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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Sal-Gema, o que é + 23 Utilidades do Sal

SAL-GEMA, O QUE É?

Em primeiro lugar, o produto Sal-gema é o cloreto de sódio acompanhado de cloreto de potássio e de cloreto de magnésio que está alojado em jazidas na superfície terrestre, pertencendo ao grupo das rochas sedimentares.

Em segundo lugar, este termo aplica-se ao sal obtido da precipitação química pela evaporação da água de antigas bacias marinhas em ambientes sedimentares. Para isso, o mesmo é extraído pelo método de lavra por solução e pelo método de lavra subterrânea convencional. E os únicos locais de extração de sal-gema em Portugal localizados em Loulé e Rio Maior, tornaram-se num vestígio da presença do mar em épocas remotas.

AS SALINAS DE RIO MAIOR

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No que diz respeito às Salinas de Rio Maior, temos que estas situam-se a cerca de 3 km do centro da cidade de Rio Maior, encaixadas num vale no sopé da Serra dos Candeeiros, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Classificadas como Imóvel de Interesse Público desde dezembro de 1997, são portanto as únicas que se encontram em pleno funcionamento na Europa. E ainda que a primeira referência à sua existência seja de 1177, pensa-se que o aproveitamento do sal-gema já seria feito desde a Pré-história!

Uma mina de sal-gema, extensa e profunda, segundo os técnicos, atravessada por uma corrente subterrânea que alimenta um poço, faz com que a água dele extraída seja sete vezes mais salgada que a do mar. Da sua exposição ao sol e ao vento e consequente evaporação da água obtêm-se o sal, depositado no fundo dos talhos, o qual depois é colocado em montes, em forma de pirâmides, para secar até ser recolhido.

UM POUCO DE HISTÓRIA

E segundo o que se sabe, o poço atual foi aberto devido ao acaso: uma rapariga que apascentava uns animais, para mitigar a sede, tentou beber numa poça de água que aflorava num juncal; o sabor fortemente salgado foi-lhe extremamente desagradável e comentou isso ao chegar a casa; seu pai e vizinhos apressaram-se a ir cavar em tal sítio de onde surgiu o poço atual, tendo secado depois o primitivo.

As típicas tabernas eram montadas nalgumas das casas de madeira e funcionavam apenas durante a “safra”: com o trabalho duro da marinha, em noites frias e húmidas, os homens sentiam necessidade de ingerir doses avultadas de álcool, sendo por isso frequente passar-se pela taberna; o taberneiro montava a sua escrita em tábuas de madeira com cerca de 1,5 m por 10 a 15 cm, descrevendo a conta de um freguês; na régua era escrita, com sinais convencionais, a despesa que o cliente ia fazendo ao longo da safra e os pagamentos que ia efetuando. Desta forma: se, por um lado, o cliente sabia sempre quanto devia e os outros ficavam a saber se ele era ou não um bom bebedor, por outro lado, o taberneiro ia recebendo as suas contas mais facilmente, cujo pagamento era sempre feito em sal.

O COMÉRCIO DO SAL

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Acrescente-se que, antigamente, o sal era uma substância importante no comércio entre os povos como moeda de troca, sendo utilizado como pagamento de jornas, daí a proveniência da palavra salário. E para além de ser apreciado como condimento desde as civilizações mais antigas, começou também a ser usado como produto essencial para a conservação dos alimentos, já que eram desconhecidos os atuais métodos de refrigeração, bem como na preparação de peles e conservação de couros.

Por tudo isto, o domínio do comércio do sal foi sempre uma preocupação primordial dos mais poderosos e influentes, controlando o que era enviado, com outros produtos, para o Mediterrâneo e daí para Oriente, pelos Árabes, ou então para o norte da Europa, pelos Cristãos, através das Ordens religiosas.

Portanto, o mar, os rios e as vias romanas, eram os elos de ligação entre os povos. E sendo Rio Maior navegável até parte do seu percurso, era natural que fosse utilizado para comunicação com o Tejo, porta de saída principal para o comércio externo, no qual se incluiria o sal pela sua extrema qualidade.

