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sexta-feira, 9 de março de 2018

Ainda sobre o Dia Internacional da Mulher: quem cozinha melhor, o homem ou a mulher?

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de março, tendo sido uma ideia criada no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto. 
Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras.

As celebrações do Dia Internacional da Mulher ocorreram a partir de 1909 em diferentes dias de fevereiro e março, a depender do país. A primeira celebração deu-se a 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, seguida de manifestações e marchas em outros países europeus nos anos seguintes, usualmente durante a semana de comemorações da Comuna de Paris, no final de março. As manifestações uniam o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos económicos, sociais e trabalhistas, ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

Copenhaga, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista: na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, precipitando o início da Revolução de 1917. A data da principal manifestação, 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.

Na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas.

Pensando bem, na área profissional da cozinha, o homem é quase sempre visto como o “chef de cozinha” e a mulher como a “cozinheira”. 

Isto porque, nomeadamente devido a algumas questões culturais que ainda continuam a persistir, apesar de todo o progresso na sociedade atual, a mulher “cozinheira” parece que continua a estar mais relacionada às tarefas do dia a dia, enquanto que o homem considerado “chef” é aquela pessoa que revela mais sofisticação e personalidade, trabalhando mais em ocasiões especiais.  

Mas, na verdade, seja homem ou mulher, o “chef de cozinha” é alguém que gere toda uma equipa dentro da cozinha, criando o conceito da cozinha ao seu próprio estilo, através da criação de receitas.

O que é curioso é que, desde sempre, a cozinha fora associada mais às mulheres do que aos homens; contudo, ainda existe muita discriminação no que diz respeito às mulheres no mundo laboral de uma cozinha, especialmente ao nível da “alta cozinha” em que os homens dominam!

Por exemplo, de acordo com uma notícia datada de 24 de Fevereiro de 2018, nPÚBLICO publicasse que em França, das 57 novas estrelas Michelin atribuídas em 2018, apenas duas foram para chefs mulheres; em Portugal, nenhuma chef foi premiada.

Ou seja, num mundo onde aparenta ser só de homens, há que servir inspiração a outras mulheres, levando a própria sociedade a pensar que a cozinha profissional também pode ser afinal um mundo de mulheres, onde elas sabem tão bem ou melhor liderar e criar do que os homens, não concordam?

Termino então, este pequeno texto, com algumas sugestões minhas para vos ajudar a inspirar na cozinha, caras leitoras deste blogue, e assim alegrar mais as horas que muitas vezes são mais rotineiras ou cansativas, seja para o vosso marido ou namorado, filho ou neto, podendo e devendo convidá-los sempre para vos ajudarem a confecionar aquela receita mais apetecível para todos aí em casa, bem como a tratarem de arrumar depois todos juntos a cozinha e a gozarem também a seguir todos juntos o tempo livre que virá a seguir, não será mais justo?
Cozinha - O Coração da Casa - www.wook.pt

Dia a Dia Mafalda - www.wook.pt
MasterChef - www.wook.pt
Cozinhar é um modo de amar os outros.
Mia Couto 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O SOLSTÍCIO DE VERÃO E A TRAGÉDIA EM PEDRÓGÃO GRANDE!

Hoje assinala-se o solstício de verão de 2017, o que marca oficialmente o início da estação do verão, das praias, do calor, dos gelados, das férias escolares, mas também dos incêndios, que sendo eu natural da cidade de Leiria, não podia deixar de escrever sobre o inigualável incêndio na zona de Pedrógão Grande, que depois de tanta tragédia e de tantos operacionais envolvidos, ainda não nos deixou em paz!

O combate continua em curso”, disse à agência Lusa fonte do CDOS de Leiria, sublinhando que o incêndio “ainda não está dominado”.
Segundo a mesma fonte, ocorreram “várias reativações em vários setores, umas mais fortes do que outras”, sendo que “os meios estão a combater consoante as reativações que vão aparecendo.
Em Pedrógão Grande, encontravam-se, pelas 07:30 de hoje, 1.187 operacionais e 406 veículos, de acordo com o ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). 
O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 150 feridos, segundo um balanço provisório. 
O fogo começou em Escalos Fundeiros e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria. 
Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco e de Coimbra.

