sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Bom Carnaval 2018 com Banoffee Pie servido em taças individuais!

Carnaval é a altura do ano em que as pessoas porventura mais procuram por folia durante os quatro dias que antecedem a quarta-feira de cinzas, mas essa mesma época de festa em que já começa a comemorar-se durante o dia de hoje em muitos locais, também pode significar para muitos mais uma época de descanso e de encontro com os familiares e amigos mais próximos, logo tem a ver com miúdos ou graúdos, ou seja, por que não ir já para a cozinha preparar uma certa receita bastante fácil, prática e deliciosa? 

Banoffee pie ou “bananoffe” é uma torta de sobremesa inglesa feita de banana, creme e toffee (uma espécie de caramelo feito a partir de leite condensado cozido ou doce de leite), tudo combinado numa certa base de pastelaria ou com biscoitos e manteiga desintegrados. Algumas versões da receita também podem incluir chocolate, café ou ambos!

O crédito para a invenção da torta é reivindicado por Nigel Mackenzie e Ian Dowding, o proprietário e chef, respectivamente, do The Hungry Monk Restaurant em Jevington, East Sussex

Eles afirmam ter desenvolvido a sobremesa em 1971, alterando uma certa receita  americana para Torta de Toffee de Café Blum, com recurso a um caramelo macio feito a partir da fervura de uma lata fechada de leite condensado por várias horas. Depois de várias tentativas, incluindo a adição de maçã ou mandarina, Mackenzie sugeriu banana e Dowding disse mais tarde que “de imediato, sabíamos que tínhamos conseguido”. Mackenzie sugeriu o nome Banoffi Pie, e o prato mostrou-se tão popular com seus clientes que eles “não conseguiram retirá-lo” do cardápio.

Banoffeepie.jpg
By Glen MacLarty from SydneyAustralia. – Banoffee pie. Uploaded by Jacklee., CC BY 2.0Link

 

 








 


A receita fora publicada em The Deeper Secrets of the Hungry Monk em 1974 e reimpressa no livro de receitas de 1997, Heaven in The Hungry Monk

Em 1984, uma série de supermercados começaram a vendê-lo como uma torta americana, levando Nigel Mackenzie a oferecer um prémio de £10.000 a qualquer pessoa que pudesse refutar sua reivindicação de serem inventores ingleses.

A fama espalhou-se rapidamente, tendo sido o prato favorito para Margaret Thatcher cozinhar. A receita fora igualmente adotada por muitos outros restaurantes em todo o mundo e a palavra “banoffi” foi aceita pelo Oxford English Dictionary para qualquer coisa com gosto a bananas e toffee.

Infelizmente, Nigel Mackenzie morreu em 2015 e o Restaurante Hungry Monk já não existe, mas há uma placa azul na parede do prédio na aldeia para comemorar a sua criação.

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Banoffee Pie para ser servido em taças individuais

Ingredientes:
  • 200 gramas de biscoito amanteigado
  • 1 lata de leite condensado cozido
  • 2 bananas
  • 1 embalagem de natas
  • 2 colheres de sopa de açúcar

Confeção:

  1. Triturar os biscoitos amanteigados e distribuir o preparado pelas taças individuais.
  2. Bater o leite condensado para ficar mais cremoso, dividindo em srguida pelas mesmas taças sobre os biscoitos moídos.
  3. Cortar as bananas às rodelas para as colocar por cima do leite condensado anterior.
  4. Bater as natas com o açúcar, para depois cobrir as bananas.
  5. Polvilhar tudo com o cacau em pó.

 (fonte: http://inglesgourmet.com/2014/08/receita-de-banoffee-pie-versao-rapida-facil-e-deliciosa/,

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Receita de Tilápia com Leite de Coco acompanhada de Arroz Branco!

Em continuação do texto por mim já desenvolvido em “RECEITA: Espetadas de Tamboril e Camarões Tigre com Salada de Cuscuz“, a Aquicultura em Portugal é reconhecida por obedecer a normas rigorosas em termos de qualidade, sustentabilidade e proteção do consumidor que, de acordo com alguns dados sobre a aquicultura na União Europeia [Fonte: DG MARE, a partir dos dados do Eurostat], temos que a aquicultura em Portugal representa aproximadamente 20% da produção de peixe, sendo a produção de 1,28 milhões de toneladas, tendo mesmo Portugal, no contexto da UE, representado em 2011, 2% do valor da produção aquícola europeia!