23 UTILIDADES DO SAL

SAL

Em conclusão, todos nós sabemos que o sal é um dos temperos mais tradicionais na culinária! Mas sabia que, os seus benefícios para a saúde estão relacionados com o iodo? E olhe que este composto é essencial para as hormonas da tiróide intimamente ligadas à produção de energia do nosso corpo.

Além disso, o sódio presente no sal, quando combinado com o potássio, ajuda a manter o ritmo cardíaco normal. Portanto, o tempero é só uma das múltiplas utilidades do mesmo, podendo, assim, ser utilizado para facilitar a nossa vida noutras áreas.

Neste sentido, tive o cuidado de selecionar, para si, uma série de utilidades, que de certeza vão ajudá-lo no seu dia a dia!

A LISTA

  1. eliminar os cheiros a alho, cebola ou peixe das mãos: utilizar uma mistura de sal com vinagre e lavar as mãos;
  2. remover os cheiros de comida nos recipientes plásticos: colocar uma colher de sal dentro dos potes e deixar atuar de um dia para outro;
  3. retirar odores dos pés no calçado: colocar um pouco de sal dentro do calçado;
  4. remover as manchas brancas que ficam nos móveis: passar uma mistura do sal com óleo vegetal sobre a mancha, em proporções iguais, deixando atuar 1 a 2 horas antes de esfregar;
  5. limpar o forno: borrifar uma mistura de água, sal e canela no forno, ainda quente, e deixar arrefecer, para remover tudo com uma esponja;
  6. evitar que as frutas, como a maçã e a pêra descascadas, fiquem escuras: aplicar nelas água com sal;
  7. ajudar a manter as panelas limpas e brilhantes: misturar um pouco de sal à água e esfregar com um pano;
  8. alargar a vida útil do queijo dentro do frigorífico:sal

    derramar um pouco de sal sobre ele;

  9. aliviar a dor de garganta ou ajudar a tratar as aftas na boca: gargarejar água quente com um pouco de sal de cozinha;
  10. aumentar a durabilidade de uma escova de dentes: mergulhá-la em água com sal antes de utilizá-la pela primeira vez;
  11. diminuir as chamas ou apagar o fogo durante os churrascos: aplicar sal para controlar as chamas;
  12. aumentar a vida útil das velas: antes de as usar, deixá-las durante algumas horas numa solução com água e sal, secando-as bem;
  13. deixar o frigorífico limpo e com um cheiro agradável: utilizar água gaseificada com sal na sua limpeza;
  14. evitar o mau cheiro e os entupimentos com restos de comida, nos canos da cozinha: despejar água quente com sal no ralo da pia;
  15. limpar utensílios de bronze e cobre: aplicar uma mistura com farinha, sal e vinagre sobre os objetos e deixar atuar 1 hora antes de limpar;
  16. remover a gordura da frigideira

    sal

    aplicar um pouco de sal e remover a sujidade com um pano húmido ou uma batata;

  17. realçar as cores dos tapetes de fibra ou das cortinas: colocar sal na água para lavar as peças;
  18. afastar formigas de certas zonas da casa: borrifar sal nos rodapés, cantos ou armários, afastando-as da área em questão;
  19. remover manchas de suor das roupas: usar uma mistura de 4 colheres de sopa de sal para 1 litro de água;
  20. retirar o cheiro a mofopassar uma mistura de sumo de limão, água quente e sal, por cima do local, deixar atuar e limpar;
  21. desinfetar as esponjas: mergulhá-las numa mistura de água morna e 2 colheres de sal, deixar atuar algumas horas e lavar, retirandor o excesso de água;
  22. ajudar a refrescar as bebidas: num recipiente, colocar camadas de gelo e sal intercaladas junto com as bebidas até à hora de servir;
  23. aliviar o ardor e a comichão de uma picada de inseto: passar, por cima do local, com água gelada salgada ou sal misturado com azeite.

NOTA IMPORTANTE

Para ter acesso gratuito ao artigo sobre as Salinas de Rio Maior, na Revista Digital “P´ra Mesa” Nº13, no caso de não ser ainda Subscritor deste Blog, clique aqui para saber como recebê-la diretamente e de forma gratuita no seu email!

 

(fonte: https://pt.wikipedia.org,

https://www.turismoriomaior.pt,

https://guiadacozinha.com.br/)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O Pão de Ló da minha Infância!

