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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Origem e Duas Receitas de Cavacas de Resende!

Ò freguesinho, não vai meio arrátele? Olhe que são de Resende!”, era desta forma que as doceiras do concelho apregoavam, no século XIX, um dos doces regionais mais deliciosos e apreciados nesta região duriense: as Cavacas de Resende
Este relato é referido num Jornal da época, que ainda salienta o seguinte: “Logo de manhã as doceiras estendiam sobre a toalha, toda franjada de rendas, vários doces muito cobertos de açúcar que despertavam a gulodice dos romeiros”.

Cavaca é um doce de origem portuguesa. Este doce nasceu nos velhos conventos de Portugal. A sua receita contém ovos, açúcar, farinha, óleo de girassol e baunilha.

Um dos exemplares mais conhecidos são então as Cavacas de Resende, oriundas do concelho de Resende, tendo encontrado algumas variações, a partir das quais selecionei duas, para mais tarde ainda ser selecionada só uma, de forma a voltar inscrever-me na 7.ª Edição do Concurso de “A Mesa dos Portugueses, ou seja, deste ano, na categoria da «doçaria» a ver com a zona da «Beira Interior»!

Uma lenda sobre a sua possível origem:

“Na Idade Média, uma senhora que residia em Vinhós preparava a boda de casamento da sua filha e confeccionou o bolo de noiva, entretanto, o casamento teve de ser adiado devido a uma peste que estava a assolar o concelho e, dadas as parcas possibilidades económicas, a senhora viu-se obrigada a conservar o bolo até á data do casamento, pelo que retirou a parte de cima daquele e molhou a parte restante numa calda de açúcar que lhe restituiu a frescura e fez as delícias de todos os convidados.”

Já agora, qual a vossa opinião a ver com cada uma das receitas imediatamente abaixo descritas?
Por acaso já alguém experimentou a fazer alguma delas?
E será que preferiam igualmente a RECEITA 2, tal como eu, talvez por ser, na minha mais modesta opinião, a mais próxima da receita original?

RECEITAS NA CATEGORIA DE SOBREMESA:
  • Cavacas de Resende 1

Ingredientes:
 
Para a massa:
  • 280 g de farinha
  • 250 g de açúcar
  • 7 gemas + 6 ovos
  • Margarina para untar
  • Farinha para polvilhar
Para a calda:
  • 150 g de açúcar
  • 1,5 dl de água
  • 2 colheres (sopa) de Vinho do Porto
Para o glacé:
  • 2 claras
  • 4 colheres (sopa) de açúcar em pó
Confeção:
 
  1. Ligar o forno a 180°C e barrar um tabuleiro com margarina para depois ser polvilhado com farinha.
  2. Deitar os ovos para uma tigela, juntar as gemas e o açúcar, batendo durante 20 minutos.
  3. Adicionar a farinha peneirada e misturar tudo muito delicadamente.
  4. Deitar a mistura anterior para o tabuleiro reservado e levar ao forno durante 35 minutos, devendo verificar a cozedura com um palito, para depois retirar, desenformar e deixar arrefecer.
  5. Preparar a calda: deitar a água e o açúcar para um tacho, levando ao lume para deixar ferver.
  6. Desligar o lume, juntar o Vinho do Porto e deixar arrefecer.
  7. Fazer o glacé: bater as claras em castelo, juntar o açúcar em pó e misturar bem.
  8. Cortar o bolo em fatias retangulares, devendo ser regadas com a calda e ainda barrar por cima com o glacé, deixando depois secar antes de servir.

Esta delícia da doçaria tradicional, conhecida desde tempos imemoriais, ainda é feita, por regra, à moda antiga, mexida à mão e cozida nos fornos alimentados a lenha, tal como faziam no tempo dos nossos avós.
 
Segundo o método artesanal, a massa bate-se num aparelho movido à mão denominado “banco” (utensílio constituído por um alguidar dentro de um banco, ladeado por umas correias que batem a massa), devem utilizar-se ovos muito frescos e caseiros.
  • Cavacas Resende 2
Ingredientes:
  • 320 gr de farinha 
  • 750 gr de açúcar
  • 15 ovos   
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 200 ml de água 
 Confeção:
  1. Ligar o forno a 180°C e deixar já preparado um tabuleiro retangular, de bordos altos, bem untado com a manteiga e polvilhado com farinha q. b..
  2. Misturar 8 ovos inteiros com 7 gemas numa tigela, para depois adicionar 250 gr de açúcar e bater tudo muito bem cerca de 20 minutos.
  3. Juntar 280 gr de farinha peneirada e misturar delicadamente ao preparado anterior, até a massa ficar bem ligada e homogénea.
  4. Deitar a massa no tal tabuleiro reservado, para logo a seguir levá-la a cozer ao forno durante cerca de 30 minutos.
  5. Quando verificar que a massa já está cozida com a ajuda de um palito, deve ser retirada do forno e virada sobre um guardanapo, deixando-a assim a arrefecer.
  6. Entretanto, preparar uma calda de açúcar em ponto de espadana com 500 gr açúcar e a água, podendo recorrer-se a um termómetro, cuja temperatura a atingir deverá ser de 117º.
  7. Após cortar o bolo em fatias retangulares com cerca de 5 cm de largura, molhar os lados de cada fatia na tal calda de açúcar, com cuidado, para além de pincelar a superfície com a mesma, seguida imediatamente de um pouco de farinha com a ajuda de uma colher, de forma a ficar esbranquiçada ao endurecer.
  8. Deixar as cavacas secarem sobre uma grade, sendo ótimas para serem servidas mais tarde com Vinho do Porto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas!

