O toucinho do céu é um doce tipicamente português, de origem conventual, cujo nome se deve ao fato de a receita original ter sido mesmo confecionada com banha de porco, em vez da manteiga que proponho mais abaixo na descrição da receita.
E apesar de existirem algumas variações do tradicional, pensa-se, tendo em conta algumas pesquisas que eu fiz, que a receita original foi criada pelas freiras que se encontravam isoladas no mosteiro em Murça, uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Vila Real, à Região Norte de Portugal, sendo sempre feita à base de açúcar, amêndoas e gemas.
“Toucinho do céu é uma sobremesa tradicional de Portugal e Espanha, de cor amarela intensa. À base de ovos e açúcar, originou-se nos conventos, razão da denominação coletiva de doçaria conventual desta categoria de doces.
Consiste numa espécie de bolo feito com açúcar em ponto pérola ao qual se adicionam amêndoas moídas, por vezes, doce de gila e, finalmente, uma grande porção de gemas de ovos. O nome Toucinho do Céu deve-se ao facto de a versão original ter banha de porco como ingrediente. Faz-se em todo o país, com diferenças de região para região, sendo os toucinhos do céu mais afamados os de Guimarães, Murça e Trás-os-Montes.”
RECEITA DA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Toucinho do Céu
Ingredientes:
500 g de açúcar
3 claras
9 gemas
250 g de farinha de amêndoa
60 g de farinha de trigo
2,5 dl de água
50 g de manteiga
açúcar em pó q.b.
Confeção:
Colocar, ao lume, a água com o açúcar, até atingir o ponto pérola, ou seja, os 108ºC, recorrendo a um termómetro.
Misturar as claras com as gemas, para depois adicionar a calda anterior entretanto já um pouco arrefecida, lentamente e mexendo sempre, para não cozer os ovos.
Devolver o preparado anterior ao tacho, mantendo-o em lume brando e sem nunca parar de mexer.
Acrescentar a manteiga e deixar derreter.
Misturar a farinha de trigo com a farinha de amêndoa antes de adicionar ao tacho.
Deixar arrefecer ligeiramente, antes de colocar a massa numa forma forrada com manteiga e papel vegetal.
Levar a forma ao forno cerca de 30 minutos a 180ºC.
Deixar arrefecer e só depois desenformar, devendo-se polvilhar com açúcar em pó a gosto no momento de servir.
Nem acredito que hoje faço… 40 anos!! Uffa, como a vida passa a correr: passam-se dias, passam-se semanas, passam-se meses, passam-se anos, até que, de repente, acordamos e pensamos… “mas que loucura é esta, já vivi quatro décadas, ou melhor, já vivi quase meio século?!” Mas, digamos que, estou pronta para o que der e vier daqui para a frente, pois, ao olhar-me ao espelho hojelogo de manhã, deparei-me com alguém capaz de continuar a torcer pelos seus próprios sonhos e sempre de mãos dadas com quem lhe quer bem e por quem sente amor de verdade!
Eu acredito que esta vida é uma curta-metragem, um bilhete de ida para uma outra vida ainda melhor e mais demorada num tempo sem tempo, logo sem volta; portanto, não há que desanimar, que venham muitas mais décadas, pois estou predisposta a viver tudo quanto foi “reservado” para mim! E é desta forma que vos presenteio com um bolo, o meu bolo de aniversário dos 40 anos, mas o meu primeiro… Oreo Drip Cake, parabéns a vocês também! E um muito obrigada a todos os meus leitores, por continuarem a abraçar este meu projeto Cozinha Com Rosto, pois é algo em que eu consigo também realizar-me como “pessoa”, tendo-o começado a realizar durante a minha… 30.ª década!
RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Oreo Drip Cake
Ingredientes: Massa:
400 gr de manteiga
400 gr de açúcar
8 ovos
325 gr de farinha
75 gr de cacau em pó
2 colheres de chá de fermento em pó
4 colheres de sopa de leite
Recheio e cobertura (Oreobuttercream):
300 gr de manteiga à temperatura ambiente
650 gr de açúcar em pó
1 embalagem de Oreos
4 colheres de sopa de leite
Decoração:
200 gr de chocolate
2 colheres de sopa de óleo
Oreos inteiros e esmagados q. b.
