Mostrar mensagens com a etiqueta novembro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta novembro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

PLANTAS PARA COLHER E DEGUSTAR: texto 13 - Urtiga (by Miguel Boieiro)

«Mandar alguém às urtigas», para que não nos aborreça mais, tornou-se um dito corrente. E se de facto, a expressão indica menosprezo por quem nos incomoda, também não coloca em alta conta, a urtiga, «erva desprezível» que queremos ver longe de nós. Trata-se de uma tremenda injustiça, aproveitamos para dizer e mais à frente explicaremos porquê.

Não restam dúvidas que a urtiga está disseminada por todo o lado e que as suas picadelas não são nada agradáveis. Por isso mesmo, é das plantas silvestres mais conhecidas. Diremos mesmo, não há ninguém que não a conheça. Para quê então, vir aqui falar dessa ervinha que toda a gente tem a «desdita» de conhecer? Na verdade, as aparências iludem, dado que a urtiga ocupa lugar de destaque na fitoterapia e não só.

Existem várias espécies de urtigas, mas todas elas pertencem à família das Urticáceas e têm propriedades praticamente iguais. Entre nós, a mais profusa é a Urtica dioica que alastra por todo o país. Chega a atingir 1,5 m de altura, tem caule ereto e folhas ovais, opostas e dentadas. As flores, de cor verde, ramificam-se em espigas colocadas nas axilas das folhas superiores. Toda a planta está coberta de finos pêlos cuja picada origina muita comichão devido a conter um produto histamínico. Esta propriedade constitui uma defesa da própria planta que assim fica menos apetecível para os diversos animais.

Para além da histamina, a urtiga contém numerosos compostos, ácido fórmico, caroteno, abundante clorofila, tanino, ferro, potássio, cálcio, enxofre, silício e é rica em vitaminas C, B2 e B6. Tal constituição implica variadíssimas propriedades, entre as quais, a de ser depurativa, anti anémica, hemostática, antidiabética, etc.

Vamos agora detalhar alguns dos seus potenciais usos, cujos efeitos benéficos se encontram comprovados, surpreendendo, por ventura os mais desprevenidos.

Em primeiro lugar, queremos referir que a cáustica picada da urtiga é extremamente útil para os doentes de reumatismo, paralisia e deficiente circulação sanguínea. Esfregar a pele com urtigas provoca uma excelente reação nas pessoas fracas e anémicas. Escritos antigos apontam mesmo, como muito eficaz, a fricção do baixo-ventre como meio de estimular as funções sexuais, quer para homens, quer para mulheres. Não custa nada fazer a experiência! 

(Um breve parêntesis para referir que quando esta minha croniqueta foi publicada no jornal local alguns idosos que se reúnem todos os dias no largo principal da vila abordaram-me alegremente falando deste pormenor. O artigo era vasto mas eles só se detiveram neste detalhe. Logo pensei: 
– Queres ver que eles já experimentaram ou estão a fim de experimentar!)

O «chá» de urtigas (30 g de folhas secas para um litro de água, ou 60 g da planta verde, o que é preferível) é bom para os diabéticos e anémicos. Para uso externo (irrigações) estanca as hemorragias. Melhor será, contudo, utilizar o suco da urtiga, tomando-se uma colher de sopa, duas ou três vezes ao dia. Há naturopatas que recomendam ainda a decocção, a maceração, ou o xarope.

Em cosmética é famosa a ação da urtiga para o tratamento do couro cabeludo e da queda do cabelo. Diversas loções capilares são preparadas com base nos seus princípios ativos.

Muita gente ficará espantada e incrédula se lhes dissermos que as urtigas podem ser consumidas como qualquer legume hortícola. Pois é verdade, a urtiga entra também na gastronomia onde poderá ter um lugar de maior destaque se as pessoas abandonarem preconceitos e tabus. Como? Muito simplesmente como se de nabiças ou de espinafres se tratasse. Basta passar as plantas por água tépida para que deixem de picar. Depois separam-se os talos (demasiado fibrosos) e aproveitam-se as folhas que são ótimas para a confeção de sopas e outros pratos cozinhados. Não conhecemos melhor esparregado do que o de urtigas. Devido ao alto teor de clorofila, o esparregado mantém uma cor verde agradável, ao contrário do que acontece em determinados restaurantes onde o verde vivo do esparregado se deve à utilização do bicarbonato de sódio. O sabor? É agradável e ninguém descobre que provém das urtigas, se não lhe dissermos.