Realmente, é lamentável saber, como de facto começou tudo: trovoada seca!
Ora bem, de acordo com o site da Wikipédia, “uma trovoada seca é uma tempestade que produz relâmpagos, mas em que a maioria ou toda a precipitação evapora antes de atingir o solo (…) as trovoadas secas ocorrem essencialmente em condições secas, e os relâmpagos são uma importante causa de incêndios. Por este motivo, o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, e outras agências em todo o mundo, emitem previsões da probabilidade de ocorrerem em determinadas áreas.” 
Então, muitos hoje se interrogam sobre o que é que afinal correu menos bem no que toca, por exemplo, à troca de informações entre as entidades competentes a ver com a Meteorologia e a Proteção Civil!
E no portal de notícias da Globo, do passado dia 18 de junho, anunciava-se que “mais da metade das vítimas (30) morreu carbonizada dentro de seus carros na estrada entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra”; mas como é que foi acontecer tudo isto desta forma, sabendo que “o fogo começou por volta das 15h de sábado”?
E se, um pouco por todo o mundo, até há bem pouco tempo, felicitava-se Portugal pelo facto do vencedor do Festival da Eurovisão da Canção 2017 ser Salvador Sobral, apesar de, entretanto, a própria União Europeia oferecer a sua preciosa ajuda a Pedrógão Grande, neste momento, encontra-se este mesmo país, caracterizado todo ele por um profundo luto nacional, em grande destaque por todo o mundo, muito embora pelas piores razões, em que, por exemplo, o jornal espanhol El Mundo aponta o dedo para a “inoperância de Portugal na luta contra os incêndios“, sendo “a tragédia com mais mortos num único fogo em quase um quarto de século em todo o mundo“; por outro lado, esse mesmo jornal afirma que “a tragédia de Pedrogão Grande deve desencadear a tomada de decisões ao nível europeu para fazer da luta contra os incêndios uma prioridade em todo o sul da Europa”, isto de acordo com um artigo que eu também li no site da Sábado, do passado dia 19 de junho.
Já por volta do ano de 2005, se escrevia pela Internet, o seguinte título, bastante atual, por sinal: “Floresta portuguesa: o desespero de hoje e a esperança no amanhã”; para além de que:

O fogo é um elemento presente nas paisagens dos países do Sul da Europa, tendo acompanhado o pastoreio e os desbastes da floresta, através do tempo, e condicionado o desenvolvimento ou regressão dos ecossistemas florestais (Alves et al., 2006). As mudanças socioeconómicas em curso nos países do Sul da Europa, na segunda metade do seculo XX, refletiram-se no uso tradicional da terra e estilo de vida das populações e traduziram-se no aumento de grandes áreas de terras agrícolas abandonadas, muitas das quais se tornaram paisagens propensas à ocorrência de incêndios de grande intensidade, devido aos elevados níveis de biomassa, acumulados ao longo dos anos e prontos para alimentar fogos catastróficos durante o Verão. Com os grandes incêndios a aumentar em frequência e extensão, tomando, por vezes, dimensões catastróficas, perdeu-se o seu importante papel de renovadores dos ecossistemas (Noss et al., 2006).”

Não esqueçamos que, se por acaso 2008 foi o ano em que a área ardida foi menor desde 1980, o pior ano continua a ser o de 2003, tudo de acordo com dados retirados do site da Wikipédia, donde já também se pode ter acesso a um pequeno texto sobre o “Incêndio florestal de Pedrógão Grande em 2017.

De facto, ao longo dos anos, tem-se assistido à saída de pessoas das zonas que compõem o interior para essencialmente as grandes cidades do litoral, dando origem a uma emigração demasiadamente ampla e desorganizada, sendo que, já em 2015, a Área Metropolitana de Lisboa somava cerca de:
2,8 milhões de habitantes, o que representa 27% da população portuguesa, enquanto a Área Metropolitana do Porto tem cerca de 18% da população total”!

Obviamente que a busca por melhores condições de vida a ver com a existência de desemprego repentino na família, bem como a procura por melhores serviços, a ver com o fecho ininterrupto de escolas ou unidades de saúde em certas localidades, serão algumas das grandes causas para todo este efeito catastrófico, cujas consequências mais diretas poderão ser: aumento de problemas de cariz social no litoral, como a pobreza ou a criminalidade, criando-se empregos cada vez mais precários para fazer face a todo um conjunto de necessidades, se calhar até inultrapassáveis, na minha opinião, ao mesmo tempo que acontece a desertificação de aldeias e o posterior envelhecimento da população, logo o aumento de impostos torna-se quase como que obrigatório, diminuindo-se ainda mais os recursos naturais, campos agrícolas e todo um vasto conjunto de costumes e valores humanos, perdendo-se também o posicionamento estratégico conseguido até então.

