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segunda-feira, 28 de maio de 2018

A História e a Receita Original de "Bacalhau à Gomes de Sá"!

Bacalhau à Gomes de Sá é um dos pratos tradicionais da culinária portuguesa que recebe o nome do seu próprio criador, da autoria de José Luís Gomes de Sá Júnior, que nasceu no Porto a 7 de Fevereiro de 1851 e que faleceu no ano de 1926. 
Negociante de bacalhau, sediou o seu negócio num armazém da Rua do Muro dos Bacalhoeiros, na Ribeira do Porto, tendo vendido a receita ao seu colega e amigo João, cozinheiro do Restaurante Lisbonense, localizado na Travessa dos Congregados, na cidade do Porto

A receita original propõe que o bacalhau seja cortado em pequenas lascas amaciadas em leite durante cerca de uma hora e meia a duas horas e que seja cozinhado com azeite, alho, cebola, acompanhado com azeitonas pretas, salsa e ovos cozidos.
Já agora, sabiam que o bacalhau à Gomes de Sá foi um dos candidatos finalistas às 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa?

Este é então um prato originário e típico da cidade do Porto, normalmente acompanhado com Vinho verde tinto ou Vinho do Douro tinto, sendo ao mesmo tempo de preparação relativamente simples e rápida.
Por ser muito apreciado, é um prato que tem também impacto em todo o território português, bem como no Brasil, graças à imigração portuguesa pós-colonial, sobretudo depois dos meados do século XIX

Tais portugueses, vindos maioritariamente do norte daquele país, trouxeram consigo a sua rica gastronomia, de tal modo que este e outros pratos de bacalhau-do-atlântico (Gadus morhua) são consumidos no Brasil (em que o azeite também é um componente omnipresente nessas receitas gastronómicas), como herança cultural das povoações do Norte de Portugal

Por essa razão, o Consul do Brasil no Porto, em 1988, João Frank da Costa, decidiu homenagear o criador da receita, José Luís Gomes de Sá Júnior, mandando colocar uma placa na parede da casa onde nasceu, na Rua do Muro dos Bacalhoeiros. 
Em vários mercados do Brasil, o bacalhau é vendido como Bacalhau do Porto, devido a esta história relacionada com o Bacalhau à Gomes de Sá, o que, muitas vezes, confunde as pessoas, que acabam por pensar que o bacalhau é pescado no Porto.

 A receita original de José Luís Gomes de Sá

Gomes de Sá era um comerciante da cidade do Porto nos finais do século XIX. A ele, se deve esta receita de bacalhau que terá sido criada com os mesmos ingredientes (à exceção do leite) com que, semanalmente, fazia os bolinhos de bacalhau que deliciavam os amigos. 

Com efeito, os ingredientes são os mesmos, mas a receita resulta de uma confeção mais cuidada e de maior requinte, suprimindo a farinha, escalfando o bacalhau no leite, realçando o gosto com a cebola alourada às rodelas e passando o ovo a ser cozido. 
E a mistura dos vários elementos com azeite e a ida ao forno para homogeneizar os sabores concebeu um novo prato: o «Bacalhau à Gomes de Sá».

Alguns conselhos úteis:

  • Devem-se escolher alhos, batatas, cebolas, salsa e azeitonas de boa qualidade: caseiros ou de agricultura biológica, de crescimento lento. Bem como ovos de galinhas caseiras ou de agricultura biológica.
  • Deve-se também escolher leite magro e não leite meio-gordo ou leite gordo, para não ser enjoativo, no amaciamento das lascas de bacalhau.
  • O bacalhau tem de ser sempre bacalhau-do-atlântico, Gadus morhua, de postas grossas, de salga lenta e cura amarela.
  • O azeite deve ser de muito boa qualidade para se obter o sabor original da receita, que tem sido desvirtuada nas últimas décadas, pela maioria dos restaurantes, com receitas que se afastam da original e/ou que utilizam ingredientes com pouco qualidade orgânica, bem como são muitas vezes publicitadas nos «mass media» e nas redes sociais, levando o consumidor comum a confundir essas falsas receitas.

Ingredientes (segundo a receita original de José Luís Gomes de Dá Júnior):

  • postas de bacalhau demolhado
  • batata
  • dentes de alho
  • cebolas
  • ovos cozidos
  • azeite q.b.
  • salsa q.b.
  • azeitonas pretas a gosto
  • leite magro q.b.

Confeção (segundo a receita original de José Luís Gomes de Sá Júnior):

Pega-se no bacalhau demolhado e deita-se numa caçarola. 
Depois, cobre-se tudo com água a ferver, e, depois, tapa-se com uma baeta grossa ou um pedaço de cobertor e deixa-se, então, assim, sem ferver, durante 20 minutos.  