Já agora, este tipo de mercado, emprega diretamente cerca de 80 mil pessoas, para um consumo de produtos da pesca e da Aquicultura em Portugal que atinge cerca de 13,2 milhões de toneladas!

Por outro lado, Tilápiasegundo alguns, é talvez um dos peixes brancos mais versáteis para cozinhar, portanto, desta vez, proponho seguirmos em frente com uma receita extremamente fácil e saborosa ao mesmo tempo que consumimos peixe, sendo este tão essencial na nossa alimentação, não acham?  

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By Niall Crotty – Niall Crotty, CC BY-SA 2.5Link
Tilapia capturada no Lago Hora, Debre Zeyit, Etiópia.

Tilápia é o nome comum dado a várias espécies de peixes ciclídeos de água doce pertencentes à subfamília Pseudocrenilabrinae e em particular ao gênero Tilapia. São nativos da África, mas foram introduzidas em muitos lugares nas águas abertas da América do Sul e sul da América do Norte e são agora comuns na Flórida, Texas e partes do sudoeste dos Estados Unidos, sul e sudeste do Brasil. No sudeste esta espécie é um dos principais peixes da pesca artesanal, principalmente no Rio Grande, Estado de Minas Gerais. Em Angola também recebe o nome cacusso.

Tilápias são fáceis de manter em aquário, já que lhes é suficiente o espaço neles. Elas se reproduzem facilmente e crescem rapidamente, mas são perigosos para qualquer outro peixe pequeno. A maioria das espécies são reprodutores de superfície mas alguns protegem a cria na boca.

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By Charlesjsharp – Own workCC BY-SA 4.0Link

Pesca de tilápia no lago Naivasha, Quênia

As tilápias são peixes criados para alimentação humana, sendo a sua carne bastante apreciada, pois é leve e saborosa. Em algumas regiões o peixe é colocado nos arrozais, depois de plantado o arroz, onde cresce até ao tamanho pronto para consumo(12–15 cm), na mesma época em que o arroz está pronto para a colheita.

A tilápia-do-nilo foi um dos primeiros peixes a serem criados em aquicultura pelos antigos Egípcios (4000 anos).

A tilápia é um excelente controle biológico para alguns problemas de infestações de plantas aquáticas. Eles preferem plantas aquáticas que flutuam, mas também consomem algumas algas fibrosas.

É um peixe adaptável à água salgada.

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By Germano Roberto Schüür – Own workCC BY-SA 4.0Link
Ciclídeo originário do Rio Nilo

Tendo então agora em conta o excelente produto fornecido pela Lota no Bairro, comecemos portanto por assistir aos próximos vídeos a ver com a minha sugestão de receita de peixe escolhida para o dia de hoje, devidamente acompanhados pela descrição dos respetivos ingredientes utilizados, bem como dos diferentes passos para a confecionar, para além do intitulado empratamento

RECEITA INCLUÍDA NA CATEGORIA DE PEIXE: Tilápia com Leite de Coco acompanhada de Arroz Branco

  • Tilápia com Leite de Coco

Ingredientes:

  • 500 Gramas de filete de Tilápia
  • 1 Cebola picada
  • 2 Dentes de alho esmagados
  • 200 ml de Leite de Coco
  • 1 malagueta picada
  • 1 Colher de chá de Açafrão em pó
  • 2 Colheres de sopa de azeite
  • ½ Xícara de farinha de trigo (70 Gramas)
  • 2 Colheres de sopa de coentro picado
  • pimenta do reino e sal q. b.