É com imenso carinho que recordo parte da minha infância, juntamente com a minha mãe, na cozinha da antiga casa de Leiria…

E era com todo o gosto que, por exemplo, a ajudava a preparar a massa dos bolos para os dias de festa, ou simplesmente para o almoço de domingo…

Depois, como ainda não havia computadores, consolas ou quaisquer telemóveis, gostava de ir para a rua brincar com as minhas bonecas, ou então de andar de baloiço com as minhas amigas, bem como de jogar com elas ao “elástico” ou ao “lencinho”…

Só sei que é sempre uma grande alegria, sobretudo na altura em que o bolo vai para o forno, pois é nessa altura exata que, cá em casa, se pega na tigela de bater a massa e existe a grande oportunidade de, recordando os tempos de outrora, digamos que, «provar» a massa crua, bem como aquela que ainda resta na espátula intitulada de Salazar:

«Em Portugal, termo sábio que vem mais uma vez demonstrar a enorme capacidade criativa do Zé Povinho, sabendo fazer a analogia perfeita entre um utensílio que tem por finalidade evitar o desperdício, limpando ou rapando tudo e não deixando nada, e o homem que, à altura, tinha sido Ministro das Finanças (Fazenda) e depois Presidente do Conselho de Ministros que liderou durante 40 anos, e … outras histórias que agora não são para aqui chamadas.” (Neves, AJ)»

Pois bem: agora contem-me lá, meus caros leitores deste Blog, qual é que é, afinal, o bolo tradicional que só leva ovos, farinha e açúcar?

É o… Pão de Ló:

«Pensa-se que surgiu como doce conventual em Ovar e que a sua confecção é anterior ao século XVIII. “ló” significa escumilha, isto é um tecido fino e transparente, mas também, e isto é que é interessante, significa o lado onde sopra o vento, ou seja o barlavento. Pensa-se que de início, o pão-de-ló era apelidado de “bolo de castela” e que só depois foi nomeado de “ló”. Seja como for nos dois casos o nome evoca a sua característica de leveza. Quando os portugueses chegaram ao Japão em 1541, tendo sido os primeiros europeus a embarcarem nessa ilha, os nipônicos adoptaram esse bolo de “castela” e chamaram-no de Kasutera ou Kastera (correspondendo estas formas a dificuldades de dicção). Em França este tipo de bolo é chamado de genovês ou “genoise” e pensa-se que a sua origem vem do Gênova, no norte da Itália. Já na Itália, chama-se “Pan di spagna”, ou seja pão de Espanha. No Reino Unido tem o nome de “sponge cake”.»

É que nem é preciso adicionar-se qualquer tipo de fermento, bastando bater-se a respetiva massa cerca de 30 minutos!

E se, por acaso, tiverem, na vossa casa, as formas de barro, tanto melhor, porque o resultado será ainda mais próximo do original, bem como a possibilidade de utilizarem um forno a lenha, tal como podem ver aqui!

Então não percamos mais tempo e vamos já para a cozinha preparar este belíssimo bolo, pode ser?

Só uma pequena nota antes: dependendo do gosto de cada um, e naturalmente da receita que é utilizada por cada região do nosso lindo país (Pão de Ló de Ovar, de Margaride, de Alfeizeirão, etc), para além do facto de também servir de base para outros doces (fofos de Belas, sopa dourada, etc), aconselho-vos vivamente a deixarem a massa cozer no forno só até entre 15 a 20 minutos, de forma a ficar ainda húmido por dentro.

RECEITA DA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Pão de Ló

Ingredientes:

  • 4 gemas de ovo
  • 4 ovos inteiros
  • 1/2 de colher de café de sal
  • 220 g de açúcar
  • açúcar em pó q. b.
  • 155 g de farinha de trigo

Confeção:

  1. Aquecer o fogo a 180º C;
  2. Preparar a forma do bolo, forrando-a com folhas de papel vegetal, para criar o formato tradicional do Pão de Ló e reservar;
  3. Bater as gemas e os ovos com o sal por 30 minutos, com uma batedeira elétrica em velocidade alta;
  4. Juntar o açúcar e bater por mais dez minutos;
  5. Polvilhar a farinha por cima da massa e misturar com uma espátula, fazendo movimentos circulares do fundo para cima até a farinha ser absorvida;
  6. Verter a massa na forma, com cuidado, para depois a colocar no forno cerca de 20 minutos, tapando-a ainda, com algum jeito, com uma folha de papel de alumínio;
  7. Retirar o bolo do forno e servir com um pouco de açúcar em pó por cima, devendo-se, por tradição, partir-se à mão em vez de se cortar com a faca.