A seguir, ao bacalhau que está na caçarola e que devem ser 2 quilos pesados em cru, tiram-se-lhe todas as espinhas e faz-se em lascas e põe-se num prato fundo, cobrindo-se com leite quente, deixando-o, em infusão, durante uma hora e meia a duas horas. 
Depois, em uma travessa de ir ao forno, deita-se três decilitros de azeite fino do mais fino (isto é essencial), quatro dentes de alho e oito cebolas a alourar.  
Ter já dois quilos de batatas (cortadas, à parte, com casca) às quais se lhes tira a pele e se cortam às rodelas da grossura de um centímetro e bota-se as batatas mais as lascas do bacalhau, que se retiram do leite.  

Põe-se, então, na mesma travessa, no forno, deixando-se ferver tudo, por dez a quinze minutos. 
Serve-se, na mesma travessa, com azeitonas grandes pretas, muito boas, e mais um ramo de salsa muito picada e rodelas de ovo cozido. Deve-se servir bem quente, muito quente.”

A receita é retirada de um manuscrito, atribuído ao próprio José Luís Gomes de Sá, que teria vendido a receita a um seu colega e amigo, João, cozinheiro do Restaurante Lisbonense, localizado na Travessa dos Congregados, na cidade do Porto, com a deliciosa nota: “João, se alterar qualquer coisa, já não fica capaz“. 
O aviso de que “Deve-se servir bem quente, muito quente” também tem de ser sempre, impreterivelmente, cumprido, para que o prato tenha qualidade!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Susana Ribeiro em entrevista à Cozinha Com Rosto by Mónica Rebelo!

Susana Ribeiro vive em Vila Nova de Famalicão e está atualmente no final da licenciatura em Gestão de Atividades Turísticas.
 
Mas se por um lado afirma ser “apaixonada pela arte de viver”, e por outro assume “viver num mundo de opiniões irreverentes ou sonhos cor de rosa”, o Cravo e Canela, então convido-vos, desde já, a conhecerem, meus caros leitores deste blog, “uma mulher e pêras” e apologista do lema “mente sã em corpo sã”.
 
Já agora, no que diz respeito ao prato típico que mais aprecia ao norte de Portugal, sublinha, por exemplo, a Francesinha do Porto ou do Minho; mas quando vai para a cozinha, gosta de improvisar e particularmente adora elaborar vários tipos de panquecas!

1) Para começar, o que a levou a criar um blog e qual a sua razão para ter escolhido um nome tão sugestivo quanto o de “Cravo e Canela”? 

Susana Ribeiro: A principal motivação que me levou a criar um blog, foi desde sempre ser apaixonada por comunicação e escrita. Desde muito nova que adorava escrever e debater assuntos dos quais me interessavam. Junto disso, várias amigas, particularmente uma grande amiga minha, a Joana Campos, sugeriam a criação de um projecto meu, que me incentivou a acreditar mais em mim. 
O nome, confesso que já tinha meio layout da página elaborado, possíveis temas a abordar, no entanto não tinha ideia de nome. Contudo, e habitualmente devido aos meus hábitos alimentares, coloco canela no iogurte; num dos meus lanches de verão, enquanto o fazia, surgiu “Cravo e Canela”.

2) Algures, nesse mesmo blog, afirma que “eu preservo tanto a nossa saúde física e mental”, logo concorda com a necessidade de cada um de nós preservar a sua própria identidade e de conseguir manter ao máximo o equilíbrio entre o seu «corpo» e a sua «alma», é isso?

Susana Ribeiro: Sim, “mente sã em corpo sã”! Adoro desporto e a capacidade de libertar a nossa energia ou stress acumulado em actividades físicas, como uma corrida pela manhã, uma ida ao ginásio, um passeio de bicicleta… É importante saber desafiar o nosso corpo, em virtude de melhorar a nossa estética e a nossa saúde. 
No entanto, do que vale um corpo bonito numa mente obstruída e sem controlo? Nada. Tenho diagnosticado ansiedade crónica há cinco anos, e é também um dos temas que abordo no blog, e o nosso otimismo e paz interior é tão ou mais importante como um corpo esbelto.

3) E por acaso pratica algum tipo de dieta alimentar em especial? Gosta de cozinhar?

Susana Ribeiro: Não propriamente. Tenho cuidados especiais em beber muita água, comer de 3 em 3 horas, limitar-me a uma ou duas refeições “asneirentas” na semana, evitar hidratos de carbono a partir das 18h e refeições ricas em proteínas e energéticas. 
Sim! Gosto de improvisar em tudo o que cozinho. Particularmente adoro elaborar vários tipos de panquecas. 

4) Eu, particularmente, aprecio muito o facto das pessoas quererem arriscar, apostando ao mesmo tempo na sua criatividade, por isso, eu pergunto-lhe: quais é que serão, afinal de contas, os seus principais objetivos para um futuro mais próximo e as suas maiores expectativas?
 