Confeção:

  1. Refogar a cebola, os alhos e a pimenta numa frigideira, em lume baixo, com o azeite.
  2. Temperar os filetes de tilápia com sal e pimenta, para depois envolver na farinha, e assim ficar mais macio e o molho mais cremoso (Podem-se usar os filetes de tilápia ora inteiros ora cortados em 3 partes).
  3. Adicionar os filetes à frigideira e verter o leite de coco e o açafrão, para logo a seguir colocar o lume alto e deixar cozinhar por 10-15 minutos.
  4. Servir os filetes de tilápia com leite de coco acompanhada de arroz branco, polvilhando a gosto com o coentro. 
  • Arroz Branco

Ingredientes:

  • 1 Copo de arroz (agulha)
  • 2 Copos de água
  • ½ Cebola pequena picada
  • Sal q.b.
  • 1 colher de sopa de margarina

Confeção:

  1. Colocar a margarina num tacho e levar ao lume.
  2. Juntar a cebola picada e deixar refogar, temperando com sal.
  3. Quando a cebola estiver transparente, juntar o arroz e deixar fritar um pouco, juntando logo de seguida os dois copos de água.
  4. Deixar o arroz cozer sem mexer até que a água evapore totalmente e desligar o lume.
  5. Tapar e deixar repousar 5 minutos antes de servir.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dia Mundial de Luta Contra o Cancro: exemplos de alimentos que devem ou não ser ingeridos!

O Dia Mundial de Luta Contra o Cancro celebra-se anualmente no dia 4 de fevereiro, cujo objetivo será o de desmistificar algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro e informar sobre os fatos reais da doença.

A celebração deste dia baseia-se na Carta de Paris, aprovada em 4 de fevereiro de 2000, na Cimeira Mundial Contra o Cancro para o Novo Milénio, apelando à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e do tratamento do cancro.

Em Portugal, por exemplo, morrem 70 pessoas por dia com cancro, o que significa que, a cada hora que passa, 3 pessoas morrem vítimas da doença, ou seja, por ano são registados 25000 óbitos.

E os cancros que mais matam são os do cólon, reto e ânus, assim como os cancros da laringe, brônquios, pulmão e estômago.

Alguns dados sobre o cancro:

  • O cancro é uma das principais causas de morte no mundo. Todos os anos, cerca de 8 milhões de pessoas morrem vítimas de cancro e estima-se que a doença é responsável por mais de 84 milhões de mortes entre 2005 e 2015.
  • O cancro contabiliza mundialmente mais mortes que VIH/SIDA, tuberculose e malária juntos. Das 7,6 milhões de mortes por cancro no mundo em 2008, mais de 55% ocorreram em regiões menos desenvolvidas. Em 2030, estima-se que de 60 a 70% dos 21,4 milhões de novos casos de cancro ocorrerão nos países em desenvolvimento.
  • De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 40% de todos os cancros podem ser prevenidos e outros podem ser detetados numa fase precoce do seu desenvolvimento, tratados e curados.
  • Estima-se que o número de casos de cancro e mortes relacionadas a nível mundial venha a duplicar nos próximos 20 a 40 anos, especialmente nos países em desenvolvimento.

Segundo o texto ALIMENTOS ANTI-CANCRO publicado na homepage do SAPO, da autoria de Madalena Alçada Baptista juntamente com Tiago Osório de Baros (nutricionista na Dermonutri – Espaço Saúde e Qualidade de Vida), a Sociedade Americana do Cancro calcula que um terço das mortes causadas por esta doença estão directamente relacionadas com factores associados ao estilo de vida dos dias de hoje!
Por isso, liste-se de seguida um certo conjunto de produtos que podem ajudar a prevenir o cancro:

