas, entre outras questões, que me trouxeram até aqui, ao mais recente espaço Com Cheiro a Chocolate, com a assinatura de Ana Sousa e Silva, mais precisamente, passo a citar, na Rua Ernesto Veiga de Oliveira, em Oeiras.
Meus caros leitores, sejam, portanto, muito bem-vindos ao Verdadeiro Mundo Do Chocolate, na companhia da própria Ana Sousa e Silva na forma da seguinte entrevista:
Desde já, desejo-lhe as maiores felicidades, sendo um grande prazer estar aqui consigo, neste local mágico, donde já saíram, certamente, por aquela porta, várias pessoas ainda mais fascinadas do que quando entraram.
Por isso, muito obrigada por ter aceite este meu convite, para deixar levantar um pouco o véu acerca do seu projeto, bem como acerca de alguns dos segredos em torno do chocolate, de forma a nunca fazer perder o seu verdadeiro lugar de destaque em qualquer mesa que se preze. 

Aliás, tal como diz no seu livro Chocolate – A Arte e os Segredos: “um bom chocolate pode ser uma grande paixão”!
1) Está sempre a comer chocolates?
Ana Sousa e Silva: Isso seria a minha desgraça. Não, eu raramente como chocolate. Sou apaixonada por trabalhar chocolate, não por comer.
2) Por acaso já gostava de chocolates, quando ainda trabalhava no hospital de Lisboa?
Ana Sousa e Silva: Quando ainda trabalhava no hospital, apaixonei-me por decoração de bolos com pasta de açúcar. O chocolate apareceu uns anos mais tarde. 
3) E está arrependida de alguma coisa?
Ana Sousa e Silva: De nada J
4) Mas afinal de contas, como é que tudo começou?
Ana Sousa e Silva: Começou tudo porque tenho 3 filhos e sempre lhes fiz os bolos de aniversário. Quando descobri a pasta de açúcar, foi paixão à primeira vista. Na altura tinha um blog onde colocava as receitas que fazia (no céu da boca) e depois começaram os bolos e criei um blog separado para publicar os bolos que ia fazendo (no céu dos bolos). As coisas começaram a crescer sem que eu desse conta.
5) E desde então, o seu percurso tem sido algo programado ou simplesmente deixou ir acontecendo?
Ana Sousa e Silva: Nada tem sido programado.
6) E ao ser também mãe de três filhos, como é que eles a têm apoiado neste projeto?
Ana Sousa e Silva: O meu marido e os meus 3 filhos foram a base de toda a minha mudança. Sem o apoio incondicional que eles me dão nunca tinha deixado de trabalhar no hospital.
7) Já agora, o facto de ser mulher, já a levou alguma vez a sentir-se discriminada, por exemplo?
Ana Sousa e Silva: Ao longo de toda a minha vida, não me lembro de me sentir descriminada por ser mulher. 
8) Vamos agora imaginar que eu colocaria à sua frente uma bola de cristal: como é que a Ana se imagina daqui a alguns anos?
Ana Sousa e Silva: Não imagino. Como já lhe disse em cima, a minha vida vai correndo com a maré. O fantástico da vida é isso. A surpresa do caminho.
9) E como é que estamos atualmente em termos de especialistas na arte de trabalhar o chocolate em Portugal?
Ana Sousa e Silva: Temos alguns profissionais fantásticos.
10) Li algures que os portugueses são os que consomem menos chocolate na Europa: é verdade?
Ana Sousa e Silva: Será? Não faço ideia.
11) E por falar em história, qual será de facto a origem do chocolate e quais é que são os seus principais ingredientes e benefícios?
Ana Sousa e Silva: A história do chocolate está envolta em mistérios e segredos, mas o mais importante do chocolate é que ele tem o poder de deixar as pessoas felizes. Só isso já é muito importante.
12) Importava-se de dar a conhecer, aos caríssimos leitores deste blog, e porventura do seu livro, aquela receita com chocolate que, para si, é a mais especial?
Ana Sousa e Silva: O meu bolo de chocolate. Aquele que nunca pode faltar em mesas de festas.
 
RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolo de Chocolate
Ingredientes:  
  • 250 g de açúcar
  • 6 ovos
  • 200 g de chocolate negro com pelo menos 50% de cacau
  • 200 g de manteiga
  • 100 g de farinha
  •  colher de chá de fermento em pó

Preparação:

  1. Bater os ovos com o açúcar durante cerca de 5 minutos.
  2. Derreter o chocolate e a manteiga.
  3. Juntar o chocolate e a manteiga derretida aos ovos batidos com o açúcar.
  4. Bater durante 30 segundos, ou até a mistura ficar homogénea.
  5. Juntar a farinha e o fermento em pó. Misturar bem.
  6. Forrar com papel o fundo de uma forma com 20 cm de diâmetro. Untar o papel vegetal. Não untar a parte lateral da forma, para que o bolo não abata no final da cozedura.
  7. Pré-aqueça o forno a 180 ºC e leve o bolo a cozer durante 45 a 50 minutos.

(receita presente no livro Chocolate – A Arte e os Segredos)
 
 
13) Para finalizar, se por acaso alguém quiser saber mais sobre si e/ou o seu espaço, que tipo de produtos e/ou de serviços é que disponibiliza neste momento?
Ana Sousa e Silva: Com cheiro a chocolate é uma sala de formação em Oeiras, direcionada para o ensino da decoração de bolos e pastelaria. Tem formações de um dia, acessíveis a quem está a começar e também para quem tem já alguma experiência.
Em conclusão, deixemo-nos apenas levar pela mais bela inspiração e cerremos as pálpebras, pois os cinco sentidos ficarão apuradíssimos e a postos de fazerem surgir, ainda que ingenuamente, algo sinónimo de perverso e antónimo de insatisfação ao mesmo tempo!
E estava eu, agradavelmente, tão bem sentada a conversar com a Ana, para, de repente, soltar um olhar de pasmo sobre as horas que, afinal, já tinham passado no relógio colocado à minha frente, muito embora, não fosse, de todo, o meu desejo mais premente… até ao próximo texto!

segunda-feira, 6 de março de 2017

YOGA E ALIMENTAÇÃO

Umas vezes sentimo-nos cansados e com dificuldades em respirar; outras vezes sentimo-nos desanimados e desiludidos com o que a vida nos oferece. Para complicar o assunto, ainda há quem fume ou beba álcool, pensando que com este tipo de atos se consegue simplesmente ultrapassar a ansiedade e o nervosismo. E, sem quase nos apercebermos, ao longo do tempo, deixamos quase por completo de ter vontade de lutar também contra a inatividade física e os nossos maus hábitos alimentares, arranjando sempre desculpas para que tal ocorra mais uma e uma vez… 

Por outras palavras: estamos é a tomar partido de colocar em risco a nossa própria saúde física e bem-estar emocional!
Neste sentido, tomei a iniciativa de desafiar o meu Professor de Yoga, David Lacerda Matos, conhecendo-o já há alguns anos, a fim de responder a algumas questões a propósito da prática do Yoga e da sua verdadeira relação com a vida do quotidiano e a nossa mente, corpo e espírito, bem como a nossa própria alimentação, de forma a tirar melhor partido de uma vida mais saudável e rica, em plenitude connosco e os outros.

Desde já, seja muito bem-vindo ao meu blog Cozinha Com Rosto, e muito obrigada por ter aceite este meu convite para esclarecer algumas questões, nomeadamente aos nossos leitores, acerca do tema “Yoga e Alimentação”:

1) Como ponto de partida desta nossa conversa, o que o motivou a fazer formação em Yoga?

Prof. David: Obrigado eu pelo convite. Eu estudei no curso de História / Variante de Arqueologia durante vários anos e acabei por desistir no 4º ano do curso, porque depois de ter estado a trabalhar durante vários anos na área, confrontei-me com a falta de investimento neste tipo de cultura e conhecimento, e achei que não era para mim ficar apenas a escavar no meu buraquinho sem poder crescer e mostrar tudo à sociedade. Então, a partir de 2005, interrompi, o curso universitário, para me dedicar quase em exclusivo, à formação e à prática nas áreas do Yoga e da medicina Ayurvédica, bem como da Terapia de Som (taças tibetanas). Estava interessado em procurar uma via mais espiritual, que albergasse a prática profissional relacionada com a área, então iniciei os meus estudos de forma autodidacta na área do Yoga, que hoje em dia tento integrar no meu trabalho em conjunto com a Ayurveda.