Susana Ribeiro: Para um futuro mais próximo, espero alcançar o maior número de pessoas e marcas a seguirem e admirarem o meu projecto, que me dedico com muito carinho e esforço.  Contudo, um dos meus principais objectivos é futuramente escrever um livro, sendo este já um sonho de criança.
No entanto, gosto de levar um dia de cada vez e ser surpreendida pela vida.
 
5) Sendo Vila Nova de Famalicão a sua terra natal, por acaso considera-se, digamos que, “uma mulher do norte”?
 
Susana Ribeiro: Sim! “Uma mulher e pêras” (usamos bastante esta expressão no Norte). No norte somos mais liberais e arrojados. Eu sou uma pessoa muito transparente e de riso fácil, mas com muita confiança e determinação.
6) E a sua formação em Gestão de Atividades Turísticas, como está a correr?
 
Susana Ribeiro: Estou no último semestre, termino em Julho se tudo correr bem! Actualmente estou a terminar as últimas unidades curriculares da licenciatura e a desenvolver um Projecto sobre a Casa Museu de Camilo Castelo Branco.  
7) Já agora, o que tem a dizer acerca do desenvolvimento da atividade turística no nosso país? Será que sempre estamos a ir pelo melhor caminho, conseguindo atrair mais e mais estrangeiros, ou será que tudo isto não passa simplesmente de um «sonho», sendo tão-somente a consequência direta do que se tem passado nos outros países?
 
Susana Ribeiro: Não. Não é um sonho. O Turismo é uma actividade que tem tudo para crescer, tanto em Portugal como nos restantes países. O ser humano tem uma extrema curiosidade em conhecer o que existe para lá das fronteiras dele e de sobretudo partilhar, com a sua comunidade, experiências. Portugal tem imensa variedade de turismo para oferecer, como sol e mar, cultura, montanha, gastronomia…. Imenso. Paralelamente, hoje em dia, as distâncias estão cada vez mais curtas e económicas, portanto têm tudo para crescer.  No entanto, em Portugal, apesar de o sector do turismo equivaler a mais de 20% do nosso PIB, ainda não existe valorização pelos qualificados na área, levando a uma falta de confiança pelos que mais deviam acreditar.
 
8) Para terminar, seria capaz de indicar, aos leitores do blog Cozinha Com Rosto, qual o prato típico que mais aprecia ao norte de Portugal? E no que diz respeito a, por exemplo, roteiros turísticos, seria possível indicar também algum?
 
Susana Ribeiro: Não há nada como uma Francesinha no Porto ou no Minho. Já comi em vários locais do país e nenhuma se iguala. No entanto, o Rojões à Minhota ou à Moda do Porto também aprecio e aconselho.
Dois possíveis roteiros que aconselho seria a visita ao centro Histórico do Porto, o Cruzeiro das 7 pontes no Rio Douro com visita às caves e a visita interior à Torre dos Clérigos. 
Em segundo lugar, a lindíssima cidade berço, Guimarães! Sugeria uma visita pelo centro histórico, o castelo de Guimarães e o nobre Paço dos Duques.   
Portanto, aqui ficam também algumas dicas ao nível de possíveis roteiros turísticos ao Norte de Portugal, país este potencialmente tão ou mais rico do que se calhar julgamos ser, apesar do “fado” que há em nós!
E obrigada pelo seu tempo despendido, minha cara seguidora Susana Ribeiro, desejando-lhe muito sucesso!
Para finalizar, se quiserem também ficar a par da entrevista que a própria Susana Ribeiro fizera, há bem pouco tempo, sobre mim e do meu blog Cozinha Com Rosto, clique no seguinte link:

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O dia Internacional do Vinho do Porto, a sua história e duas receitas!

DIA INTERNACIONAL DO VINHO DO PORTO
Será durante o dia de amanhã, 27 de janeiro, que se assinalará o intitulado Dia Internacional do Vinho do Porto!

Mas esta data já fora criada em 2012 pelo Center for Wine Origins, uma instituição dos Estados Unidos da América, da qual o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto) faz parte.

Já agora, a chamada “Região demarcada do Douro” engloba cerca de 250 mil hectares, onde 44 mil são compostos por vinhas e 32 mil estão autorizados a produzir vinho do Porto; em terra de socalcos existem mais de 100 castas aptas à produção.

E se a região é demarcada há mais de 260 anos, a produção na região é já milenar, antecedendo a ocupação romana, somando já cerca de 65 mil pessoas envolvidas na produção deste tipo de vinho.

Por outro lado, o Douro é considerado Património da Humanidade pela UNESCO como “paisagem cultural evolutiva e viva”, estando dividido em três sub-regiões (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior).

