Mostrar mensagens com a etiqueta arroz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta arroz. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Arroz de Pato, quem é que não conhece?

Em primeiro lugar, o Arroz de Pato é uma receita tradicional portuguesa que tem a sua origem no seminário mais antigo de Portugal: o seminário de Braga!

INTRODUÇÃO HISTÓRICA

Pelo que se sabe, a receita original costumava fazer-se com pato selvagem. Contudo, nunca deixou de ser um prato bastante saboroso e verdadeiramente típico da gastronomia portuguesa, sendo até mundialmente conhecido também por “Arroz à Portuguesa” ou  “Arroz de Braga”:

«As fontes sobre a origem deste prato não são claras, no entanto acredita-se que a sua origem esteja na culinária popular e na necessidade de aproveitar os restos do cozido do dia anterior.
Pratos parecidos são preparados na Espanha – principalmente nas regiões nortenhas – e há algum relato também na gastronomia Peruana onde o Arroz de Pato é conhecido como “ñuñuma” sendo que nesse caso o prato é confecionado com cerveja.

Diz a lenda que esta receita foi introduzida pela mulheres espanholas que a teriam utilizado para “encantar” os seus homens e fazer com que eles caíssem aos seus pés.
O segredo – segundo o que conta a historia – estava no coração da ave que, escondido no meio do arroz, uma vez comido pelos conquistadores teria feito apaixonar os homens pelas suas donzelas.»

(fonte: https://www.facebook.com/artesaosdacomida)

como fazer arroz de pato

Obviamente que este prato pode ser encontrado em diversos restaurantes espalhados por todo o país de Portugal, mas quase sempre fiel à sua receita original, em que o arroz é cozido com o caldo que serviu para cozinhar o pato lado a lado com o presunto e o chouriço, ganhando ainda mais sabor e vontade de o replicar nas nossas casas!

Em resumo: primeiro desfia-se a carne do pato e depois coloca-se tudo num tabuleiro, de preferência de barro, entre duas camadas de arroz, reservando o chouriço e o presunto para a sua cobertura final. Portanto, basta que tudo vá ao forno durante alguns minutos, só para ganhar aquele tom tostadinho… mmm!!!…

Vamos então à minha proposta de receita caseira do… Arroz de Pato?

RECEITA DA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Arroz de Pato

o que é arroz de pato

Ingredientes:

  • 1 Folha de Louro
  • 1/2 Pato cortado aos bocados
  • 1 Chouriço de Carne
  • 200 g Presunto
  • 1 Cebola
  • 2 dl de Azeite
  • Sal e Pimenta q. b.
  • 2 chávenas Arroz Carolino
  • 4 chávenas da Água da Cozedura do Pato

Confeção:

  1. Levar 1/2 pato cortado aos bocados a cozer numa panela com água a ferver e juntar o chouriço e o presunto;
  2. Retirar o pato do lume para logo a seguir ser desfiado, sem esquecer de reservar o chouriço, o presunto e a água da cozedura;
  3. Confecionar o arroz, mas fazendo primeiro um ligeiro refogado com a cebola e o azeite num tacho;
  4. Colocar o arroz carolino no tacho, contudo deixá-lo fritar um pouco antes de verter a água da cozedura do pato a ferver;
  5. Não esquecer de deixar cozer o arroz em lume brando;
  6. Entretanto, cortar o chouriço em rodelas e o presunto em pequenas lascas e reservar;
  7. Ligar o forno a 180ºC e, ao mesmo tempo, escolher um tabuleiro de ir ao forno; 
  8. No tabuleiro: fazer uma camada de arroz, colocar por cima o pato desfiado, voltar a tapar com arroz e, por fim, espalhar o chouriço cortado às rodelas e o presunto às lascas;
  9. Por último, levar o tabuleiro ao forno até a parte de cima começar a tostar e servir.

