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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Sal-Gema, o que é + 23 Utilidades do Sal

SAL-GEMA, O QUE É?

Em primeiro lugar, o produto Sal-gema é o cloreto de sódio acompanhado de cloreto de potássio e de cloreto de magnésio que está alojado em jazidas na superfície terrestre, pertencendo ao grupo das rochas sedimentares.

Em segundo lugar, este termo aplica-se ao sal obtido da precipitação química pela evaporação da água de antigas bacias marinhas em ambientes sedimentares. Para isso, o mesmo é extraído pelo método de lavra por solução e pelo método de lavra subterrânea convencional. E os únicos locais de extração de sal-gema em Portugal localizados em Loulé e Rio Maior, tornaram-se num vestígio da presença do mar em épocas remotas.

AS SALINAS DE RIO MAIOR

sal

No que diz respeito às Salinas de Rio Maior, temos que estas situam-se a cerca de 3 km do centro da cidade de Rio Maior, encaixadas num vale no sopé da Serra dos Candeeiros, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Classificadas como Imóvel de Interesse Público desde dezembro de 1997, são portanto as únicas que se encontram em pleno funcionamento na Europa. E ainda que a primeira referência à sua existência seja de 1177, pensa-se que o aproveitamento do sal-gema já seria feito desde a Pré-história!

Uma mina de sal-gema, extensa e profunda, segundo os técnicos, atravessada por uma corrente subterrânea que alimenta um poço, faz com que a água dele extraída seja sete vezes mais salgada que a do mar. Da sua exposição ao sol e ao vento e consequente evaporação da água obtêm-se o sal, depositado no fundo dos talhos, o qual depois é colocado em montes, em forma de pirâmides, para secar até ser recolhido.

UM POUCO DE HISTÓRIA

E segundo o que se sabe, o poço atual foi aberto devido ao acaso: uma rapariga que apascentava uns animais, para mitigar a sede, tentou beber numa poça de água que aflorava num juncal; o sabor fortemente salgado foi-lhe extremamente desagradável e comentou isso ao chegar a casa; seu pai e vizinhos apressaram-se a ir cavar em tal sítio de onde surgiu o poço atual, tendo secado depois o primitivo.

As típicas tabernas eram montadas nalgumas das casas de madeira e funcionavam apenas durante a “safra”: com o trabalho duro da marinha, em noites frias e húmidas, os homens sentiam necessidade de ingerir doses avultadas de álcool, sendo por isso frequente passar-se pela taberna; o taberneiro montava a sua escrita em tábuas de madeira com cerca de 1,5 m por 10 a 15 cm, descrevendo a conta de um freguês; na régua era escrita, com sinais convencionais, a despesa que o cliente ia fazendo ao longo da safra e os pagamentos que ia efetuando. Desta forma: se, por um lado, o cliente sabia sempre quanto devia e os outros ficavam a saber se ele era ou não um bom bebedor, por outro lado, o taberneiro ia recebendo as suas contas mais facilmente, cujo pagamento era sempre feito em sal.

O COMÉRCIO DO SAL

sal

Acrescente-se que, antigamente, o sal era uma substância importante no comércio entre os povos como moeda de troca, sendo utilizado como pagamento de jornas, daí a proveniência da palavra salário. E para além de ser apreciado como condimento desde as civilizações mais antigas, começou também a ser usado como produto essencial para a conservação dos alimentos, já que eram desconhecidos os atuais métodos de refrigeração, bem como na preparação de peles e conservação de couros.

Por tudo isto, o domínio do comércio do sal foi sempre uma preocupação primordial dos mais poderosos e influentes, controlando o que era enviado, com outros produtos, para o Mediterrâneo e daí para Oriente, pelos Árabes, ou então para o norte da Europa, pelos Cristãos, através das Ordens religiosas.

Portanto, o mar, os rios e as vias romanas, eram os elos de ligação entre os povos. E sendo Rio Maior navegável até parte do seu percurso, era natural que fosse utilizado para comunicação com o Tejo, porta de saída principal para o comércio externo, no qual se incluiria o sal pela sua extrema qualidade.