Alguns factos sobre o vinho do Porto:

– 85% da produção deste vinho é para exportação (7,5 milhões de caixas por ano).
– 20% das exportações destinam-se a França.
– França, Portugal, Reino Unido, Holanda, Bélgica e EUA são os países que mais consomem esta bebida.
– O vinho do Porto está presente em cerca de 120 mercados.
– As vendas do vinho do Porto rendem 365,4 milhões de euros (em 2013).
– O nível de álcool deste vinho varia entre 16,5% (branco leve seco) e 22%.
– Existem quatro estilos de vinho do Porto: Tawny (envelhecido em pipa), Ruby (envelhecido em garrafa), Branco e Rosé.
– EUA, Argentina, África do Sul ou Austrália são alguns países que produzem imitações do vinho do Porto.

A HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO

Quanto à sua história, o Vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da Região Demarcada do Douro, no Norte de Portugal a cerca de 100 km a leste da cidade do Porto, sendo Régua e Pinhão os principais centros de produção e S. João da Pesqueira o concelho com maior produção de vinho do Porto a nível nacional.

Apesar de produzida com uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como “vinho do Porto” a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade: Vila Nova de Gaia é então o local com maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo!

Porém, a “descoberta” do vinho do Porto é polémica, já que uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. 

Por outro lado, o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses, pois já, por causa das época dos Descobrimentos, o vinho era armazenado desta forma para se conservar durante todo o tempo das viagens. 

Portanto, a diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas e a empresa Croft foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.

O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). 

Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool) e mais forte do que os restantes vinhos (entre 19 e 22º de álcool).

Fundamentalmente consideram-se três tipos de vinhos do Porto: Branco, Ruby e Tawny.

Acrescente-se ainda que o vinho do Porto que envelhece até três anos é considerado standard, pertencendo a categorias especiais, quer porque as uvas que lhe deram origem são de melhor qualidade, quer por terem sido produzidos num ano excepcionalmente bom em termos atmosféricos. 
Assim, entre as categorias especiais, é comum encontrar os Reserva, os LBV, os Tawnies envelhecidos e os Vintage, e, menos regularmente, os Colheita.

Para terminar, nos primórdios da história do comércio do vinho do Porto, os ingleses eram das famílias mais influentes no negócio, uma vez que o mercado inglês era o maior consumidor mundial do famoso néctar português. 
Com o passar dos anos outras nacionalidades — tais como holandeses, alemães e escoceses — prevaleceram igualmente no comércio deste produto português. 
As principais casas portuguesas eram a casa Ferreira — detida por D. Antónia Ferreira —, Ramos Pinto e a Real Companhia Velha.

RECEITA NA CATEGORIA DE CARNE: Entrecosto carnudo com batatas no forno

Ingredientes:

  • azeite, sal e folhas alecrim q. b.
  • 1 cebola grande cortada às rodelas
  • 6 alhos esmagados
  • 6 folhas de louro
  • 1 peça de entrecosto carnudo
  • 4 colheres de sopa de massa de pimentão
  • 4 colheres de sopa de margarina
  • 4 colheres de sopa de polpa de tomate
  • 1 cálice de vinho do Porto
  • batatas pequenas cortadas aos quartos para 4 pessoas

Confeção:

  1. cobrir o tabuleiro de barro com o azeite, a camada de cebola cortada às rodelas, os alhos esmagados e as folhas de louro
  2. colocar, por cima, a peça de entrecosto carnudo envolvida em: massa de pimentão, polpa de tomate, vinho Porto, folhas de alecrim e sal q. b.
  3. entretanto devem-se dar alguns golpes na própria carne, acrescentando mais uns pedaços de folhas de louro, bem como pedaços de margarina
  4. distribuir as batatas envolta da peça de carne
  5. ligar o forno a 180ºC, tendo a preocupação de ir virando a peça de carne, bem como as batatas 

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Maçãs assadas no forno

Ingredientes:
  • 6 maçãs vermelhas
  • 6 paus de canela
  • açúcar amarelo q. b.
  • 1 cálice de vinho do Porto 

Confeção:

  1. Lavar as maçãs, para depois, com a ajuda de algum instrumento próprio para o efeito, retirar a parte central (pedúnculo e caroços), criando um tubo oco no meio de cada uma delas
  2. Colocar as maçãs num tabuleiro para ir ao forno, polvilhando em seguida com açúcar a gosto, para além de introduzir um pau de canela no meio de cada uma
  3. Salpicar o tabuleiro com o vinho do porto, levando depois tudo ao forno pré-aquecido a 180.ºC, cerca de 1h

sexta-feira, 23 de junho de 2017

AGENDA DOMÉSTICA COZINHA COM ROSTO 2017: LISTA DE COMPRAS E CONTAS DO MÊS DE JUNHO - BIBÓ S. JOÃO!