Confeção: Massa:
Aquecer o forno a 180 ºC e forrar três formas de bolo de 20 cm com papel manteiga no fundo.
Numa batedeira, bater a manteiga e o açúcar até ficar leve e fofo, para depois adicionar, aos poucos, a farinha, o cacau em pó, os ovos batidos e o fermento em pó, batendo novamente a seguir; mais tarde, verter o leite e misturar tudo muito bem.
Distribuir a mistura pelas três formas reservadas, para depois as levar ao forno cerca de 30 minutos, devendo esperar alguns minutos antes de mais tarde os retirar das ditas formas, de forma a deixá-los arrefecer numa grade virados para baixo.
Recheio, cobertura e decoração:
Numa batedeira, deixar bater a manteiga muito bem, durante vários minutos, porque só depois é que se deve adicionar o açúcar fino, aos poucos, continuando sempre a bater, até que esteja tudo muito bem misturado, com uma textura esponjosa e uma tonalidade esbranquiçada.
Picar o pacote de Oreo até uma migalha fina, para em seguida acrescentar ao preparado anterior, deixando bater tudo mais uma vez até ficar um creme homogéneo antes de verter o leite, de forma a criar uma certa consistência.
Colocar o primeiro bolo no prato de servir, e ainda virado para baixo, para depois espalhar um pouco do creme de manteiga anterior por cima; adicionar o segundo bolo por cima e, em seguida, cobrir novamente com um pouco do mesmo creme; fazer o mesmo com o terceiro bolo.
Continuar a espalhar uma camada finado creme de manteiga anterior em redor de todo o bolo agora composto pelas três camadas, para depois o levar ao frigorífico cerca de 10 minutos antes de colocar uma segunda camada. 5) Derreter o chocolate e adicione o óleo, batendo tudo muito bem até obter uma consistência drippy; quando arrefecer, com algum tipo de utensílio, verter delicadamente umas pequenas “gotículas” em volta da borda de todo o bolo, de forma a fazer o efeito nas fotografias ao longo deste texto.
Preencher o topo do bolo com o resto do chocolate e levar ao frigorífico cerca de 10 minutos antes de fazer, a gosto, algumas pequenas rosetas ainda com o que sobrou do creme de manteiga no topo do bolo, para além de adicionar Oreos inteiro e ainda polvilhar tudo com alguns Oreos esmagados, conforme podem verificar nas imagens.
“Ò freguesinho, não vai meio arrátele? Olhe que são de Resende!”, era desta forma que as doceiras do concelho apregoavam, no século XIX, um dos doces regionais mais deliciosos e apreciados nesta região duriense: as Cavacas de Resende. Este relato é referido num Jornal da época, que ainda salienta o seguinte: “Logo de manhã as doceiras estendiam sobre a toalha, toda franjada de rendas, vários doces muito cobertos de açúcar que despertavam a gulodice dos romeiros”. Cavaca é um doce de origem portuguesa. Este doce nasceu nos velhos conventos de Portugal. A sua receita contém ovos, açúcar, farinha, óleo de girassol e baunilha. Um dos exemplares mais conhecidos são então as Cavacas de Resende, oriundas do concelho de Resende, tendo encontrado algumas variações, a partir das quais selecionei duas, para mais tarde ainda ser selecionada só uma, de forma a voltar inscrever-me na 7.ª Edição do Concurso de “A Mesa dos Portugueses“, ou seja, deste ano, na categoria da «doçaria» a ver com a zona da «Beira Interior»!