O Mosteiro de São Dinis de Odivelas, ou Mosteiro de Odivelasclassificado, desde 1910, como Monumento Nacional, localiza-se no largo de D. Dinis, freguesia de Odivelas, Portugal. Acrescente- se ainda que este mosteiro, da Ordem de Cister, foi fundado, em 1295, por D. Dinis, o Lavrador, ou Poeta, ou seja, pelo Rei de Portugal e do Algarve de 1279 até a sua morte. 


Reza a lenda que D. Dinis tomou esta iniciativa como forma de pagamento de uma promessa feita a São Luís, quando, numa caçada no Alentejo, foi surpreendido por um urso. Perante a aparição do santo, o rei recobrou forças e conseguiu neutralizar o enorme animal.

A escolha do local para D. Dinis cumprir a sua promessa incidiu numa propriedade do Rei no termo de Lisboa, Odivelas, onde se situava a “Quinta das Flores”. Esta zona gozava de ótimos recursos naturais, nomeadamente: solos férteis, um curso de água, e ainda uma morfologia que formava um abrigo natural para as culturas. O mosteiro destinava-se a receber uma comunidade feminina cisterciense, e a escolha do local pretendia assegurar a subsistência das monjas e garantir o recato das mesmas, sendo criados campos de cultivo junto ao mosteiro. 

Em 1325 morre D. Dinis e, conforme sua vontade, é sepultado no mosteiro que representa talvez a obra arquitetónica mais emblemática do seu reinado; entre 1900 e 2015 funcionou no mosteiro o Instituto de Odivelas; em 2017 o Exército cedeu o mosteiro à Câmara de Odivelas.

Por outro lado, também se sabe que o chamado Pinhal de Leiria foi inicialmente mandado plantar pelo rei D. Afonso III (1248-1279), no século XIII, com o intuito de travar o avanço e degradação das dunas, bem como proteger a cidade de Leiria e o seu Castelo e os terrenos agrícolas da sua degradação devido às areias transportadas pelo vento. 
Mas, mais tarde, entre 1279 e 1325, foi aumentado substancialmente pelo mesmo rei D. Dinis I, para as dimensões atuais. 

E este mesmo pinhal foi muito importante para os Descobrimentos Marítimos, pois a madeira dos pinheiros era usada para a construção de embarcações e o pez (alcatrão vegetal extraído dos pinheiros) foi ainda usado para proteger as caravelas. 

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Bolinhos de Abóbora do Convento de Odivelas

Estes bolinhos, de origem conventual, são portanto típicos de Odivelas, logo da região de Lisboa, de onde provêm outras receitas igualmente deliciosas, tais como a Marmelada Branca de Odivelas, que eu por acaso também já experimentei a fazer!

Os bolinhos de Abóbora são feitos à base de abóbora, açúcar, coco e ovos, mas também fáceis de preparar e ótimos para saborear a qualquer hora, bom proveito!

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 200 gr de açúcar
  • 4 ovos
  • 400 gr de abóbora
  • 60 gr de coco ralado
  • 70 gr de farinha de trigo
  • açúcar em pó p/ polvilhar












 Confeção do modo Tradicional:

  1. Cozer a abóbora em água a ferver;
  2. Coar a água e reservar a abóbora;
  3. Retirar 130 ml da água da cozedura, juntar o açúcar e levar ao lume até levantar fervura;
  4. Adicionar a abóbora e deixar apurar um pouco;
  5. Passar o preparado com a varinha mágica e acrescentar o coco;
  6. Manter alguns minutos ao lume, a temperatura moderada;
  7. Retirar do calor e deixar arrefecer um pouco;
  8. Ligar o forno a 180º C;
  9. Adicionar os ovos ao preparado e misturar;
  10. Juntar a farinha e o fermento, envolvendo bem, até obter uma massa homogénea;
  11. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa;
  12. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos;
  13. Deixar arrefecer os bolinhos e polvilhá-los com açúcar em pó.


Confeção na Bimby:

  1. Colocar no copo a água e o cesto com a abóbora e programar 20 min/ Varoma/ vel 2.
  2. Retirar e reservar a água da cozedura.
  3. Colocar no copo 130 g da água reservada, o açúcar e programe 20 min/ Varoma/ vel 1.
  4. Adicionar a abóbora, programar 30 segundos e triturar, progressivamente, até à velocidade 7.
  5. Acrescentar o coco e programar 5 min/ 100º C/ vel 2.
  6. Retirar o copo da base da Bimby e deixar arrefecer até aos 60º C.
  7. Ligar o forno a 180º C.
  8. Adicionar os ovos e misturar 1 min/ vel 2.
  9. Juntar a farinha e o fermento e programar 20 seg/ vel 3.
  10. Colocar formas de papel nas formas dos queques e deitar nelas a massa.
  11. Levar ao forno cerca de 20/25 minutos.
  12. Deixar arrefecer os bolinhos de abóbora e polvilhá-los com açúcar em pó.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

As Cavacas de Caldas da Rainha!