Está quase a chegar um dos eventos mais esperados ao norte de Portugal: a noite de São João no Porto!

E a festa maior será, portanto, hoje à noite, dia 23 de junho, sendo ao mesmo tempo ligada à celebração do solstício de verão, por isso brindemos todos com bastante luz, cor, dança, fogo-de-artifício e petiscos, para além dos já célebres alhos-porros, balões de ar quente, fogueiras e manjericos!

“O São João do Porto é uma festa popular que tem lugar de 23 para 24 de Junho na cidade do Porto, em Portugal. Oficialmente, trata-se de uma festividade católica em que se celebra o nascimento de São João Batista, que se centra na missa e procissão de São João no dia 24 de Junho, mas a festa do S. João do Porto tem origem no solstício de Verão e inicialmente tratava-se de uma festa pagã. As pessoas festejavam a fertilidade, associada à alegria das colheitas e da abundância. Mais tarde, à semelhança do que sucedeu com o Entrudo, a Igreja cristianizou essa festa pagã e atribui-lhe o S. João como Padroeiro.

Trata-se de uma festa cheia de tradições, das quais se destacam os alhos-porros, usados para bater nas cabeças das pessoas que passam, os ramos de cidreira (e de limonete), usados pelas mulheres para pôr na cara dos homens que passam, e o lançamento de balões de ar quente. Tradicionalmente, o alho-porro era um símbolo fálico da fertilidade masculina e a erva cidreira dos pelos púbicos femininos. A partir dos anos 70, foram introduzidos os martelos de plástico que desempenham o mesmo papel do alho-porro, tendo, curiosamente, também um aspecto fálico. Nos anos 70, nas Fontaínhas, vendia-se ainda, na noite de S. João, pão com a forma de um falo com dois testículos, atestando muito claramente as conotações da festa com as antigas festas da fertilidade. Existem, ainda, os tradicionais saltos sobre as fogueiras espalhadas pela cidade, normalmente nos bairros mais tradicionais; os vasos de manjericos com versos populares são uma presença constante nesta grande festa e o tradicional fogo de artifício à meia-noite, junto ao Rio Douro e à ponte Dom Luís I. O fogo de artifício chega a durar mais de 15 minutos e decorre no meio do rio em barcos especialmente preparados, sendo acompanhado por música num espectáculo multimédia.

Além de tudo isto, existem vários arraiais populares por toda a cidade do Porto especialmente nos bairros das FontainhasMiragaiaMassarelos, entre outros. Nos arraiais, normalmente, existem concertos com diversos cantores populares acompanhados, quase sempre, por comida, em especial, o cabrito assado e mais recentemente grelhados de carnes e também sardinhas. A festa dura até às quatro ou cinco horas da madrugada, quando a maior parte das pessoas regressa a casa. Os mais resistentes, normalmente os mais jovens, percorrem toda a marginal desde a Ribeira até à Foz do Douro onde terminam a noite na praia, aguardando pelo nascer do sol.


Não se conhece com rigor quando teve início a festa do S. João do Porto. Sabe-se, pelos registos registos do Séc XIV, já que Fernão Lopes, por essa altura se terá deslocado ao Porto para preparar uma visita do Rei, tendo chegado na véspera do S. João, deixou escrito na Crónica que era um dia em que se fazia no Porto uma grande festa, descrevendo-a e como era vivida pelas gentes do Porto.


É no entanto possível que essa festa fosse mais antiga, pois existia uma cantiga da época que dizia até os moiros da moirama festejam o S. João.


Era também no dia de S. João que a Câmara Municipal do Porto se reunia em Assembleia Magna, que corresponderia à actual Assembleia Municipal, reunião essa realizada no Claustro do Mosteiro de S. Domingos, pelo seu grande espaço, onde se procedia à eleição dos Vereadores e onde se tomavam as decisões mais importantes para a cidade.”

Para ter acesso ao programa respetivo, por favor clique em:

http://www.portolazer.pt/assets/misc/img/noticias/S%C3%A3o%20Jo%C3%A3o/2017/programa-sao-joao-2017.pdf

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O SOLSTÍCIO DE VERÃO E A TRAGÉDIA EM PEDRÓGÃO GRANDE!

Hoje assinala-se o solstício de verão de 2017, o que marca oficialmente o início da estação do verão, das praias, do calor, dos gelados, das férias escolares, mas também dos incêndios, que sendo eu natural da cidade de Leiria, não podia deixar de escrever sobre o inigualável incêndio na zona de Pedrógão Grande, que depois de tanta tragédia e de tantos operacionais envolvidos, ainda não nos deixou em paz!