(fontes: https://www.cozinhadamarcia.com.br/receitas/pes/pao-de-lo-portugues,

http://etimoteca.blogspot.com/2011/12/pao-do-lo.html,

https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/salazar/595/)

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Torta de Laranja à Moda Antiga versus Torta de Segredos

Sabiam que a laranja doce foi trazida da China para a Europa, no século XVI, pelos portugueses, e por isso mesmo é que as laranjas doces são denominadas “portuguesas” em vários países, especialmente nos Balcãs?

E muito embora o seu sabor varie muito de região para região, no que diz respeito ao nosso Portugal, temos que, para mim, a melhor laranja, nomeadamente para ser comida ao natural, é, sem dúvida, a que é oriunda da zona do Algarve!

Sabe-se que, na Ásia e Médio Oriente, a laranjeira assumiu o papel de árvore ornamental, sendo muito comum aparecer nos pátios das casas árabes abastadas, geralmente associada a uma fonte ou a um lago.

Mas, a laranja, terá visto o seu cultivo iniciar-se há cerca de 7000 anos, presumindo-se que os primeiros pomares de laranjeiras se desenvolveram no primeiro milénio, na China.

Atualmente, a laranja é o segundo fruto mais consumido no mundo, a seguir à maçã, já para não falar do facto do Brasil ser o maior produtor mundial de laranja!

E vai daí que pensei em fazer a clássica Torta de Laranja, à qual denominei de «Torta de Laranja à Moda Antiga», mas também a intitulada «Torta de Segredos», colocando em evidência duas belas zonas de Portugal, tal como podemos observar numa das crónicas escritas pelo reconhecido Gastrónomo Virgílio Nogueiro Gomes aqui:

“(…) na categoria de tortas doces, encontramos a Torta de Segredos, oriunda do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Aveiro, e que seguramente deu origem às tortas de laranja. Esta torta é confecionada a partir de uma massa de gemas de ovo com açúcar e sumo de laranja. Esta massa vai cozer ao forno e, depois de cozer, é coberta com as claras, que sobraram das gemas, batidas em castelo com açúcar. Vai novamente ao forno e, quando as pontas ficam douradas, enrola-se tendo o cuidado de não deixar quebrar. Mas a Torta de Laranja, como hoje é mais conhecida, deve ter sido oriunda do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Lagos. A torta é confecionada misturando sumo de laranja com ovos e açúcar. Vai cozer ao forno em forma barrada com manteiga e depois é enrolada polvilhando com açúcar. Esta também é muito conhecida por Torta de Laranja de Setúbal. Muito embora as laranjas do Algarve já fossem conhecidas pela sua qualidade e sabor, foi possivelmente pelo sucesso de enxertia das laranjeiras de Setúbal que obtiveram laranjas muito doces, que esta região escolheu a torta como um dos seus emblemas doceiros. É certo que em Setúbal esteve instalado um convento de Clarissas no Convento de Jesus onde está agora um museu.

Tenham portanto, em atenção, as duas próximas receitas de Torta de Laranja, amplamente relacionadas com as encontradas acima, para depois me escreverem nos comentários qual é que é a vossa preferida, alinham?

RECEITAS NA CATEGORIA DE TRADIÇÕES:

  • Torta de Segredos

Ingredientes:

Camada 1:

  • 8 gemas
  • 250g de açúcar
  • Casca e sumo de 1 laranja

Camada 2:

  • 8 claras
  • 50g de açúcar
  • Manteiga e farinha q.b.