(fonte: https://www.24kitchen.pt/receita/arroz-de-pato-a-antiga,

http://iberismos.com/arroz-de-pato)

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

PLANTAS PARA COLHER E DEGUSTAR: texto 12 - Arroz (by Miguel Boieiro)

Observo sempre com muita curiosidade a vegetação das terras por onde deambulo nas minhas viagens. Depois escolho uma das plantas encontradas, por uma questão de mera simpatia ou por a julgar mais significativa, para ser o alvo das minhas investigações botânicas.
Ora, estando mais de um mês no sul da China (ilha Hainan), qual foi a planta que aí encontrei mais abundante e representativa? Já calculam! Foi a do arroz, cereal que é a base da alimentação de 1400 milhões de chineses e de mais de metade da população mundial.
O arroz sempre me apaixonou e tenho para com ele um carinho e uma afinidade que vêm dos tempos de menino. O meu pai, embora analfabeto, concentrava um conjunto de saberes ancestrais e misteriosos que recebeu oralmente dos antepassados. Um dia, já perto do Natal, que para ele nada tinha a ver com o consumismo da festa da cristandade, trouxe da Barroca d’Alva umas sementinhas castanhas que colocou num pires com alguma água. Curioso, como sempre fui, todos os dias ia ver as sementes e acompanhei radiante a sua rápida germinação. Nasceu uma pequena seara de um verde tão bonito e mimoso, como jamais vira. E aí logo me dei conta de que estava perante algo imensamente mais sagrado do que os “meninos-jesuses” de todo o mundo, uma vez que “pais-natais” ainda não havia naqueles idos (que me desculpem os crentes mais radicais). 

A sensação do arroz como planta sagrada, tive-a, de novo, na China profunda, ao ver as searas amorosamente cuidadas e enquanto ia comendo arroz três vezes por dia durante um largo mês. Definitivamente, fiquei fã do arroz.

Há meia dúzia de anos comprei um livro que descrevia, tim-tim por tim-tim, este afamado comestível, terminando com dezenas de receitas. Emprestei-o a alguém e não voltei a reavê-lo. Paciência! Que a esse alguém lhe faça bom proveito, são os meus votos sinceros. Recordo, no entanto, que lá se referia o nosso país como o maior consumidor europeu do precioso cereal: 17 kg por ano, per capita. A seguir vinha a Espanha com 9 kg e muito atrás, todos os outros. Num almoço ocasional com o embaixador da Coreia do Norte perguntei-lhe, qual seria o consumo médio por pessoa na RPD da Coreia. Fez umas contas rápidas e de imediato me respondeu: 150 kg! 
Existem cerca de 8 mil variedades de arroz, mas basicamente elas integram sete espécies, sendo a mais conhecida a Oryza sativa (arroz asiático). Cada vez mais apreciadas são as variedades perfumadas, como o basmati, o jasmim, o vermelho e o dourado, este, manipulado geneticamente. Entre nós, as mais conhecidas são o carolino e o agulha.
 
Como se sabe, o arroz é uma gramínea de origem asiática. Julga-se que é usado como alimento há perto de 7 mil anos, fazendo parte do quotidiano dos países orientais que são, de longe, os seus principais produtores e consumidores.
A planta tem um cultivo anual em terras alagadas, mas pode sobreviver por vários anos nas regiões tropicais. 
O arroz é um dos alimentos mais equilibrados que se conhece. Contém hidratos de carbono, proteínas, vitaminas B1, B2, B3, cálcio, magnésio, manganés, fosforo, zinco, ferro, proteínas, pouca gordura e nenhum glúten. No que respeita às proteínas, é certo que não possui a totalidade dos aminoácidos essenciais, mas combina muito bem com todas as outras fontes proteicas.
O arroz integral, ou seja o arroz em que apenas se retira a casca exterior (celulose), ficando com uma película fina acastanhada, é o melhor para uma nutrição saudável. Essa película contém fibra e maior quantidade de proteína e de gordura, alimentando muito mais. Se bem mastigado, é de fácil digestão, combatendo o colesterol, a arteriosclerose, a diabetes, a prisão do ventre e outras disfunções do aparelho digestivo. Além disso, contém selénio que é um antioxidante natural que beneficia o sistema imunológico. Quem consome apenas arroz normal, leva algum tempo a habituar-se ao integral, mas depois acaba por o achar mais saboroso que o chamado arroz branco. 
Quanto às formas de cozinhar, elas variam muito, de país para país e de região para região. Na China o arroz é cozido a vapor o que, de entre outras vantagens, fica mais a jeito para ser comido com os tradicionais pauzinhos, como aliás, sempre assim fiz.
Para mim, que gosto dele bem cozido mas não empapado, a melhor maneira é usar o forno solar: uma parte de arroz para três de água, um pouco de azeite e uma pitada de sal, sol que baste e passadas 2 horas, está pronto. Vantagens: não esturra, não pega, não endurece e é claro, não se despende energia elétrica nem gás, o que, em tempos de aguda crise, não é de somenos. 
 Miguel Boieiro