23 UTILIDADES DO SAL

SAL

Em conclusão, todos nós sabemos que o sal é um dos temperos mais tradicionais na culinária! Mas sabia que, os seus benefícios para a saúde estão relacionados com o iodo? E olhe que este composto é essencial para as hormonas da tiróide intimamente ligadas à produção de energia do nosso corpo.

Além disso, o sódio presente no sal, quando combinado com o potássio, ajuda a manter o ritmo cardíaco normal. Portanto, o tempero é só uma das múltiplas utilidades do mesmo, podendo, assim, ser utilizado para facilitar a nossa vida noutras áreas.

Neste sentido, tive o cuidado de selecionar, para si, uma série de utilidades, que de certeza vão ajudá-lo no seu dia a dia!

A LISTA

  1. eliminar os cheiros a alho, cebola ou peixe das mãos: utilizar uma mistura de sal com vinagre e lavar as mãos;
  2. remover os cheiros de comida nos recipientes plásticos: colocar uma colher de sal dentro dos potes e deixar atuar de um dia para outro;
  3. retirar odores dos pés no calçado: colocar um pouco de sal dentro do calçado;
  4. remover as manchas brancas que ficam nos móveis: passar uma mistura do sal com óleo vegetal sobre a mancha, em proporções iguais, deixando atuar 1 a 2 horas antes de esfregar;
  5. limpar o forno: borrifar uma mistura de água, sal e canela no forno, ainda quente, e deixar arrefecer, para remover tudo com uma esponja;
  6. evitar que as frutas, como a maçã e a pêra descascadas, fiquem escuras: aplicar nelas água com sal;
  7. ajudar a manter as panelas limpas e brilhantes: misturar um pouco de sal à água e esfregar com um pano;
  8. alargar a vida útil do queijo dentro do frigorífico:sal

    derramar um pouco de sal sobre ele;

  9. aliviar a dor de garganta ou ajudar a tratar as aftas na boca: gargarejar água quente com um pouco de sal de cozinha;
  10. aumentar a durabilidade de uma escova de dentes: mergulhá-la em água com sal antes de utilizá-la pela primeira vez;
  11. diminuir as chamas ou apagar o fogo durante os churrascos: aplicar sal para controlar as chamas;
  12. aumentar a vida útil das velas: antes de as usar, deixá-las durante algumas horas numa solução com água e sal, secando-as bem;
  13. deixar o frigorífico limpo e com um cheiro agradável: utilizar água gaseificada com sal na sua limpeza;
  14. evitar o mau cheiro e os entupimentos com restos de comida, nos canos da cozinha: despejar água quente com sal no ralo da pia;
  15. limpar utensílios de bronze e cobre: aplicar uma mistura com farinha, sal e vinagre sobre os objetos e deixar atuar 1 hora antes de limpar;
  16. remover a gordura da frigideira

    sal

    aplicar um pouco de sal e remover a sujidade com um pano húmido ou uma batata;

  17. realçar as cores dos tapetes de fibra ou das cortinas: colocar sal na água para lavar as peças;
  18. afastar formigas de certas zonas da casa: borrifar sal nos rodapés, cantos ou armários, afastando-as da área em questão;
  19. remover manchas de suor das roupas: usar uma mistura de 4 colheres de sopa de sal para 1 litro de água;
  20. retirar o cheiro a mofopassar uma mistura de sumo de limão, água quente e sal, por cima do local, deixar atuar e limpar;
  21. desinfetar as esponjas: mergulhá-las numa mistura de água morna e 2 colheres de sal, deixar atuar algumas horas e lavar, retirandor o excesso de água;
  22. ajudar a refrescar as bebidas: num recipiente, colocar camadas de gelo e sal intercaladas junto com as bebidas até à hora de servir;
  23. aliviar o ardor e a comichão de uma picada de inseto: passar, por cima do local, com água gelada salgada ou sal misturado com azeite.