Finalmente queremos ainda acrescentar que estudos efetuados acerca dos efeitos das associações vegetais revelaram que a presença da urtiga melhora o desenvolvimento de outras plantas, como as ervas aromáticas, cujo teor em essências sai reforçado

 Miguel Boieiro

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

RECEITAS PARA O LANCHE: 3.ª parte!

Em continuação dos textos RECEITAS PARA O LANCHE: 1.ª parte e RECEITAS PARA O LANCHE: 2.ª parte! anteriormente publicados, aqui segue o último conjunto de receitas desta série, para serem tidas em conta no aconchego do vosso lar, mas também para ser partilhado com quem mais gostam..

RECEITA NA CATEGORIA DE SNACKS: Queijo Caseiro (confecionada na Bimby)

Ingredientes:
  • 30 gr de vinagre de vinho branco
  • 1 l de leite do dia gordo
  • sal q. b.
Confeção:
  1. colocar no copo da Bimby o leite e o sal, programando 15 min/90ºC/vel 2
  2. marcar 1 mim/vel 1 e, aos poucos, adicionar o vinagre através do bocal da tampa
  3. deixar o preparado anterior cerca de 15 minutos dentro do copo, para depois forrar o cesto com um pano de algodão fino e com a ajuda de uma concha deitar o mesmo lentamente, para um recipiente, deixando-o escorrer durante pelo menos 15 minutos
  4. desenformar e colocar no frigorífico até à hora de servir
RECEITA NA CATEGORIA DE SNACKS: Manteiga Caseira (confecionada na Bimby)
Ingredientes:
  • 400 gr de natas com pelo menos 30% de gordura, bem frias
  • sal fino q. b.
  • ervas aromáticas picadas q. b.
Confeção:
  1. deitar as natas no copo da Bimby, programando 2 min/vel 9, até o soro ser separado da manteiga;
  2. deitar a manteiga no cesto e lavar cuidadosamente com um fio de água fria debaixo da torneira até a água sair limpa;
  3. colocar a manteiga sobre papel absorvente e secá-la muito bem, juntando-lhe o sal e as ervas aromáticas a gosto;
  4. colocar o preparado anterior num frasco com tampa e colocar no frigorífico até à hora de servir.

RECEITA NA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Cavacas das Caldas da Rainha

Ingredientes:
 
Cavacas: 
  • 400 g de farinha
  • 30 g de margarina derretida
  • 6 ovos grandes
  • 1 colher (café) de sal fino
  • Azeite para untar
  • Farinha para passar
Cobertura:
  • 150 g de açúcar em pó
  • 1 clara
  • Sumo de limão q.b.
Confeção:
  1. Deitar primeiro os ovos numa tigela e depois o sal e a farinha peneirada, aos poucos, batendo tudo muito bem com uma colher de pau, para depois adicionar a margarina derretida e bater novamente até ficar uma massa «elástica»;
  2. Untar algumas formas de queques com azeite, dividindo a massa de modo a não ultrapassar os 3/4 de altura, sem esquecer de passar o dedo polegar em farinha para pressionar no meio da massa até ela começar a subir as margens;
  3. Colocar as formas no forno pré-aquecido a 220°C, durante cerca 20 minutos, para logo a seguir baixar para 180°C, durante mais 20 minutos;
  4. Fazer a cobertura, deitando primeiro a clara para uma tigela, depois o açúcar em pó e umas gotas de sumo de limão, a gosto, misturando tudo muito bem até ficar um creme mais seco; deitar o preparado obtido sobre as cavacas, deixando-as secar antes de serem servidas.

(fontes: livro “ABC da Bimby – receitas para o seu dia-a-dia”,
https://www.teleculinaria.pt)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vamos até ao Mercado do Livramento em Setúbal?