Confeção:

  1. Misturar as gemas com o açúcar, a casca de laranja ralada e também o sumo.
  2. Verter esta mistura num tabuleiro untado com manteiga e polvilhado de farinha, com recurso a uma folha de papel vegetal.
  3. Levar ao forno previamente aquecido a 180ºC.
  4. Depois de cozido, cerca de 30 minutos, colocar por cima as claras batidas em castelo firme juntamente com o restante açúcar.
  5. Colocar outra vez no forno até às claras cozerem, deixando-se depois arrefecer por completo antes de desenformar.
  6. Desenformar cuidadosamente sobre um pano polvilhado com açúcar, devendo-se retirar o papel vegetal com cuidado.
  7. Enrolar com o auxilio do pano e de forma a ficar o mais fechada possível.
  • Torta de Laranja à Moda Antiga

Ingredientes:

  • 250 gr de açúcar
  • 6 ovos
  • 1 colher de sopa de amido de milho (maisena)
  • Sumo de 2 laranjas
  • Raspa de 1 laranja

Confeção:

  1. Untar com manteiga um tabuleiro de torta e polvilhar com açúcar.
  2. Pré-aquecer o forno a 180ºC.
  3. Colocar o açúcar com a maisena numa tigela, raspar a casca da laranja com o ralador e envolver muito bem.
  4. Adicionar os ovos e bater muito bem com a batedeira.
  5. Adicionar o sumo de laranja, para depois, quando estiver tudo bem misturado, verter para o tabuleiro previamente preparado.
  6. Levar ao forno cerca de 15 minutos.
  7. Desenformar a massa já cozida sobre um pano polvilhado com açúcar, de forma a enrolar-se com cuidado.

(fontes: http://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas-pt/536-tortas-99118797,

http://amigos-da-cozinha.blogspot.com/2017/12/torta-de-laranja-antiga.html,

http://teresadeodatotudoaolho.blogspot.com/2015/04/torta-de-segredos.html,

https://pt.wikipedia.org/wiki/Laranja,

https://www.cm-silves.pt)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Fábrica Pastel de Feijão by Chef António Amorim!

De acordo com o que o próprio Chef António Amorim me explicou na sua loja da Fábrica do Pastel de Feijão, por sua vez instalada num dos bairros mais característicos de Lisboa, Alfama, a ideia inicial de recriar o intitulado Pastel de Feijão tradicional de Torres Vedras surgiu em 2008, através de um jantar que fez para amigos, como uma forma de criar uma sobremesa que agradasse a todos!

Mais tarde, também houve a oportunidade de abrir um espaço de restauração em Torres Vedras, tendo sido o local perfeito para recriar então essa mesma receita secular, de forma a torná-la, digamos que, mais apelativa e exigente, não só a nível estético, mas sobretudo pela imagem de que uma certa pessoa ao degustá-la pela primeira vez, iria com certeza memorizar e querer voltar a ter a mesma experiência!

Portanto, em 2009, o Chef António Amorim conseguiu finalizar todo um processo que tinha durado cerca de 4 anos a chegar ao resultado praticamente atual, para além do facto de ter conseguido abrir a já referida Fábrica do Pastel de Feijão, porém sem tornar o próprio Pastel de Feijão num produto industrializado, ou seja, em que fosse possível confecioná-lo de uma forma totalmente manual e artesanal, logo a sua textura e o sabor continuariam, sem dúvida, a marcar pela diferença!

E, de facto, pela minha própria experiência, quem trinca o primeiro pedaço, sente logo toda a sua cremosidade no interior, mas também a sua textura otimamente crocante por fora…

Acrescente-se ainda que o local onde a mesma loja se encontra, contém, por si só, uma envolvência histórica natural, que é também o registo da doçaria tradicional, logo tende a criar-se uma certa dinâmica com o público que entra e sai com uma caixa cheia de Pastéis de Feijão para oferecer a alguém em especial ou então como recordação do nosso Portugal!

Por isso, o facto deste Pastel de Feijão ter sido implementado inicialmente no tal Restaurante A de Torres Vedras em 2014, só veio chamar à atenção de que o Pastel em questão “era bom demais para estar fechado ali entre quatro paredes e devia de ter outra dimensão”, permitindo-lhe «crescer» e ganhar notoriedade.

E obviamente que, na receita, vão continuar a existir «segredos» por desvendar, sendo que “o cheiro específico do crocante caramelizado é o que atrai muitas vezes as pessoas que desconhecem este produto”, tendo até já sido incluído em guias turísticos da Coreia!