O combate continua em curso”, disse à agência Lusa fonte do CDOS de Leiria, sublinhando que o incêndio “ainda não está dominado”.
Segundo a mesma fonte, ocorreram “várias reativações em vários setores, umas mais fortes do que outras”, sendo que “os meios estão a combater consoante as reativações que vão aparecendo.
Em Pedrógão Grande, encontravam-se, pelas 07:30 de hoje, 1.187 operacionais e 406 veículos, de acordo com o ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). 
O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 150 feridos, segundo um balanço provisório. 
O fogo começou em Escalos Fundeiros e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria. 
Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco e de Coimbra.

Realmente, é lamentável saber, como de facto começou tudo: trovoada seca!
Ora bem, de acordo com o site da Wikipédia, “uma trovoada seca é uma tempestade que produz relâmpagos, mas em que a maioria ou toda a precipitação evapora antes de atingir o solo (…) as trovoadas secas ocorrem essencialmente em condições secas, e os relâmpagos são uma importante causa de incêndios. Por este motivo, o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, e outras agências em todo o mundo, emitem previsões da probabilidade de ocorrerem em determinadas áreas.” 
Então, muitos hoje se interrogam sobre o que é que afinal correu menos bem no que toca, por exemplo, à troca de informações entre as entidades competentes a ver com a Meteorologia e a Proteção Civil!
E no portal de notícias da Globo, do passado dia 18 de junho, anunciava-se que “mais da metade das vítimas (30) morreu carbonizada dentro de seus carros na estrada entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra”; mas como é que foi acontecer tudo isto desta forma, sabendo que “o fogo começou por volta das 15h de sábado”?
E se, um pouco por todo o mundo, até há bem pouco tempo, felicitava-se Portugal pelo facto do vencedor do Festival da Eurovisão da Canção 2017 ser Salvador Sobral, apesar de, entretanto, a própria União Europeia oferecer a sua preciosa ajuda a Pedrógão Grande, neste momento, encontra-se este mesmo país, caracterizado todo ele por um profundo luto nacional, em grande destaque por todo o mundo, muito embora pelas piores razões, em que, por exemplo, o jornal espanhol El Mundo aponta o dedo para a “inoperância de Portugal na luta contra os incêndios“, sendo “a tragédia com mais mortos num único fogo em quase um quarto de século em todo o mundo“; por outro lado, esse mesmo jornal afirma que “a tragédia de Pedrogão Grande deve desencadear a tomada de decisões ao nível europeu para fazer da luta contra os incêndios uma prioridade em todo o sul da Europa”, isto de acordo com um artigo que eu também li no site da Sábado, do passado dia 19 de junho.
Já por volta do ano de 2005, se escrevia pela Internet, o seguinte título, bastante atual, por sinal: “Floresta portuguesa: o desespero de hoje e a esperança no amanhã”; para além de que:

O fogo é um elemento presente nas paisagens dos países do Sul da Europa, tendo acompanhado o pastoreio e os desbastes da floresta, através do tempo, e condicionado o desenvolvimento ou regressão dos ecossistemas florestais (Alves et al., 2006). As mudanças socioeconómicas em curso nos países do Sul da Europa, na segunda metade do seculo XX, refletiram-se no uso tradicional da terra e estilo de vida das populações e traduziram-se no aumento de grandes áreas de terras agrícolas abandonadas, muitas das quais se tornaram paisagens propensas à ocorrência de incêndios de grande intensidade, devido aos elevados níveis de biomassa, acumulados ao longo dos anos e prontos para alimentar fogos catastróficos durante o Verão. Com os grandes incêndios a aumentar em frequência e extensão, tomando, por vezes, dimensões catastróficas, perdeu-se o seu importante papel de renovadores dos ecossistemas (Noss et al., 2006).”

Não esqueçamos que, se por acaso 2008 foi o ano em que a área ardida foi menor desde 1980, o pior ano continua a ser o de 2003, tudo de acordo com dados retirados do site da Wikipédia, donde já também se pode ter acesso a um pequeno texto sobre o “Incêndio florestal de Pedrógão Grande em 2017.

De facto, ao longo dos anos, tem-se assistido à saída de pessoas das zonas que compõem o interior para essencialmente as grandes cidades do litoral, dando origem a uma emigração demasiadamente ampla e desorganizada, sendo que, já em 2015, a Área Metropolitana de Lisboa somava cerca de:
2,8 milhões de habitantes, o que representa 27% da população portuguesa, enquanto a Área Metropolitana do Porto tem cerca de 18% da população total”!

Obviamente que a busca por melhores condições de vida a ver com a existência de desemprego repentino na família, bem como a procura por melhores serviços, a ver com o fecho ininterrupto de escolas ou unidades de saúde em certas localidades, serão algumas das grandes causas para todo este efeito catastrófico, cujas consequências mais diretas poderão ser: aumento de problemas de cariz social no litoral, como a pobreza ou a criminalidade, criando-se empregos cada vez mais precários para fazer face a todo um conjunto de necessidades, se calhar até inultrapassáveis, na minha opinião, ao mesmo tempo que acontece a desertificação de aldeias e o posterior envelhecimento da população, logo o aumento de impostos torna-se quase como que obrigatório, diminuindo-se ainda mais os recursos naturais, campos agrícolas e todo um vasto conjunto de costumes e valores humanos, perdendo-se também o posicionamento estratégico conseguido até então.