NOTA IMPORTANTE

Para ter acesso gratuito ao artigo sobre as Salinas de Rio Maior, na Revista Digital “P´ra Mesa” Nº13, no caso de não ser ainda Subscritor deste Blog, clique aqui para saber como recebê-la diretamente e de forma gratuita no seu email!

 

(fonte: https://pt.wikipedia.org,

https://www.turismoriomaior.pt,

https://guiadacozinha.com.br/)

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Arroz de Pato, quem é que não conhece?

Em primeiro lugar, o Arroz de Pato é uma receita tradicional portuguesa que tem a sua origem no seminário mais antigo de Portugal: o seminário de Braga!

INTRODUÇÃO HISTÓRICA

Pelo que se sabe, a receita original costumava fazer-se com pato selvagem. Contudo, nunca deixou de ser um prato bastante saboroso e verdadeiramente típico da gastronomia portuguesa, sendo até mundialmente conhecido também por “Arroz à Portuguesa” ou  “Arroz de Braga”:

«As fontes sobre a origem deste prato não são claras, no entanto acredita-se que a sua origem esteja na culinária popular e na necessidade de aproveitar os restos do cozido do dia anterior.
Pratos parecidos são preparados na Espanha – principalmente nas regiões nortenhas – e há algum relato também na gastronomia Peruana onde o Arroz de Pato é conhecido como “ñuñuma” sendo que nesse caso o prato é confecionado com cerveja.

Diz a lenda que esta receita foi introduzida pela mulheres espanholas que a teriam utilizado para “encantar” os seus homens e fazer com que eles caíssem aos seus pés.
O segredo – segundo o que conta a historia – estava no coração da ave que, escondido no meio do arroz, uma vez comido pelos conquistadores teria feito apaixonar os homens pelas suas donzelas.»

(fonte: https://www.facebook.com/artesaosdacomida)

como fazer arroz de pato

Obviamente que este prato pode ser encontrado em diversos restaurantes espalhados por todo o país de Portugal, mas quase sempre fiel à sua receita original, em que o arroz é cozido com o caldo que serviu para cozinhar o pato lado a lado com o presunto e o chouriço, ganhando ainda mais sabor e vontade de o replicar nas nossas casas!

Em resumo: primeiro desfia-se a carne do pato e depois coloca-se tudo num tabuleiro, de preferência de barro, entre duas camadas de arroz, reservando o chouriço e o presunto para a sua cobertura final. Portanto, basta que tudo vá ao forno durante alguns minutos, só para ganhar aquele tom tostadinho… mmm!!!…

Vamos então à minha proposta de receita caseira do… Arroz de Pato?

RECEITA DA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Arroz de Pato

o que é arroz de pato

Ingredientes:

  • 1 Folha de Louro
  • 1/2 Pato cortado aos bocados
  • 1 Chouriço de Carne
  • 200 g Presunto
  • 1 Cebola
  • 2 dl de Azeite
  • Sal e Pimenta q. b.
  • 2 chávenas Arroz Carolino
  • 4 chávenas da Água da Cozedura do Pato

Confeção:

  1. Levar 1/2 pato cortado aos bocados a cozer numa panela com água a ferver e juntar o chouriço e o presunto;
  2. Retirar o pato do lume para logo a seguir ser desfiado, sem esquecer de reservar o chouriço, o presunto e a água da cozedura;
  3. Confecionar o arroz, mas fazendo primeiro um ligeiro refogado com a cebola e o azeite num tacho;
  4. Colocar o arroz carolino no tacho, contudo deixá-lo fritar um pouco antes de verter a água da cozedura do pato a ferver;
  5. Não esquecer de deixar cozer o arroz em lume brando;
  6. Entretanto, cortar o chouriço em rodelas e o presunto em pequenas lascas e reservar;
  7. Ligar o forno a 180ºC e, ao mesmo tempo, escolher um tabuleiro de ir ao forno; 
  8. No tabuleiro: fazer uma camada de arroz, colocar por cima o pato desfiado, voltar a tapar com arroz e, por fim, espalhar o chouriço cortado às rodelas e o presunto às lascas;
  9. Por último, levar o tabuleiro ao forno até a parte de cima começar a tostar e servir.