A morada exata é Rua dos Remédios, nº33, ficando nas proximidades do Museu do Fado em Lisboa, cujo horário de atendimento é todos os dias entre as 8h e as 20h, mesmo durante o fim de semana.

No que diz respeito à decoração do espaço da Fábrica do Pastel de Feijão, “foi pensada ao pormenor juntamente com o arquiteto e o designer (…) também para além do Pastel queria que se criasse um ícone que fosse a referência da casa (…) e, sendo o tacho de cobre, a ligação com a doçaria tradicional, estava sujeito a criar uma peça que fosse única e que caracterizasse e realçasse o espaço, daí eu ter idealizado este candeeiro que tenho cá e que tem 72 peças de tachos de cobre de vários tamanhos e 110 kilos de peso (…) e está suspenso (…) foram adquiridos todos em França (…) e de facto é uma das coisas que as pessoas às quais tiram fotografia (…) depois temos um mural em que cada um pode deixar a sua dedicatória ou um comentário, temos todos os tipos de línguas (…) estamos no TripAdvisor, que é uma aplicação válida para quem nos procura e que tem os comentários mais reais possíveis”.

Já agora, fique-se ainda a saber que se “podem fazer encomendas em tamanho XL, é o que se considera um bolo de aniversário (…) para um conjunto de pessoas de família que queiram ter uma experiência diferente”, podendo “encomendar o simples ou com frutos vermelhos, que equivale a 12 unidades do nosso tamanho normal, e isto numa mesa dá um destaque diferente”.

Para além disso, existem outras diversidades para quem acompanha e quer tomar o seu pequeno almoço ou lanche, mas só o Pastel de Feijão é que é o ex-libris da casa!

E «Leve connosco o sabor de Portugal», é aquela frase que “funciona quase como um slogan, porque embora seja uma invenção ou reinvenção do Pastel de Feijão de Torres Vedras tradicional, existem vários, não existe só um, tem cá o cunho da nossa doçaria, ao provar, aquela quantidade do açúcar com o ovo, a amêndoa, tudo isso reúne sabores nossos”, e quem está habituado a outro tipo de doçaria, é quem vai aperceber-se das diferenças e caracterizar isso mesmo como sendo a nossa doçaria e levar consigo, ou seja, “poderá comer e levar, em caixas individuais, ou de 4 ou de 6, que fica mais acessível”.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Origem e Duas Receitas de Cavacas de Resende!

Ò freguesinho, não vai meio arrátele? Olhe que são de Resende!”, era desta forma que as doceiras do concelho apregoavam, no século XIX, um dos doces regionais mais deliciosos e apreciados nesta região duriense: as Cavacas de Resende
Este relato é referido num Jornal da época, que ainda salienta o seguinte: “Logo de manhã as doceiras estendiam sobre a toalha, toda franjada de rendas, vários doces muito cobertos de açúcar que despertavam a gulodice dos romeiros”.

Cavaca é um doce de origem portuguesa. Este doce nasceu nos velhos conventos de Portugal. A sua receita contém ovos, açúcar, farinha, óleo de girassol e baunilha.

Um dos exemplares mais conhecidos são então as Cavacas de Resende, oriundas do concelho de Resende, tendo encontrado algumas variações, a partir das quais selecionei duas, para mais tarde ainda ser selecionada só uma, de forma a voltar inscrever-me na 7.ª Edição do Concurso de “A Mesa dos Portugueses, ou seja, deste ano, na categoria da «doçaria» a ver com a zona da «Beira Interior»!

Uma lenda sobre a sua possível origem:

“Na Idade Média, uma senhora que residia em Vinhós preparava a boda de casamento da sua filha e confeccionou o bolo de noiva, entretanto, o casamento teve de ser adiado devido a uma peste que estava a assolar o concelho e, dadas as parcas possibilidades económicas, a senhora viu-se obrigada a conservar o bolo até á data do casamento, pelo que retirou a parte de cima daquele e molhou a parte restante numa calda de açúcar que lhe restituiu a frescura e fez as delícias de todos os convidados.”

Já agora, qual a vossa opinião a ver com cada uma das receitas imediatamente abaixo descritas?
Por acaso já alguém experimentou a fazer alguma delas?
E será que preferiam igualmente a RECEITA 2, tal como eu, talvez por ser, na minha mais modesta opinião, a mais próxima da receita original?