 
2) Pelo que conhece da realidade do Yoga em Portugal, como descreve o cenário da sua prática atual e a justificação pela qual as pessoas sentem necessidade de a tomar como uma verdadeira aleada ao stress do dia-a-dia?
Prof. David: Existe, hoje em dia, uma proliferação muito grande de inúmeras escolas e tradições relativas ao yoga – no meu entender todas válidas – e que permitem que esta autêntica ciência milenar esteja a chegar a cada vez mais pessoas. Apesar de já termos passado o boom da sua procura, as pessoas que continuam a chegar até mim buscam o “eterno equilíbrio”, encontrar espaço interno para si próprias, relaxamento, descontracção, flexibilidade, rejuvenescimento, harmonia entre o corpo e a mente e temas do foro do desequilíbrio como a depressão, ansiedade, insónias ou problemas digestivos.

3) Então, como é que é a sua relação intrínseca com o Yoga, no sentido de como é que as pessoas, em geral, devem entendê-la?
Prof. David: Para simplificar, hoje em dia, como eu costumo dizer, tudo é Yoga – o que interessa é inspirar e expirar – e voltarmos a controlar este processo; tudo muda depois de fazermos uma inspiração profunda. Portanto, o Yoga ultrapassa a hora da sessão, está presente, ou deverá estar o mais presente possível, em todos os momentos do dia. Quanto maior consciência da respiração (do seu estado e de como corrigi-lo) mais voltamos ao nosso centro e à nossa essência. O Yoga é uma ciência! Os benefícios da sua prática diária são brutais e podem conduzir a grandes alterações – sobretudo internas e de estados de espírito ou emocionais. A minha relação com o Yoga, nesta fase da minha vida é diária, e só tenho a agradecer poder fazê-lo ensinando-o ou passando-o a outras pessoas.
 
4) Por outro lado, uma melhor compreensão do Yoga faz com que uma pessoa, na verdade, se afaste de uma má conduta ou de maus hábitos, como o álcool, tabaco ou alimentação desequilibrada?
Prof. David: Da minha experiência pessoal, o que posso salientar é que ajuda a termos uma maior consciência de determinados comportamentos que temos, que estão muito enraizados e que acabam por se manifestar como padrões. Quando começamos a aprofundar o estudo do Yoga, os seus conceitos, percebemos que deve ser entendido enquanto ciência, por se basear em leis fisiológicas e psicológicas, mas também observado enquanto modo de vida, com aplicação directa no quotidiano, e desta forma, serve para manter a mente pura e clara, utilizando a concentração na respiração (pranayama), recarregando, desta forma, de energia renovada o corpo e a mente. Trata-se de uma modificação e purificação consciente durante um longo processo que se baseia na concentração do nosso inteiro ser, na “existência individual”. Faz despertar a consciência, procurando controlar as emoções, desejos e sensações que resultam das diferentes qualidades da nossa consciência. Ajuda a desenvolver a intuição, o entendimento do corpo, das suas funções, tornando-o saudável. Trabalha no sentido da quebra no apego, seguindo ensinamentos milenares, que no fundo nos fazem regressar à vida original, aos propósitos universais sem rejeitar ou criar falsos mundos encarando a nossa situação real.

5) Mas sendo grande parte desses mesmos hábitos relacionados com a cultura de cada um, como é que depois afinal se consegue adquirir, digamos que, essa “nova” realidade, de uma forma natural à medida que se vai praticando o Yoga?

Prof. David: Acho que essa resposta só se pode dar praticando. Passando muitas vezes pelos mesmos processos até nos deixarmos de questionar. As sensações e necessidades vão-se alterando e muitas vezes, e ouço bastantes relatos sobre isso, muitos comportamentos deixam de fazer sentido. Portanto, eu acho que é a rotina que nos traz a transformação. A dedicação (tempo e força de vontade) e o estudo (filosofia) são pilares importantes na prática do Yoga.

 
6) Portanto, posso admitir que o Professor David Lacerda Matos é um verdadeiro exemplo a seguir entre os demais, na medida em que um Professor de Yoga não deve ser somente igual a um praticante de Yoga, estarei certa?
Prof. David: É um peso grande essa questão de ser um modelo, e na verdade, acho que sou exactamente um praticante, e é o facto de levar as minhas práticas até aos outros que me torna professor! Com muitas imperfeições mas tentando transmitir e demonstrar os pilares que o Yoga me tem ensinado.
 