(fonte: https://www.24kitchen.pt/receita/arroz-de-pato-a-antiga,

http://iberismos.com/arroz-de-pato)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O Pão de Ló da minha Infância!

É com imenso carinho que recordo parte da minha infância, juntamente com a minha mãe, na cozinha da antiga casa de Leiria…

E era com todo o gosto que, por exemplo, a ajudava a preparar a massa dos bolos para os dias de festa, ou simplesmente para o almoço de domingo…

Depois, como ainda não havia computadores, consolas ou quaisquer telemóveis, gostava de ir para a rua brincar com as minhas bonecas, ou então de andar de baloiço com as minhas amigas, bem como de jogar com elas ao “elástico” ou ao “lencinho”…

Só sei que é sempre uma grande alegria, sobretudo na altura em que o bolo vai para o forno, pois é nessa altura exata que, cá em casa, se pega na tigela de bater a massa e existe a grande oportunidade de, recordando os tempos de outrora, digamos que, «provar» a massa crua, bem como aquela que ainda resta na espátula intitulada de Salazar:

«Em Portugal, termo sábio que vem mais uma vez demonstrar a enorme capacidade criativa do Zé Povinho, sabendo fazer a analogia perfeita entre um utensílio que tem por finalidade evitar o desperdício, limpando ou rapando tudo e não deixando nada, e o homem que, à altura, tinha sido Ministro das Finanças (Fazenda) e depois Presidente do Conselho de Ministros que liderou durante 40 anos, e … outras histórias que agora não são para aqui chamadas.” (Neves, AJ)»

Pois bem: agora contem-me lá, meus caros leitores deste Blog, qual é que é, afinal, o bolo tradicional que só leva ovos, farinha e açúcar?

É o… Pão de Ló:

«Pensa-se que surgiu como doce conventual em Ovar e que a sua confecção é anterior ao século XVIII. “ló” significa escumilha, isto é um tecido fino e transparente, mas também, e isto é que é interessante, significa o lado onde sopra o vento, ou seja o barlavento. Pensa-se que de início, o pão-de-ló era apelidado de “bolo de castela” e que só depois foi nomeado de “ló”. Seja como for nos dois casos o nome evoca a sua característica de leveza. Quando os portugueses chegaram ao Japão em 1541, tendo sido os primeiros europeus a embarcarem nessa ilha, os nipônicos adoptaram esse bolo de “castela” e chamaram-no de Kasutera ou Kastera (correspondendo estas formas a dificuldades de dicção). Em França este tipo de bolo é chamado de genovês ou “genoise” e pensa-se que a sua origem vem do Gênova, no norte da Itália. Já na Itália, chama-se “Pan di spagna”, ou seja pão de Espanha. No Reino Unido tem o nome de “sponge cake”.»

É que nem é preciso adicionar-se qualquer tipo de fermento, bastando bater-se a respetiva massa cerca de 30 minutos!

E se, por acaso, tiverem, na vossa casa, as formas de barro, tanto melhor, porque o resultado será ainda mais próximo do original, bem como a possibilidade de utilizarem um forno a lenha, tal como podem ver aqui!

Então não percamos mais tempo e vamos já para a cozinha preparar este belíssimo bolo, pode ser?

Só uma pequena nota antes: dependendo do gosto de cada um, e naturalmente da receita que é utilizada por cada região do nosso lindo país (Pão de Ló de Ovar, de Margaride, de Alfeizeirão, etc), para além do facto de também servir de base para outros doces (fofos de Belas, sopa dourada, etc), aconselho-vos vivamente a deixarem a massa cozer no forno só até entre 15 a 20 minutos, de forma a ficar ainda húmido por dentro.