O tão aclamado Mercado do Livramento, por sua vez situado na Avenida Luísa Todi em Setúbal, já tem mais de 140 anos de histórias para nos contar, para além do facto de ficarmos desde logo rodeados de intensos sabores e sensações únicas capazes de nos fazerem direcionar através dos vários corredores existentes em busca dos paladares mais audazes…

Entretanto, podemos também distrair-nos com os vários painéis de azulejos expostos numa das suas paredes laterais, retratando pequenos pedaços da vida quotidiana setubalense, bem como com algumas obras de arte ao longo do corredor central, mais propriamente esculturas de Augusto Cid, desta vez alusivas a profissões ligadas aos mercados!

E assim têm ocorrido diversos tipos de remodelações ao longo dos anos, com o objetivo sério de modernizar todo o espaço, ao mesmo tempo que se procura inovar e melhorar as respetivas condições de trabalho e bem-estar dos que por lá vão passando.

A caminho de beneficiar de profundas obras que vão modernizar aquele espaço de acordo com as exigências dos tempos modernos, a importância do Mercado do Livramento remonta ao século XIX, quando população e comerciantes exigiram a melhoria das condições de venda.

O comércio era feito em barracas espalhadas pelas ruas da então vila de Setúbal, em particular das praças da Ribeira Velha e do Sapal (hoje, Praça de Bocage), o que gerava protestos contra o cheiro nauseabundo a peixe, a falta de higiene e as áreas exíguas de venda.

A 31 de Julho de 1876, o presidente da Câmara Municipal, António Rodrigues Manito, cortava a fita do novíssimo Mercado do Livramento, assim baptizado por ter sido construído sobre a ribeira com o mesmo nome.

O antigo edifício, de 80 metros de comprimento e 52 de largura, que albergou 44 mesas, das quais 24 em pedra, sucumbiu perante o ritmo da Revolução Industrial, tendo o espaço sido demolido em 1927 por se encontrar obsoleto e incapaz de satisfazer as necessidades da população.

Nova fita foi cortada três anos depois, a 10 de Julho de 1930, no mesmo local onde o antigo Mercado do Livramento já havia criado afinidades junto da população.
Renasce, então, o mercado, agora em Arte Deco, muito em voga na época, com três hangares, com colunas em ferro fundido, orientados de Norte para Sul.

No espaço interior, as paredes estão revestidas com vários painéis de azulejos com cenários alusivos a paisagens e a actividades económicas típicas do concelho.
De 1929 datam as obras “Descarga das Redes”, “Transporte de Sal”, “Reparação das Redes”, “Recolha do Sal”, “Descarga da Sardinha”, “Salga do Peixe”, “Setúbal – Vista Geral” e “Colheita da Azeitona”.
Os painéis “A Vindima”, “O Antigo Mercado”, “Lavra e Sementeira” e “Rega do Pomar” foram colocados em 1930, enquanto as restantes imagens da cidade, do campo e do Sado são de 1940.

E caminhe-se agora em direção aos melhores produtos regionais e arredores, entre terça a domingo, entre as 7h30 e as 14h00, e observe-se com a máxima atenção para a mais sublime variedade de peixes, moluscos e mariscos, para além dos habituais produtos hortícolas, ervas aromáticas, vinho, mel, pão, doçaria regional e até algum género de artesanato.

Aí se vêm abastecer alguns dos melhores restaurantes de Setúbal, Lisboa e Cascais e muitos conhecedores locais. Dizem os que o frequentam que há espécies de peixe que só podem ser encontradas aí. Mas a notoriedade nacional tornou-se mundial depois de os críticos gastronómicos do jornal americano USA Today, terem incluído o Mercado do Livramento, em Setúbal, entre os melhores do mundo, lado a lado com o de Tóquio ou o de Brooklyn.

Acrescente-se ainda que existem outros tipos de serviços à disposição do público dentro do mesmo edifício: floristas, ervanária, garrafeira, restauração e bebidas, cabeleireiro, imobiliária, artigos para pesca e artigos de plástico.

Já agora, se conseguir ir acompanhado de alguma criança, terá ainda a oportunidade de promover nela a simples curiosidade para experimentar novas frutas ou legumes, por exemplo, bem como de explicar-lhe a verdadeira origem dos mesmos com o auxílio dos próprios produtores ou seus representantes, logo uma ótima oportunidade para também ficar a conhecer ótimos frescos, apesar de correr o risco por vir a tornar-se no seu local preferido para ir às compras!

Vamos a isso?