A cidade das Caldas da Rainha e a Rainha D. Leonor

Caldas da Rainha, sendo sede de um município com 255,69 km² de área, ao qual pertencem 12 freguesias, é uma cidade portuguesa, com certeza, somando 30 343 habitantes no seu perímetro urbano (2012), a segunda maior do Distrito de Leiria, pertencente à sub-região do Oeste, região Centro, e por sua vez integrada na Região de Turismo do Oeste.

Na Praça da República, conhecida popularmente como “Praça da Fruta“, realiza-se todos os dias, durante a parte da manhã, ao ar livre, o único mercado diário hortofrutícola do país, praticamente inalterável desde o final do século XIX.
Quanto à sua história, acha-se que, em 1484, durante uma viagem de Óbidos à Batalha, a rainha D. Leonor, esposa de João II de Portugal, e a sua corte, terão passado por um local onde várias pessoas do povo se banhavam em águas com um odor bastante intenso, que ao indagar-lhes por que razão o faziam, ter-lhe-ão respondido que eram doentes e que aquelas águas possuíam poderes curativos. 

A rainha quis então por isso comprovar a veracidade dessa informação, banhando-se também ali de cada vez que ficava doente. De qualquer modo, e de acordo com a lenda, a soberana curou-se, tendo determinado, logo no ano seguinte, erguer naquele preciso lugar um hospital termal para atender todos quanto se quisessem tratar!

E foi durante o século XIX, que Caldas da Rainha, depois de ter atingido o seu estatuto de vila em 1511, conheceu o seu maior esplendor, com a moda das estâncias termais, passando a ser frequentada pelas classes mais abastadas que buscavam águas sulfurosas para tratamentos.

Ao mesmo tempo, a abundância de argila na região permitiu que se desenvolvessem numerosas fábricas de cerâmica, convertendo-se, igualmente, num dos principais centros produtores do país, com destaque para as criações de Rafael Bordalo Pinheiro iniciadas na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, entre 1884 e 1907.

A origem das Cavacas de Caldas da Rainha

Comece-se por assinalar que as cavacas são doces regionais que se encontram sob diversas formas e sabores em várias regiões de Portugal, que apesar das suas diferenças, a designação mantém-se, pois todas as receitas têm algo em comum: a cobertura merengada e a textura própria da massa!

As Cavacas das Caldas fazem assim parte da gastronomia típica da região de Caldas da Rainha, que ao constituir-se num ponto forte de atração à cidade, a história da sua confeção estará para sempre ligada à freguesia de S. Gregório, mais precisamente à aldeia da Fanadia, local onde nasceram as irmãs Rosalina e Gertrudes Carlota.

Estas duas senhoras, segundo reza a história, ficaram célebres por exercerem a atividade de doceiras, em Lisboa, na corte do Rei D. Carlos. Porém, com a crise e a queda da Monarquia, em resultado do Regicídio de 1908 e da implantação da República a 5 de outubro de 1910, as mesmas senhoras voltaram à sua terra natal, tendo-se dedicado, junto ao Hospital Termal, à venda de cavacas e beijinhos, tornando-se na própria imagem da cidade!

Uma Receita das Cavacas de Caldas da Rainha


Ingredientes:

Cavacas: 

  • 400 g de farinha
  • 30 g de margarina derretida
  • 6 ovos grandes
  • 1 colher (café) de sal fino
  • Azeite para untar
  • Farinha para passar

Cobertura:

  • 150 g de açúcar em pó
  • 1 clara
  • Sumo de limão q.b.

Confeção:

1) Deitar primeiro os ovos numa tigela e depois o sal e a farinha peneirada, aos poucos, batendo muito bem com uma colher de pau, para depois adicionar a margarina derretida e bater novamente até ficar uma massa «elástica».

2) Untar algumas formas de queques com azeite, dividindo a massa de modo a não ultrapassar os 3/4 de altura, sem esquecer de passar o dedo polegar em farinha para pressionar no meio da massa até ela começar a subir as margens.

3) Colocar as formas no forno pré-aquecido a 220°C, durante cerca 20 minutos, para logo a seguir baixar para 180°C, durante mais 20 minutos; desenformar tudo e reservar.

4) Fazer a cobertura, deitando primeiro a clara para uma tigela, depois o açúcar em pó e umas gotas de sumo de limão, a gosto, misturando tudo muito bem até ficar um creme mais seco; deitar o preparado obtido sobre as cavacas, deixando-as secar antes de serem servidas.

(fontes: https://www.teleculinaria.pt

https://pt.wikipedia.org,