RECEITA DA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Pão de Ló

Ingredientes:

  • 4 gemas de ovo
  • 4 ovos inteiros
  • 1/2 de colher de café de sal
  • 220 g de açúcar
  • açúcar em pó q. b.
  • 155 g de farinha de trigo

Confeção:

  1. Aquecer o fogo a 180º C;
  2. Preparar a forma do bolo, forrando-a com folhas de papel vegetal, para criar o formato tradicional do Pão de Ló e reservar;
  3. Bater as gemas e os ovos com o sal por 30 minutos, com uma batedeira elétrica em velocidade alta;
  4. Juntar o açúcar e bater por mais dez minutos;
  5. Polvilhar a farinha por cima da massa e misturar com uma espátula, fazendo movimentos circulares do fundo para cima até a farinha ser absorvida;
  6. Verter a massa na forma, com cuidado, para depois a colocar no forno cerca de 20 minutos, tapando-a ainda, com algum jeito, com uma folha de papel de alumínio;
  7. Retirar o bolo do forno e servir com um pouco de açúcar em pó por cima, devendo-se, por tradição, partir-se à mão em vez de se cortar com a faca.

(fontes: https://www.cozinhadamarcia.com.br/receitas/pes/pao-de-lo-portugues,

http://etimoteca.blogspot.com/2011/12/pao-do-lo.html,

https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/salazar/595/)

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Torta de Laranja à Moda Antiga versus Torta de Segredos

Sabiam que a laranja doce foi trazida da China para a Europa, no século XVI, pelos portugueses, e por isso mesmo é que as laranjas doces são denominadas “portuguesas” em vários países, especialmente nos Balcãs?

E muito embora o seu sabor varie muito de região para região, no que diz respeito ao nosso Portugal, temos que, para mim, a melhor laranja, nomeadamente para ser comida ao natural, é, sem dúvida, a que é oriunda da zona do Algarve!

Sabe-se que, na Ásia e Médio Oriente, a laranjeira assumiu o papel de árvore ornamental, sendo muito comum aparecer nos pátios das casas árabes abastadas, geralmente associada a uma fonte ou a um lago.

Mas, a laranja, terá visto o seu cultivo iniciar-se há cerca de 7000 anos, presumindo-se que os primeiros pomares de laranjeiras se desenvolveram no primeiro milénio, na China.

Atualmente, a laranja é o segundo fruto mais consumido no mundo, a seguir à maçã, já para não falar do facto do Brasil ser o maior produtor mundial de laranja!

E vai daí que pensei em fazer a clássica Torta de Laranja, à qual denominei de «Torta de Laranja à Moda Antiga», mas também a intitulada «Torta de Segredos», colocando em evidência duas belas zonas de Portugal, tal como podemos observar numa das crónicas escritas pelo reconhecido Gastrónomo Virgílio Nogueiro Gomes aqui:

“(…) na categoria de tortas doces, encontramos a Torta de Segredos, oriunda do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Aveiro, e que seguramente deu origem às tortas de laranja. Esta torta é confecionada a partir de uma massa de gemas de ovo com açúcar e sumo de laranja. Esta massa vai cozer ao forno e, depois de cozer, é coberta com as claras, que sobraram das gemas, batidas em castelo com açúcar. Vai novamente ao forno e, quando as pontas ficam douradas, enrola-se tendo o cuidado de não deixar quebrar. Mas a Torta de Laranja, como hoje é mais conhecida, deve ter sido oriunda do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Lagos. A torta é confecionada misturando sumo de laranja com ovos e açúcar. Vai cozer ao forno em forma barrada com manteiga e depois é enrolada polvilhando com açúcar. Esta também é muito conhecida por Torta de Laranja de Setúbal. Muito embora as laranjas do Algarve já fossem conhecidas pela sua qualidade e sabor, foi possivelmente pelo sucesso de enxertia das laranjeiras de Setúbal que obtiveram laranjas muito doces, que esta região escolheu a torta como um dos seus emblemas doceiros. É certo que em Setúbal esteve instalado um convento de Clarissas no Convento de Jesus onde está agora um museu.