  • Alhos e cebolas: graças ao selénio e sulfetos alílicos que contêm, possuem propriedades inibidoras do cancro e bactericidas.
  • Chá verde e frutos silvestres: ricos em taninos, antioxidantes potentes. Estão presentes em framboesas, arandos, amoras, groselhas, chá verde e também vinho tinto e chocolate preto.
  • Propólis: esta substância resinosa fabricada pelas abelhas é antibacteriana e uma ajuda contra o cancro, já que reforça o sistema imunológico.
  • Iogurte: as suas bactérias acido-lácticas protegem a flora intestinal, reforçam o sistema  imunitário e podem prevenir o reaparecimento de tumores gastrointestinais.
  • Fruta: as laranjas, os limões, as toranjas e outros citrinos contêm limonóides e terpenos, que favorecem as enzimas anticancro. «Para além disso, são antioxidantes potentes, sobretudo por causa da vitamina C que contêm», acrescenta Tiago Osório de Barros, nutricionista na Dermonutri – Espaço Saúde e Qualidade de Vida.
  • Cereais integrais e sementes: os grãos integrais, as sementes, os frutos secos e a gema de ovo são excelentes fontes de vitamina E, um grande antioxidante.
  • Gengibre: previne as náuseas em doentes submetidos a quimioterapia e é benéfico no combate ao cancro da pele.
  • Curcuma: esta planta, de onde se extrai o caril, é útil no tratamento do cancro da pele; há esperanças de que seja também útil no cancro do pâncreas.
  • Leguminosas: contêm vitaminas C, E e carotenóides, que podem proteger de diferentes tipos de cancro, especialmente do estômago e cólon.
  • Couves: acouves-de-bruxelas, de folha e frisadas são ricas em fibras e antioxidantes,
    «especialmente as de cor mais escura», especifica o nutricionista; os brócolos são ricos em sulforafano, que pode ser eficaz contra o cancro do estômago.
  • Azeite: estudos recentes confirmaram os benefícios do azeite na prevenção e tratamento do cancro da mama.
  • Soja: o tofu e outros derivados de soja e leguminosas contêm protease, uma substância química natural que inibe o crescimento tumoral.

Todavia, existem outros produtos que devem ser ingeridos com uma certa moderação:

  • Carnes vermelhas (vitela, borrego e porco): limite a sua ingestão a menos de 80 gramas diários; sempre que puder, substitua por peixe ou frango; as calorias contidas na carne não devem exceder os 10 por cento do conteúdo calórico total; favorecem o risco de cancro de pâncreas, próstata, mama, rins e colo-rectal.
  • Alimentos gordos: o consumo de gorduras deve representar menos de 30 por cento do aporte calórico total; as gorduras saturadas não devem ultrapassar os 10 por cento das calorias totais; as poli-insaturadas têm de ser inferiores a 6 por cento; favorecem o
    risco de cancro de pulmão, mama, endométrio e próstata; também potenciam o colo-rectal.
  • Alimentos chamuscados: coma carne cozinhada no churrasco apenas de vez em quando e evite as partes mais queimadas; este tipo de coção produz aminas aromáticas que podem ser carcinogénicas; favorecem o risco de cancro de estômago e colo-rectal.
  • Alimentos curados ou fumados: contêm nitrosaminas, substâncias carcinogénicas; também não abuse das salsichas e óleo de coco; estas contêm hidrocarburos aromáticos, que provocam tumores; favorecem o risco de todos os tipos de cancro.

(fontes: https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-de-luta-contra-o-cancro/,

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

PLANTAS PARA COLHER E DEGUSTAR: texto 2 - Beringela (by Miguel Boieiro)

Na viagem realizada em fins de agosto pelo sul da Itália, tive o prazer de conhecer a “melanzana rossa”. Foi em Matera, cidade mística e mítica que em 2019 irá ser a Cidade Europeia da Cultura. Entre tantas surpresas agradáveis proporcionadas pela participação no 84º Congresso Italiano de Esperanto, com realce para as excursões efetuadas na região da Basilicata onde visitámos palácios, museus e igrejas, destacámos a que foi feita à cidade pétrea, dotada de cavernas ancestrais. Recordar tudo o que aí se viu é sumamente difícil, mas recordo que mesmo no fim da digressão, entrámos numa loja “gourmet” onde um fruto vermelho e arredondado passou de mão em mão, sem ninguém adivinhar o que seria. Parecia uma maçã ou um tomate mas era simplesmente uma beringela, que dá pelo nome vernáculo de Solanum aethiopicum, especialidade daquela região.
Solanum aethiopicum MS 2264.JPG
By Marco Schmidt [1] – Own workCC BY-SA 2.5Link
Fruto de Solanum aethiopicum (“local de berinjela”), cultivado perto de Cascades de Karfiguela, Burkina Faso

Esta foi uma das maneiras de iniciar a presente croniqueta. Outra poderia ser a relativa à experiência que tive quando fiz os “Berberes do Toubkal”, integrado numa caravana de caminheiros que, em 8 dias, percorreu 140 quilómetros nas montanhas do Atlas. O jovem guia era berbere mas expressava-se em bom francês. Ao comentar os ingredientes do almoço esqueci-me do termo “aubergine” e escapou-me “beringela”. Não houve problema pois o guia de imediato entendeu. Afinal a palavra portuguesa era igual à do seu idioma. Mas chega de conversa fiada!