RECEITAS NA CATEGORIA DE SOBREMESA:
  • Cavacas de Resende 1

Ingredientes:
 
Para a massa:
  • 280 g de farinha
  • 250 g de açúcar
  • 7 gemas + 6 ovos
  • Margarina para untar
  • Farinha para polvilhar
Para a calda:
  • 150 g de açúcar
  • 1,5 dl de água
  • 2 colheres (sopa) de Vinho do Porto
Para o glacé:
  • 2 claras
  • 4 colheres (sopa) de açúcar em pó
Confeção:
 
  1. Ligar o forno a 180°C e barrar um tabuleiro com margarina para depois ser polvilhado com farinha.
  2. Deitar os ovos para uma tigela, juntar as gemas e o açúcar, batendo durante 20 minutos.
  3. Adicionar a farinha peneirada e misturar tudo muito delicadamente.
  4. Deitar a mistura anterior para o tabuleiro reservado e levar ao forno durante 35 minutos, devendo verificar a cozedura com um palito, para depois retirar, desenformar e deixar arrefecer.
  5. Preparar a calda: deitar a água e o açúcar para um tacho, levando ao lume para deixar ferver.
  6. Desligar o lume, juntar o Vinho do Porto e deixar arrefecer.
  7. Fazer o glacé: bater as claras em castelo, juntar o açúcar em pó e misturar bem.
  8. Cortar o bolo em fatias retangulares, devendo ser regadas com a calda e ainda barrar por cima com o glacé, deixando depois secar antes de servir.

Esta delícia da doçaria tradicional, conhecida desde tempos imemoriais, ainda é feita, por regra, à moda antiga, mexida à mão e cozida nos fornos alimentados a lenha, tal como faziam no tempo dos nossos avós.
 
Segundo o método artesanal, a massa bate-se num aparelho movido à mão denominado “banco” (utensílio constituído por um alguidar dentro de um banco, ladeado por umas correias que batem a massa), devem utilizar-se ovos muito frescos e caseiros.
  • Cavacas Resende 2
Ingredientes:
  • 320 gr de farinha 
  • 750 gr de açúcar
  • 15 ovos   
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 200 ml de água 
 Confeção:
  1. Ligar o forno a 180°C e deixar já preparado um tabuleiro retangular, de bordos altos, bem untado com a manteiga e polvilhado com farinha q. b..
  2. Misturar 8 ovos inteiros com 7 gemas numa tigela, para depois adicionar 250 gr de açúcar e bater tudo muito bem cerca de 20 minutos.
  3. Juntar 280 gr de farinha peneirada e misturar delicadamente ao preparado anterior, até a massa ficar bem ligada e homogénea.
  4. Deitar a massa no tal tabuleiro reservado, para logo a seguir levá-la a cozer ao forno durante cerca de 30 minutos.
  5. Quando verificar que a massa já está cozida com a ajuda de um palito, deve ser retirada do forno e virada sobre um guardanapo, deixando-a assim a arrefecer.
  6. Entretanto, preparar uma calda de açúcar em ponto de espadana com 500 gr açúcar e a água, podendo recorrer-se a um termómetro, cuja temperatura a atingir deverá ser de 117º.
  7. Após cortar o bolo em fatias retangulares com cerca de 5 cm de largura, molhar os lados de cada fatia na tal calda de açúcar, com cuidado, para além de pincelar a superfície com a mesma, seguida imediatamente de um pouco de farinha com a ajuda de uma colher, de forma a ficar esbranquiçada ao endurecer.
  8. Deixar as cavacas secarem sobre uma grade, sendo ótimas para serem servidas mais tarde com Vinho do Porto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas!

O Mosteiro de São Dinis de Odivelas, ou Mosteiro de Odivelasclassificado, desde 1910, como Monumento Nacional, localiza-se no largo de D. Dinis, freguesia de Odivelas, Portugal. Acrescente- se ainda que este mosteiro, da Ordem de Cister, foi fundado, em 1295, por D. Dinis, o Lavrador, ou Poeta, ou seja, pelo Rei de Portugal e do Algarve de 1279 até a sua morte. 