7) E como é que costuma planificar as suas aulas? Seria possível indicar-nos alguns exercícios e quais os seus principais benefícios?
Prof. David: As minhas sessões são elaboradas tematicamente – por norma baseio-me na leitura das próprias pessoas com quem vou desenvolvendo o meu trabalho – tendo quase sempre em vista a gestão dos elementos segundo a tradição da Ayurveda; tenho sempre bastante gosto por trabalhar os processos digestivos (que incluem digerir pensamentos, emoções, sentimentos profundos e comida) e limpezas internas (através de torções do corpo) e também formas de enraizamento, tentando fazer com que voltemos ao centro e a nós próprios. Posturas (ásanas) como ardha matsyêndrásana, paschimôttánásana, páda utkásana ou rája sarvángásana são bons exemplos destes trabalhos que proponho nas aulas. Dedico bastante atenção e tento desenvolver a parte da simbologia das posturas ao longo das sessões, não ficando só na dimensão física e tentando contribuir para o entendimento de cada pessoa que tenho pela frente do porquê de executarmos determinadas posições ou efectuarmos certas respirações específicas.
 
8) Para terminar, qual é então o seu tipo de alimentação habitual? Por acaso, tem algum prato favorito, ou alguma receita que gostasse de partilhar connosco?
Prof. David: Neste momento da minha vida sou Vegetariano estrito no que diz respeito à alimentação, não consumindo nenhum alimento de origem animal e tentando preservar um dos pilares do Yoga – o conceito de Ahimsâ (não-violência) – este é um dos princípios básicos, segundo o qual nos relacionamos com o mundo. Devemos procurar ser coerentes nos nossos actos, utilizando formas de não-violência, quer sejam acções, pensamentos ou até mesmo palavras, pois a prática de qualquer uma destas formas de violência reflecte-se em nós mesmos; diariamente acusamos o reflexo disso mesmo, e pode dizer-se que é, principalmente, no nosso pensamento e na consciência, gerando ignorância, ódios e frustrações, que ficam as marcas de todos os nossos actos e atitudes. Desta forma, muito rapidamente se perde a noção do nosso envolvimento e significado global, como o de pertencermos a um TODO, em que o mais pequeno pormenor faz parte do “Universo”. A prática da violência leva a nossa mente a focalizar-se em coisas negativas, destabilizando-se, levando a desfasamentos a nível imunológico que originam doenças. Na parte ética do consumo dos alimentos e vestuário estou a enveredar pelo Veganismo.
A minha receita de eleição acho que é o caril de grão com espinafres – refogar em azeite (ou óleo de coco) 1 cebola e cerca de 10grs de gengibre, e ir juntando uma colher de pimentão-doce, uma de caril, uma de açafrão e duas de cominhos para soltar o sabor das especiarias. Depois juntar 4 tomates triturados e 1 pimento vermelho e sal. Deixar cozinhar uns minutos antes de adicionar os espinafres (previamente cozidos – convém ser em bastante quantidade que eles ficam bastante pequenos durante o processo!) e o grão cozido, deixando cozinhar novamente até o grão soltar um pouco a casca. Quando servimos polvilhamos com garam masala e coentros picados e acompanhamos com um belo arroz basmati! Ommm…

Em conclusão, o Yoga não é o mesmo que exercício físico, vertendo muito mais a nosso favor: um ânimo maior e melhor em todos os sentidos, sendo até capaz de fortalecer os nossos próprios órgãos vitais, cuja prática correta e constante aliada a bons hábitos alimentares, ainda nos leva a muitos outros benefícios no combate a diversas doenças.

E, definitivamente, o Yoga também está naquilo que comemos: uma alimentação equilibrada contribui, por sua vez, para o aumento e reforço de todos os principais benefícios do Yoga; as refeições necessitam ser feitas com a devida consciência e paz interior, devendo saborear-se cada garfada ao ritmo de uma verdadeira respiração tranquilizante.

Tal como eu, proponham-se, assim, a atingir um tempo novo, procurando adotar ao máximo um conjunto de boas práticas e de experiências de vida mais salutares, onde cada vez mais urge elevar a vossa qualidade de vida e do mundo que vos rodeia!

Recomendo, por isso, uma alimentação da mais variada e simples possível, abrangendo sobretudo produtos frescos e sem toxicidade, sem esquecer um sem número de frutas e legumes, para além de que deve ser devidamente acompanhada por uma hidratação abundante.

Nota: contacto do Professor David Lacerda Matos para marcação de aulas de Yoga – 919886056 ou davidlacerdamatos@gmail.com