Uma lenda sobre a sua possível origem: “Na Idade Média, uma senhora que residia em Vinhós preparava a boda de casamento da sua filha e confeccionou o bolo de noiva, entretanto, o casamento teve de ser adiado devido a uma peste que estava a assolar o concelho e, dadas as parcas possibilidades económicas, a senhora viu-se obrigada a conservar o bolo até á data do casamento, pelo que retirou a parte de cima daquele e molhou a parte restante numa calda de açúcar que lhe restituiu a frescura e fez as delícias de todos os convidados.” Já agora, qual a vossa opinião a ver com cada uma das receitas imediatamente abaixo descritas? Por acaso já alguém experimentou a fazer alguma delas? E será que preferiam igualmente a RECEITA 2, tal como eu, talvez por ser, na minha mais modesta opinião, a mais próxima da receita original?
RECEITAS NA CATEGORIA DE SOBREMESA:
Cavacas de Resende 1
Ingredientes:
Para a massa:
280 g de farinha
250 g de açúcar
7 gemas + 6 ovos
Margarina para untar
Farinha para polvilhar
Para a calda:
150 g de açúcar
1,5 dl de água
2 colheres (sopa) de Vinho do Porto
Para o glacé:
2 claras
4 colheres (sopa) de açúcar em pó
Confeção:
Ligar o forno a 180°C e barrar um tabuleiro com margarina para depois ser polvilhado com farinha.
Deitar os ovos para uma tigela, juntar as gemas e o açúcar, batendo durante 20 minutos.
Adicionar a farinha peneirada e misturar tudo muito delicadamente.
Deitar a mistura anterior para o tabuleiro reservado e levar ao forno durante 35 minutos, devendo verificar a cozedura com um palito, para depois retirar, desenformar e deixar arrefecer.
Preparar a calda: deitar a água e o açúcar para um tacho, levando ao lume para deixar ferver.
Desligar o lume, juntar o Vinho do Porto e deixar arrefecer.
Fazer o glacé: bater as claras em castelo, juntar o açúcar em pó e misturar bem.
Cortar o bolo em fatias retangulares, devendo ser regadas com a calda e ainda barrar por cima com o glacé, deixando depois secar antes de servir.
Esta delícia da doçaria tradicional, conhecida desde tempos imemoriais, ainda é feita, por regra, à moda antiga, mexida à mão e cozida nos fornos alimentados a lenha, tal como faziam no tempo dos nossos avós.
Segundo o método artesanal, a massa bate-se num aparelho movido à mão denominado “banco” (utensílio constituído por um alguidar dentro de um banco, ladeado por umas correias que batem a massa), devem utilizar-se ovos muito frescos e caseiros.
Cavacas Resende 2
Ingredientes:
320 gr de farinha
750 gr de açúcar
15 ovos
1 colher de sopa de manteiga
200 ml de água
Confeção:
Ligar o forno a 180°C e deixar já preparado um tabuleiro retangular, de bordos altos, bem untado com a manteiga e polvilhado com farinha q. b..
Misturar 8 ovos inteiros com 7 gemas numa tigela, para depois adicionar 250 gr de açúcar e bater tudo muito bem cerca de 20 minutos.
Juntar 280 gr de farinha peneirada e misturar delicadamente ao preparado anterior, até a massa ficar bem ligada e homogénea.
Deitar a massa no tal tabuleiro reservado, para logo a seguir levá-la a cozer ao forno durante cerca de 30 minutos.
Quando verificar que a massa já está cozida com a ajuda de um palito, deve ser retirada do forno e virada sobre um guardanapo, deixando-a assim a arrefecer.
Entretanto, preparar uma calda de açúcar em ponto de espadana com 500 gr açúcar e a água, podendo recorrer-se a um termómetro, cuja temperatura a atingir deverá ser de 117º.
Após cortar o bolo em fatias retangulares com cerca de 5 cm de largura, molhar os lados de cada fatia na tal calda de açúcar, com cuidado, para além de pincelar a superfície com a mesma, seguida imediatamente de um pouco de farinha com a ajuda de uma colher, de forma a ficar esbranquiçada ao endurecer.
Deixar as cavacas secarem sobre uma grade, sendo ótimas para serem servidas mais tarde com Vinho do Porto.