E ainda temos depois a profunda alteração das nossas paisagens, dos nossos solos e das nossas florestas, que apesar de existir no presente uma grande chamada de atenção em torno de temas tais como o turismo em Portugal, a Gastronomia Portuguesa, a agricultura biológica, etc, assistindo-se atualmente, aos poucos, e ainda bem, a um deslocamento de pessoas no sentido contrário, ou seja, começam a surgir os intitulados “novos-rurais” com vontade de contribuírem para o desenvolvimento dessas mesmas áreas isoladas, por que não serem criados ainda mais incentivos ao nível do poder local e instituições governamentais?
Termino este texto, apenas dizendo o seguinte: é tempo de mudar mentalidades, é tempo de unir forças, é tempo de lutar pelas nossas crianças, pois no campo da educação e da formação, sendo eu também professora ao nível do ensino público, esta será outra área onde é preciso fazer muitíssimo!

sábado, 7 de janeiro de 2017

AFINAL, COMO TUDO COMEÇOU...

Tudo começou no dia 12 de março de 2014, altura em que eu decidira alterar alguns padrões na minha vida e ao mesmo tempo na minha cozinha e na minha relação com os alimentos.
E se por um lado estamos a cada dia que passa mais informados sobre os principais benefícios no que toca ao tipo de dieta que seguimos, por outro lado há que fazer um esforço maior por interpretar os verdadeiros sinais do nosso corpo, resumindo-se tudo, no fundo, a uma questão de consciência e boas práticas.
Quanto às gerações mais novas, eu creio que as mesmas herdaram todo um conjunto de ideais demasiadamente alusivas a um tipo de informação pouco criteriosa. Desde logo foram fustigados pelo tempo extremamente curto que têm para almoçar, por exemplo, tornando-se nas vítimas perfeitas num mundo em que o marketing se tornará cada vez mais agressivo!
hambúrgueres
Por outras palavras, se a esperança média de vida humana aumentou bruscamente nos últimos anos, também em consequência do desenvolvimento da medicina, se calhar, daqui a alguns anos estaremos a assistir a um nefasto retrocesso, não? E como atuar perante o progressivo envelhecimento da população?
Sendo eu professora, logo detentora de uma formação profissional ligada ao ramo da educação em Portugal, sou da opinião de que nas nossas escolas se deveria começar por oferecer outro tipo de produtos alimentares nos bufetes e nas máquinas de venda automática. Isto é algo para o qual tenho sempre a preocupação e a moral suficiente para alertar em ambiente de sala de aula, quanto aos correspondentes malefícios para o que é praticado habitualmente.
Existe, sem dúvida, uma série de incongruências que urgem ser combatidas, que é tanto mais grave quando se prefere pactuar com toda esta situação, por simples conveniência!
frutas e legumes biológicos
Neste sentido, para todos os que gostam de cozinhar, ou que simplesmente sabem apreciar um bom prato de comida, daqui vos lanço um desafio: o de continuarem a lista de definições abaixo.

Cozinhar é:

 – provar o sentido real das coisas
– reequilibrar a balança dos nossos direitos e deveres
– ter o dom de recriar a cada dia que passa os nossos sentidos e emoções
– ultrapassar os maiores medos e frustrações com a ajuda da varinha mágica
– deixar a cozer em lume brando os nossos maiores sonhos
– tornar os finais de dia bem mais interessantes
– ter o prazer de degustar o vinho mais doce
– ousar ser criativo, crente e mais belo
– experienciar uma nova mistura de especiarias
– ao mesmo tempo uma brincadeira suave de crianças e um prazer zeloso de adultos
– reviver a infância mais ténue
– tecer um singelo manto de aromas e texturas
– não ser obrigado a procurar um fastfood à beira da estrada
– contar a história da nossa aldeia
– sinónimo de diversão e confraternização
– um estilo de vida maior
– não ter preço nem pressa
– …

Para finalizar, clique abaixo para saber mais de