A beringela, cujo nome científico é Solanum melongena, pertence à família das Solanaceae e ao contrário de outras solanáceas conhecidas, como o tomate, a batata e o pimento, não proveio das américas. É originária da Índia e entrou na Europa trazida pelos árabes no século XIII. Os europeus, a princípio, olharam-na com desconfiança. Como se sabe, todas as solanáceas possuem elementos tóxicos e algumas são mesmo mortais. Os italianos chamaram-lhe “melanzana” que significa maçã malquista, mas pouco a pouco, após muitas hibridações, das centenas de variedades espontâneas, logrou-se alcançar espécies comestíveis com baixo teor em solaninae solasonina (as tais substâncias tóxicas) e o consumo da beringela como alimento, popularizou-se. 


A planta possui caule ereto, ramificado e peludo podendo atingir 1 metro de altura. As folhas, oblongas ou ovadas, são ásperas. As flores, hermafroditas, com cinco pétalas brancas ou violáceas, apresentam-se solitárias. Mas o que mais nos interessa são os frutos. Eles são grandes com pele lisa e brilhante podendo ter várias configurações, se bem que as mais frequentes sejam as ovoides ou piriformes. A sua cor pode ser roxa, negra, amarela, branca (nos EUA chamam-lhe “eggplant”) ou até vermelha, como a que vimos na Itália. A polpa tem textura esponjosa.
Eggplant production map FAOSTAT 2014.png
By Horticulturalist RJ – Own workCC BY-SA 4.0Link
Produção de berinjela em 2013 por país

Os maiores produtores mundiais são a China e a Índia com 85% das quantidades obtidas em todo o mundo. Na Europa, com exceção da Itália e da Espanha, a sua produção e consumo são ainda incipientes. Em Portugal era praticamente desconhecida há meio século. Ainda me lembro bem quando vi beringelas pela primeira vez. 

A beringela gosta de calor e luminosidade mas detesta regas abundantes quando está a florir. Possui vitamina C, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, potássio, magnésio e selénio. É rica em fibras solúveis e integra alguns alcaloides.
Embora ainda não suficientemente estudada no tocante aos seus poderes medicinais, atribuem-lhe virtudes como a de ser digestiva, nutritiva, laxante e antioxidante. Reduz as taxas do colesterol e atua nos problemas de artrite, gota, reumatismo e diabetes. Externamente, em cataplasma, atenua os efeitos das queimaduras solares. 
No entanto, é na gastronomia que a beringela atinge maior projeção. O seu sabor em refogados, “ratatouilles”, lasanhas, frita, panada ou assada às rodelas, é único, contribuindo para dilatar a paleta de paladares dos vários pratos cozinhados. O “caviar” de beringelas, confecionado com as ditas assadas, tomate, cebola e ervas aromáticas forma uma pasta muito apreciada que substitui com vantagens económicas, e não só, as ovas de esturjão.
A terminar, adverte-se que jamais se deve consumi-la crua, porque o seu gosto é amargo e retém maior índice de alcaloides. 

Miguel Boieiro

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O dia Internacional do Vinho do Porto, a sua história e duas receitas!

DIA INTERNACIONAL DO VINHO DO PORTO
Será durante o dia de amanhã, 27 de janeiro, que se assinalará o intitulado Dia Internacional do Vinho do Porto!

Mas esta data já fora criada em 2012 pelo Center for Wine Origins, uma instituição dos Estados Unidos da América, da qual o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto) faz parte.

Já agora, a chamada “Região demarcada do Douro” engloba cerca de 250 mil hectares, onde 44 mil são compostos por vinhas e 32 mil estão autorizados a produzir vinho do Porto; em terra de socalcos existem mais de 100 castas aptas à produção.