Reza a lenda que D. Dinis tomou esta iniciativa como forma de pagamento de uma promessa feita a São Luís, quando, numa caçada no Alentejo, foi surpreendido por um urso. Perante a aparição do santo, o rei recobrou forças e conseguiu neutralizar o enorme animal.

A escolha do local para D. Dinis cumprir a sua promessa incidiu numa propriedade do Rei no termo de Lisboa, Odivelas, onde se situava a “Quinta das Flores”. Esta zona gozava de ótimos recursos naturais, nomeadamente: solos férteis, um curso de água, e ainda uma morfologia que formava um abrigo natural para as culturas. O mosteiro destinava-se a receber uma comunidade feminina cisterciense, e a escolha do local pretendia assegurar a subsistência das monjas e garantir o recato das mesmas, sendo criados campos de cultivo junto ao mosteiro. 

Em 1325 morre D. Dinis e, conforme sua vontade, é sepultado no mosteiro que representa talvez a obra arquitetónica mais emblemática do seu reinado; entre 1900 e 2015 funcionou no mosteiro o Instituto de Odivelas; em 2017 o Exército cedeu o mosteiro à Câmara de Odivelas.

Por outro lado, também se sabe que o chamado Pinhal de Leiria foi inicialmente mandado plantar pelo rei D. Afonso III (1248-1279), no século XIII, com o intuito de travar o avanço e degradação das dunas, bem como proteger a cidade de Leiria e o seu Castelo e os terrenos agrícolas da sua degradação devido às areias transportadas pelo vento. 
Mas, mais tarde, entre 1279 e 1325, foi aumentado substancialmente pelo mesmo rei D. Dinis I, para as dimensões atuais. 

E este mesmo pinhal foi muito importante para os Descobrimentos Marítimos, pois a madeira dos pinheiros era usada para a construção de embarcações e o pez (alcatrão vegetal extraído dos pinheiros) foi ainda usado para proteger as caravelas. 

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas

Estes bolinhos, de origem conventual, são portanto típicos de Odivelas, logo da região de Lisboa, de onde provêm outras receitas igualmente deliciosas, tais como a Marmelada Branca de Odivelas, que eu por acaso também já experimentei a fazer!

Os bolinhos de Abóbora são feitos à base de abóbora, açúcar, coco e ovos, mas também fáceis de preparar e ótimos para saborear a qualquer hora, bom proveito!

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 200 gr de açúcar
  • 4 ovos
  • 400 gr de abóbora
  • 60 gr de coco ralado
  • 70 gr de farinha de trigo
  • açúcar em pó p/ polvilhar












 Confeção do modo Tradicional:

  1. Cozer a abóbora em água a ferver;
  2. Coar a água e reservar a abóbora;
  3. Retirar 130 ml da água da cozedura, juntar o açúcar e levar ao lume até levantar fervura;
  4. Adicionar a abóbora e deixar apurar um pouco;
  5. Passar o preparado com a varinha mágica e acrescentar o coco;
  6. Manter alguns minutos ao lume, a temperatura moderada;
  7. Retirar do calor e deixar arrefecer um pouco;
  8. Ligar o forno a 180º C;
  9. Adicionar os ovos ao preparado e misturar;
  10. Juntar a farinha e o fermento, envolvendo bem, até obter uma massa homogénea;
  11. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa;
  12. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos;
  13. Deixar arrefecer os bolinhos e polvilhá-los com açúcar em pó.


Confeção na Bimby:

  1. Colocar no copo a água e o cesto com a abóbora e programar 20 min/ Varoma/ vel 2.
  2. Retirar e reservar a água da cozedura.
  3. Colocar no copo 130 g da água reservada, o açúcar e programe 20 min/ Varoma/ vel 1.
  4. Adicionar a abóbora, programar 30 segundos e triturar, progressivamente, até à velocidade 7.
  5. Acrescentar o coco e programar 5 min/ 100º C/ vel 2.
  6. Retirar o copo da base da Bimby e deixar arrefecer até aos 60º C.
  7. Ligar o forno a 180º C.
  8. Adicionar os ovos e misturar 1 min/ vel 2.
  9. Juntar a farinha e o fermento e programar 20 seg/ vel 3.
  10. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa.
  11. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos.
  12. Deixar arrefecer os bolinhos de abóbora e polvilhá-los com açúcar em pó.