Tenham portanto, em atenção, as duas próximas receitas de Torta de Laranja, amplamente relacionadas com as encontradas acima, para depois me escreverem nos comentários qual é que é a vossa preferida, alinham?

RECEITAS NA CATEGORIA DE TRADIÇÕES:

  • Torta de Segredos

Ingredientes:

Camada 1:

  • 8 gemas
  • 250g de açúcar
  • Casca e sumo de 1 laranja

Camada 2:

  • 8 claras
  • 50g de açúcar
  • Manteiga e farinha q.b.

Confeção:

  1. Misturar as gemas com o açúcar, a casca de laranja ralada e também o sumo.
  2. Verter esta mistura num tabuleiro untado com manteiga e polvilhado de farinha, com recurso a uma folha de papel vegetal.
  3. Levar ao forno previamente aquecido a 180ºC.
  4. Depois de cozido, cerca de 30 minutos, colocar por cima as claras batidas em castelo firme juntamente com o restante açúcar.
  5. Colocar outra vez no forno até às claras cozerem, deixando-se depois arrefecer por completo antes de desenformar.
  6. Desenformar cuidadosamente sobre um pano polvilhado com açúcar, devendo-se retirar o papel vegetal com cuidado.
  7. Enrolar com o auxilio do pano e de forma a ficar o mais fechada possível.
  • Torta de Laranja à Moda Antiga

Ingredientes:

  • 250 gr de açúcar
  • 6 ovos
  • 1 colher de sopa de amido de milho (maisena)
  • Sumo de 2 laranjas
  • Raspa de 1 laranja

Confeção:

  1. Untar com manteiga um tabuleiro de torta e polvilhar com açúcar.
  2. Pré-aquecer o forno a 180ºC.
  3. Colocar o açúcar com a maisena numa tigela, raspar a casca da laranja com o ralador e envolver muito bem.
  4. Adicionar os ovos e bater muito bem com a batedeira.
  5. Adicionar o sumo de laranja, para depois, quando estiver tudo bem misturado, verter para o tabuleiro previamente preparado.
  6. Levar ao forno cerca de 15 minutos.
  7. Desenformar a massa já cozida sobre um pano polvilhado com açúcar, de forma a enrolar-se com cuidado.

(fontes: http://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas-pt/536-tortas-99118797,

http://amigos-da-cozinha.blogspot.com/2017/12/torta-de-laranja-antiga.html,

http://teresadeodatotudoaolho.blogspot.com/2015/04/torta-de-segredos.html,

https://pt.wikipedia.org/wiki/Laranja,

https://www.cm-silves.pt)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas!

O Mosteiro de São Dinis de Odivelas, ou Mosteiro de Odivelasclassificado, desde 1910, como Monumento Nacional, localiza-se no largo de D. Dinis, freguesia de Odivelas, Portugal. Acrescente- se ainda que este mosteiro, da Ordem de Cister, foi fundado, em 1295, por D. Dinis, o Lavrador, ou Poeta, ou seja, pelo Rei de Portugal e do Algarve de 1279 até a sua morte. 


Reza a lenda que D. Dinis tomou esta iniciativa como forma de pagamento de uma promessa feita a São Luís, quando, numa caçada no Alentejo, foi surpreendido por um urso. Perante a aparição do santo, o rei recobrou forças e conseguiu neutralizar o enorme animal.

A escolha do local para D. Dinis cumprir a sua promessa incidiu numa propriedade do Rei no termo de Lisboa, Odivelas, onde se situava a “Quinta das Flores”. Esta zona gozava de ótimos recursos naturais, nomeadamente: solos férteis, um curso de água, e ainda uma morfologia que formava um abrigo natural para as culturas. O mosteiro destinava-se a receber uma comunidade feminina cisterciense, e a escolha do local pretendia assegurar a subsistência das monjas e garantir o recato das mesmas, sendo criados campos de cultivo junto ao mosteiro. 