E se a região é demarcada há mais de 260 anos, a produção na região é já milenar, antecedendo a ocupação romana, somando já cerca de 65 mil pessoas envolvidas na produção deste tipo de vinho.

Por outro lado, o Douro é considerado Património da Humanidade pela UNESCO como “paisagem cultural evolutiva e viva”, estando dividido em três sub-regiões (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior).

Alguns factos sobre o vinho do Porto:

– 85% da produção deste vinho é para exportação (7,5 milhões de caixas por ano).
– 20% das exportações destinam-se a França.
– França, Portugal, Reino Unido, Holanda, Bélgica e EUA são os países que mais consomem esta bebida.
– O vinho do Porto está presente em cerca de 120 mercados.
– As vendas do vinho do Porto rendem 365,4 milhões de euros (em 2013).
– O nível de álcool deste vinho varia entre 16,5% (branco leve seco) e 22%.
– Existem quatro estilos de vinho do Porto: Tawny (envelhecido em pipa), Ruby (envelhecido em garrafa), Branco e Rosé.
– EUA, Argentina, África do Sul ou Austrália são alguns países que produzem imitações do vinho do Porto.

A HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO

Quanto à sua história, o Vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da Região Demarcada do Douro, no Norte de Portugal a cerca de 100 km a leste da cidade do Porto, sendo Régua e Pinhão os principais centros de produção e S. João da Pesqueira o concelho com maior produção de vinho do Porto a nível nacional.

Apesar de produzida com uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como “vinho do Porto” a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade: Vila Nova de Gaia é então o local com maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo!

Porém, a “descoberta” do vinho do Porto é polémica, já que uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. 

Por outro lado, o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses, pois já, por causa das época dos Descobrimentos, o vinho era armazenado desta forma para se conservar durante todo o tempo das viagens. 

Portanto, a diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas e a empresa Croft foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.

O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). 

Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool) e mais forte do que os restantes vinhos (entre 19 e 22º de álcool).

Fundamentalmente consideram-se três tipos de vinhos do Porto: Branco, Ruby e Tawny.

Acrescente-se ainda que o vinho do Porto que envelhece até três anos é considerado standard, pertencendo a categorias especiais, quer porque as uvas que lhe deram origem são de melhor qualidade, quer por terem sido produzidos num ano excepcionalmente bom em termos atmosféricos. 
Assim, entre as categorias especiais, é comum encontrar os Reserva, os LBV, os Tawnies envelhecidos e os Vintage, e, menos regularmente, os Colheita.

Para terminar, nos primórdios da história do comércio do vinho do Porto, os ingleses eram das famílias mais influentes no negócio, uma vez que o mercado inglês era o maior consumidor mundial do famoso néctar português. 
Com o passar dos anos outras nacionalidades — tais como holandeses, alemães e escoceses — prevaleceram igualmente no comércio deste produto português. 
As principais casas portuguesas eram a casa Ferreira — detida por D. Antónia Ferreira —, Ramos Pinto e a Real Companhia Velha.

RECEITA NA CATEGORIA DE CARNE: Entrecosto carnudo com batatas no forno

Ingredientes:

  • azeite, sal e folhas alecrim q. b.
  • 1 cebola grande cortada às rodelas
  • 6 alhos esmagados
  • 6 folhas de louro
  • 1 peça de entrecosto carnudo
  • 4 colheres de sopa de massa de pimentão
  • 4 colheres de sopa de margarina
  • 4 colheres de sopa de polpa de tomate
  • 1 cálice de vinho do Porto
  • batatas pequenas cortadas aos quartos para 4 pessoas

Confeção:

  1. cobrir o tabuleiro de barro com o azeite, a camada de cebola cortada às rodelas, os alhos esmagados e as folhas de louro
  2. colocar, por cima, a peça de entrecosto carnudo envolvida em: massa de pimentão, polpa de tomate, vinho Porto, folhas de alecrim e sal q. b.
  3. entretanto devem-se dar alguns golpes na própria carne, acrescentando mais uns pedaços de folhas de louro, bem como pedaços de margarina
  4. distribuir as batatas envolta da peça de carne
  5. ligar o forno a 180ºC, tendo a preocupação de ir virando a peça de carne, bem como as batatas 