E ainda temos depois a profunda alteração das nossas paisagens, dos nossos solos e das nossas florestas, que apesar de existir no presente uma grande chamada de atenção em torno de temas tais como o turismo em Portugal, a Gastronomia Portuguesa, a agricultura biológica, etc, assistindo-se atualmente, aos poucos, e ainda bem, a um deslocamento de pessoas no sentido contrário, ou seja, começam a surgir os intitulados “novos-rurais” com vontade de contribuírem para o desenvolvimento dessas mesmas áreas isoladas, por que não serem criados ainda mais incentivos ao nível do poder local e instituições governamentais?
Termino este texto, apenas dizendo o seguinte: é tempo de mudar mentalidades, é tempo de unir forças, é tempo de lutar pelas nossas crianças, pois no campo da educação e da formação, sendo eu também professora ao nível do ensino público, esta será outra área onde é preciso fazer muitíssimo!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

OS SANTOS POPULARES, AS SUAS ORIGENS E TRADIÇÕES!

Durante o fim de semana que passou, tal como podem apreciar no vídeo acima, lá fui eu dar uma voltinha pela ruas e vielas de Lisboa, nomeadamente pelo Largo de Santo António da Sé e depois pelo Jardim Augusto Rosa, em busca de certas memórias e tradições relativas ao Santo António, o Santo Popular intitulado de “casamenteiro”, que afinal não é menos Santo Padroeiro de Lisboa do que São VicenteSão Crispiniano ou até São Crispim, donde tive a oportunidade de conhecer: Museu de Lisboa – Santo António; Igreja de Santo António; Sé de Lisboa; Restaurante Antiga Casa De Pasto Estrela Da Sé; Houria Café; Quiosque do Refresco – Sé.Nossa-senhora-do-carmo3-altar.jpg“São Crispim e São Crispiniano eram irmãos. Padeceram o martírio no século terceiro, em Soissons, França. Diz a lenda que, embora de descendência nobre ganhavam o pão como humildes operários. Durante o dia missionários, trabalhavam de noite na pobre oficina de sapateiros. Deles afirma o Martirólogo romano: “Em Soissons, nas Gálias, os santos mártires, Crispim e Crispiniano, nobres romanos: durante a perseguição de Diocleciano, sob o governador Rictiovaro, foram degolados, depois de horríveis tormentos, obtendo assim a coroa do martírio. Os corpos foram, em seguida, transportados para Roma e aí receberam uma sepultura honrosa na Igreja de São Lourenço in Panisperna”.
São considerados os padroeiros dos sapateiros. No séc. VI foi construída, em Soissons, uma belíssima igreja em honra destes dois gloriosos mártires, cujas relíquias nela se acham depositadas. Como Lisboa foi tomada aos mouros em 25 de Outubro de 1147, os santos mártires foram considerados os primeiros padroeiros da cidade reconquistada.

Em 1147 D. Afonso Henriques toma a cidade de Lisboa, no dia de São Crispim. A data levou a que São Crispim fosse declarado padroeiro da cidade. Contudo, a devoção a São Vicente já era generalizada, especialmente entre os cristãos moçárabes, que convenceram D. Afonso Henriques a encontrar e trazer para a capital as suas relíquias.

São Vicente viria a tornar-se o santo padroeiro de Lisboa quando, em 1173, D. Afonso Henriques ordenou a trasladação das suas relíquias do Cabo de São Vicente (Sagres) para a cidade. A lenda segundo a qual a barca que trouxe as relíquias vinha escoltada por corvos está na origem de uma das representações imagéticas de São Vicente (com uma barca e um corvo) e do próprio brasão de armas da cidade de Lisboa (uma barca com dois corvos sobre os castelos da popa e da proa).

Eis que, logo no século seguinte, aparece o Santo António. Embora tenha morrido em Itália, foi com naturalidade que em Lisboa, a cidade onde nasceu, crescesse a devoção a este santo, verdadeiramente popular, em todos os sentidos da palavra: “O nosso Santo António é um fenómeno de devoção mundial. Vamos a qualquer parte do mundo e encontramos uma imagem de Santo António”, explica o Cónego Lourenço.