Em 1325 morre D. Dinis e, conforme sua vontade, é sepultado no mosteiro que representa talvez a obra arquitetónica mais emblemática do seu reinado; entre 1900 e 2015 funcionou no mosteiro o Instituto de Odivelas; em 2017 o Exército cedeu o mosteiro à Câmara de Odivelas.

Por outro lado, também se sabe que o chamado Pinhal de Leiria foi inicialmente mandado plantar pelo rei D. Afonso III (1248-1279), no século XIII, com o intuito de travar o avanço e degradação das dunas, bem como proteger a cidade de Leiria e o seu Castelo e os terrenos agrícolas da sua degradação devido às areias transportadas pelo vento. 
Mas, mais tarde, entre 1279 e 1325, foi aumentado substancialmente pelo mesmo rei D. Dinis I, para as dimensões atuais. 

E este mesmo pinhal foi muito importante para os Descobrimentos Marítimos, pois a madeira dos pinheiros era usada para a construção de embarcações e o pez (alcatrão vegetal extraído dos pinheiros) foi ainda usado para proteger as caravelas. 

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas

Estes bolinhos, de origem conventual, são portanto típicos de Odivelas, logo da região de Lisboa, de onde provêm outras receitas igualmente deliciosas, tais como a Marmelada Branca de Odivelas, que eu por acaso também já experimentei a fazer!

Os bolinhos de Abóbora são feitos à base de abóbora, açúcar, coco e ovos, mas também fáceis de preparar e ótimos para saborear a qualquer hora, bom proveito!

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 200 gr de açúcar
  • 4 ovos
  • 400 gr de abóbora
  • 60 gr de coco ralado
  • 70 gr de farinha de trigo
  • açúcar em pó p/ polvilhar












 Confeção do modo Tradicional:

  1. Cozer a abóbora em água a ferver;
  2. Coar a água e reservar a abóbora;
  3. Retirar 130 ml da água da cozedura, juntar o açúcar e levar ao lume até levantar fervura;
  4. Adicionar a abóbora e deixar apurar um pouco;
  5. Passar o preparado com a varinha mágica e acrescentar o coco;
  6. Manter alguns minutos ao lume, a temperatura moderada;
  7. Retirar do calor e deixar arrefecer um pouco;
  8. Ligar o forno a 180º C;
  9. Adicionar os ovos ao preparado e misturar;
  10. Juntar a farinha e o fermento, envolvendo bem, até obter uma massa homogénea;
  11. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa;
  12. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos;
  13. Deixar arrefecer os bolinhos e polvilhá-los com açúcar em pó.


Confeção na Bimby:

  1. Colocar no copo a água e o cesto com a abóbora e programar 20 min/ Varoma/ vel 2.
  2. Retirar e reservar a água da cozedura.
  3. Colocar no copo 130 g da água reservada, o açúcar e programe 20 min/ Varoma/ vel 1.
  4. Adicionar a abóbora, programar 30 segundos e triturar, progressivamente, até à velocidade 7.
  5. Acrescentar o coco e programar 5 min/ 100º C/ vel 2.
  6. Retirar o copo da base da Bimby e deixar arrefecer até aos 60º C.
  7. Ligar o forno a 180º C.
  8. Adicionar os ovos e misturar 1 min/ vel 2.
  9. Juntar a farinha e o fermento e programar 20 seg/ vel 3.
  10. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa.
  11. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos.
  12. Deixar arrefecer os bolinhos de abóbora e polvilhá-los com açúcar em pó.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

As Cavacas de Caldas da Rainha!

A cidade das Caldas da Rainha e a Rainha D. Leonor

Caldas da Rainha, sendo sede de um município com 255,69 km² de área, ao qual pertencem 12 freguesias, é uma cidade portuguesa, com certeza, somando 30 343 habitantes no seu perímetro urbano (2012), a segunda maior do Distrito de Leiria, pertencente à sub-região do Oeste, região Centro, e por sua vez integrada na Região de Turismo do Oeste.