RECEITA NA CATEGORIA DE SOBREMESA: Maçãs assadas no forno

Ingredientes:
  • 6 maçãs vermelhas
  • 6 paus de canela
  • açúcar amarelo q. b.
  • 1 cálice de vinho do Porto 

Confeção:

  1. Lavar as maçãs, para depois, com a ajuda de algum instrumento próprio para o efeito, retirar a parte central (pedúnculo e caroços), criando um tubo oco no meio de cada uma delas
  2. Colocar as maçãs num tabuleiro para ir ao forno, polvilhando em seguida com açúcar a gosto, para além de introduzir um pau de canela no meio de cada uma
  3. Salpicar o tabuleiro com o vinho do porto, levando depois tudo ao forno pré-aquecido a 180.ºC, cerca de 1h

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

ANÚNCIO: Nova Rubrica aqui no meu Blogue Cozinha Com Rosto!

Desta vez, vou anunciar algo novo no meu Blogue Cozinha Com Rosto: a inclusão de alguns textos da autoria de Miguel Boieiroem continuação do tema “PLANTAS PARA CURAR E PARA COMER“, publicado aqui no passado dia 4 de dezembro de 2017!

Faça-se recordar que, Miguel Boieiro, sendo autor dos livros “Plantas para curar e para comer” e “As plantas, nossas irmãs, bem como de vários artigos sobre botânica, viagens e administração local, para além do facto de ser formado em Contabilidade e Administração, e de já ter sido Presidente da Câmara Municipal de Alcochete, da Assembleia Municipal de Alcochete e da Assembleia municipal do Seixal, exerce atualmente o cargo de Diretor na Sociedade Portuguesa de Naturalogia (SPN).

De facto, tal como se pode ler logo ao início do Prefácio do seu livro Plantas para curar e para comer“, o cozinheiro faz medicina sem o saber (Nicholas Culpeper), donde a curiosidade e a vontade de saber mais sobre o nosso próprio desenvolvimento físico, emocional, mental e espiritual, através do Naturismo, me levou recentemente ao facto de também me tornar sócia da mesma, podendo usufruir-se por exemplo de:


– Almoçar no refeitório vegetariano;

– Participar em várias actividades como: yoga, relaxamento e meditação, chi kung, mentalismo, pintura, introdução ao Esperanto, iniciação ao Latim, entre muitas outras;

– Consultar a Biblioteca dedicada a temas como: naturismo, vegetarianismo, terapias naturais, saúde, auto-cura, alimentação e nutrição, forma física, agricultura e jardinagem, filosofia, psicologia e sociologia. 

– Consultas de homeopatia, de naturopatia, de saúde integral e ortomolecular, de astrologia;

– Massagens: shiatsu, terapêutica, drenagem linfática, desportiva, relaxamento muscular, ayurvédica;

– Terapias naturais: reflexologia, acupunctura, cura quântica;

– Passeios pedestres e passeios culturais;

– Conferências, palestras e tertúlias.

 

Desta forma, vamos então dar início ao primeiro texto desta série, agradecendo, desde já, a Miguel Boieiro, toda a atenção e a amabilidade com que fui recebida na dignificada instituição SPN, contando já com 105 anos de história, mas também por permitir-me partilhar convosco, um pouco dos seus vastos conhecimentos, numa área em que ainda há tanto por descobrir!

PLANTAS PARA COLHER E DEGUSTAR: texto 1 – Inula MarítimaInule fausse criste.jpg
Inule fausse criste: Limbarda crithmoides syn. Inula crithmoides à Belle-Île-en-Mer
Por Patrice78500Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, Hiperligação
Revestiu-se de grande sucesso o 1º Festisal, certame organizado pela Fundação das Salinas do Samouco no passado mês de julho. Participaram entusiasticamente cerca de seis centenas de pessoas de todas as idades. A iniciativa, plenamente integrada na filosofia eco ambiental, visou, entre outros objetivos, sensibilizar a população para o potencial educativo, científico e lúdico contido num espaço de quase 400 hectares que ficou denominado Salinas do Samouco, embora mais de 80% do território se situe na freguesia de Alcochete. A 1º Festisal, englobou um leque diversificado de atividades: rapação de sal, recriações históricas, artesanato, venda de produtos regionais, observação de aves, gastronomia, fornos solares, projeção de filmes, exposições, palestras temáticas, etc.