Esta reacção popular levou a que os dois santos partilhassem, durante alguns tempos, a responsabilidade de proteger a cidade: “Então ficaram os dois, Santo António com um cariz mais popular e São Vicente com um cariz mais aristocrático. Mantiveram-se assim as duas celebrações. Quando a Igreja determinou, mais recentemente, que só houvesse um padroeiro principal, então aqui na diocese optou-se por manter, na Cidade de Lisboa o Santo António, e para a diocese, São Vicente. É uma norma de ordem litúrgica, porque na prática a Câmara Municipal ficou sempre ligada a São Vicente, que está nas armas da cidade, e o presidente da Câmara costuma ir à Sé no dia de São Vicente, da mesma forma que, desde que se restaurou, costuma também ir à procissão de Santo António”, explica o Deão do Cabido da Sé.”

(fontes: http://religionar-variado.blogs.sapo.pt/2940.html,

Daí que, as verdadeiras festas populares celebradas em muitas das nossas cidades, nada tenham a ver com o verdadeiro Padroeiro Oficial; porém, junho será sempre um mês puramente dedicado aos Santos Populares, com festas e arraiais de norte a sul de Portugal: brindemos, portanto, a Santo António, São João e São Pedro!

As principais comemorações são as relativas aos dias 13 de junho, Dia de Santo António de Lisboa, e 24 de junho, Dia de São João do Porto
E se por Lisboa existe o desfile das marchas populares na Avenida da Liberdade, bem como a celebração dos casamentos na Igreja de Santo António, com sabor a sardinha no pão e cheiro a manjerico na mão, pelo Porto existem os martelinhos e o alho-porro. 
Para finalizar, ainda há o Dia de São Pedro para bailar e cantar a 29 de junho, com mais balões, caldo verde e vinho pelas ruas de Sintra ou Évora!

“Em Lisboa as marchas populares de cada bairro desfilam pela Avenida da Liberdade, enchendo aquela artéria de centenas de figurantes, música, colorido e muito público. Mas a enchente e a animação não são menores nas ruas desses bairros, com destaque para Alfama, mas também para a Graça, Bica, Mouraria ou Madragoa. Nos largos e vielas medievais, come-se caldo verde e sardinha assada, canta-se e baila-se noite dentro. Outro momento alto é a procissão de Santo António, que no dia 13 sai da sua igreja, situada em Alfama, junto à Sé, no local onde este santo nasceu, cerca de 1193.

No Porto, a festa é idêntica em cor e alegria ao longo dos bairros mais tradicionais, como Miragaia, Fontainhas, Ribeira, Massarelos e outros. Mas o Porto tem ainda outros usos e costumes: se antigamente os foliões batiam com alho-porro na cabeça dos companheiros, hoje usam martelinhos de plástico com o mesmo fim; por outro lado, além do feérico fogo-de-artifício que é lançado à meia-noite em pleno rio Douro, no Porto também se lançam coloridos balões de ar quente, numa das mais bonitas celebrações destes festejos populares. A noite acaba para muitos junto à praia, para ver nascer o sol ou para um banho matinal, como manda a tradição.”

(fonte: https://www.visitportugal.com/pt-pt/node/210955)

Mas atenção que estas mesmas tradições não são unicamente portuguesas! 
Aliás, tudo acontece devido ao costume pagão de festejar o solstício de Verão, por sua vez celebrado a 24 de Junho, como acontece em Alemanha, Brasil, Dinamarca, Finlândia, França, Noruega, Polónia, Rússia ou Suécia.


“O primeiro a ter festa em Portugal, porém, é bem lusitano. Trata-se, inclusive, do único santo nascido em Lisboa. De nome de baptismo Fernando Bolhão (ou de Bulhões), nasceu em finais do século XII e aos 20 anos decidiu enveredar pela vida religiosa, optando, anos depois, por ser padre franciscano, dedicando-se assim aos pobres. E mudando o nome de Francisco para (irmão) António, percorrendo mundo. Também ficou conhecido como Santo António de Pádua, por nessa região de Itália ter vivido nos últimos anos antes de morrer em 1231. A 13 de Junho, pois. Hoje.

Se Santo António está associado a Lisboa, São João encontra-se ligado à cidade do Porto. Atenção, São João do Porto, padroeiro da cidade, e não São João Baptista. Uma personagem que remonta ao século IX, eremita, de nome João. Só que tal história nunca foi bem aceite e, assim, o ‘São João do Porto’ é comemorado no mesmo dia que São João Baptista… também eremita. Nascido a 24 de Junho.

O mais antigo santo da Igreja Católica, Pedro, nasceu como Simão mas foi Jesus a lhe mudar o nome por analogia com ‘pedra’ – a ‘pedra’ sobre a qual se iria construir a Igreja Católica. Tendo, por isso, o primeiro dos Apóstolos de Jesus sido considerado o primeiro Papa. Por ter morrido muito velho – pelo menos para a época – é habitualmente representado com barbas brancas e como se apresenta como guardador das ‘portas do céu’ ei-lo de chaves na mão…”