Na Praça da República, conhecida popularmente como “Praça da Fruta“, realiza-se todos os dias, durante a parte da manhã, ao ar livre, o único mercado diário hortofrutícola do país, praticamente inalterável desde o final do século XIX.
Quanto à sua história, acha-se que, em 1484, durante uma viagem de Óbidos à Batalha, a rainha D. Leonor, esposa de João II de Portugal, e a sua corte, terão passado por um local onde várias pessoas do povo se banhavam em águas com um odor bastante intenso, que ao indagar-lhes por que razão o faziam, ter-lhe-ão respondido que eram doentes e que aquelas águas possuíam poderes curativos. 

A rainha quis então por isso comprovar a veracidade dessa informação, banhando-se também ali de cada vez que ficava doente. De qualquer modo, e de acordo com a lenda, a soberana curou-se, tendo determinado, logo no ano seguinte, erguer naquele preciso lugar um hospital termal para atender todos quanto se quisessem tratar!

E foi durante o século XIX, que Caldas da Rainha, depois de ter atingido o seu estatuto de vila em 1511, conheceu o seu maior esplendor, com a moda das estâncias termais, passando a ser frequentada pelas classes mais abastadas que buscavam águas sulfurosas para tratamentos.

Ao mesmo tempo, a abundância de argila na região permitiu que se desenvolvessem numerosas fábricas de cerâmica, convertendo-se, igualmente, num dos principais centros produtores do país, com destaque para as criações de Rafael Bordalo Pinheiro iniciadas na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, entre 1884 e 1907.

A origem das Cavacas de Caldas da Rainha

Comece-se por assinalar que as cavacas são doces regionais que se encontram sob diversas formas e sabores em várias regiões de Portugal, que apesar das suas diferenças, a designação mantém-se, pois todas as receitas têm algo em comum: a cobertura merengada e a textura própria da massa!

As Cavacas das Caldas fazem assim parte da gastronomia típica da região de Caldas da Rainha, que ao constituir-se num ponto forte de atração à cidade, a história da sua confeção estará para sempre ligada à freguesia de S. Gregório, mais precisamente à aldeia da Fanadia, local onde nasceram as irmãs Rosalina e Gertrudes Carlota.

Estas duas senhoras, segundo reza a história, ficaram célebres por exercerem a atividade de doceiras, em Lisboa, na corte do Rei D. Carlos. Porém, com a crise e a queda da Monarquia, em resultado do Regicídio de 1908 e da implantação da República a 5 de outubro de 1910, as mesmas senhoras voltaram à sua terra natal, tendo-se dedicado, junto ao Hospital Termal, à venda de cavacas e beijinhos, tornando-se na própria imagem da cidade!

Uma Receita das Cavacas de Caldas da Rainha


Ingredientes:

Cavacas: 

  • 400 g de farinha
  • 30 g de margarina derretida
  • 6 ovos grandes
  • 1 colher (café) de sal fino
  • Azeite para untar
  • Farinha para passar

Cobertura:

  • 150 g de açúcar em pó
  • 1 clara
  • Sumo de limão q.b.

Confeção:

1) Deitar primeiro os ovos numa tigela e depois o sal e a farinha peneirada, aos poucos, batendo muito bem com uma colher de pau, para depois adicionar a margarina derretida e bater novamente até ficar uma massa «elástica».

2) Untar algumas formas de queques com azeite, dividindo a massa de modo a não ultrapassar os 3/4 de altura, sem esquecer de passar o dedo polegar em farinha para pressionar no meio da massa até ela começar a subir as margens.

3) Colocar as formas no forno pré-aquecido a 220°C, durante cerca 20 minutos, para logo a seguir baixar para 180°C, durante mais 20 minutos; desenformar tudo e reservar.

4) Fazer a cobertura, deitando primeiro a clara para uma tigela, depois o açúcar em pó e umas gotas de sumo de limão, a gosto, misturando tudo muito bem até ficar um creme mais seco; deitar o preparado obtido sobre as cavacas, deixando-as secar antes de serem servidas.

(fontes: https://www.teleculinaria.pt

https://pt.wikipedia.org,