Neste âmbito, despertou enorme interesse o “showcooking” dirigido pelo “Chef” António Sequeira com demonstrações culinárias e respetivas degustações (talvez o mais cativante para quem busca experiências de novos sabores) efetuadas com plantas halófitas das salinas. A este escriba foi solicitado que, na véspera, colhesse folhas de salgadeiras, salicórnias, sarcocórnias, gramatas e inulas, o que foi efetuado com prazer para que tudo corresse a contento. Refira-se que as citadas plantas são todas elas edíveis, embora ainda não estejam integradas na gastronomia portuguesa tradicional. Apenas a salicórnia começa agora a ser popularizada como produto “gourmet” (Ver alusão no meu livro “Plantas para Curar e para Comer”).

Aproveitamos a ocasião para investigar sobre as propriedades gustativas da inula com que o “Chef” preparou um acepipe de camarinhas (pequenos camarões). A inula marítima, para além de ser uma planta salgada, tem sabor forte e característico o que confere identidade própria a qualquer prato.

Campana-da-praia (Inula crithmoides) em frutificação.

Campana-da-praia (Inula crithmoides) em floração.

 

Há várias plantas designadas por inula, mas falo-vos da Inula crithmoides, de seu nome científico, espécie da aristocrática família das compostas ou Asteraceae. Trata-se de uma planta perene, simples, glabra, ramosa e ascendente que pode atingir 8 dm de altura. As suas folhas são carnudas, estreitas, quase lineares, sésseis e alternas. Os caules são lenhosos e um pouco torcidos na base. As flores, agrupadas em capítulos, apresentam-se de amarelo dourado com pétalas estreitas e brácteas imbricadas em várias filas. São hermafroditas e surgem de maio a setembro. As sementes, de 2 a 3 mm, formam aquénios angulosos hirsutos e pubescentes.

A inula não suporta a sombra, adorando o calor. Prefere solos ligeiramente ácidos, formando tufos e pode ser encontrada em orlas de sapais, muros de salinas, esteiros e mesmo em esporões rochosos e arribas litorais, como recentemente vimos em Peniche, a caminho do Cabo Carvoeiro. 

Dos compêndios consultados apenas encontrámos menção da Inula crithmoides em “Elementos da Flora Aromática” de Aloísio Fernandes Costa, edição de 1975 da Junta de Investigações Científicas do Ultramar, referindo que “por destilação das folhas se separa uma essência da qual predominam, particularmente, hidrocarbonetos”. A mesma obra regista ainda outras duas inulas com essências, nomeadamente a viscosa e a graveolens. Inula helenium Prague 2011 1.jpg

Espécimes de Inula helenium (Praga, República Checa).
Por KareljObra do próprio, CC BY-SA 3.0, Hiperligação
No entanto, a inula mais consagrada como planta medicinal, descrita em variados livros de fitoterapia, é a Inula helenium de que se aproveita a raiz. Trata-se de uma erva de folha larga, bem mais alta do que a crithmoides e tem aplicações no tratamento de bronquites, tosses e problemas estomacais.

Quanto à nossa inula marítima há a destacar, para além das suas essências ainda não devidamente estudadas, o teor em cloreto de sódio e quiçá em cloreto de potássio, sendo portanto ideal para temperos em substituição do sal-das-cozinhas e, desta forma, aconselhada para quem sofre de hipertensão. As folhas jovens podem ser consumidas cruas, cozidas, em picles e como condimento.

Avançando nas minhas experimentações, procedi à secagem da planta em forno solar e pulverizei as respetivas folhas que casam bem com saladas e cozinhados. E eis assim como se pode aproveitar mais um recurso disponível e gratuito (por enquanto) no nosso País, cuja utilização enriquece os preparados culinários e beneficia a nossa saúde.

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Flores de Inula helenium.

Por KareljObra do próprio, CC BY-SA 3.0, Hiperligação

Miguel Boieiro